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Soldados Israelenses Estão Lutando pelo Direito de Apontar Armas a Jovens Palestinos

Membros das forças armadas israelenses e simpatizantes usaram as redes sociais para demonstrar seu apoio a um soldado, que foi disciplinado depois de um vídeo no qual ele aparece chutando, xingando e apontando uma arma para jovens palestinos.
8.5.14

Semana passada, membros das forças armadas israelenses e simpatizantes usaram as redes sociais para demonstrar seu apoio a um soldado, que foi disciplinado depois do surgimento de uma filmagem na qual ele aparece chutando, xingando e apontando uma arma engatilhada para jovens palestinos durante uma confrontação na Cisjordânia.

O exército colocou o soldado – conhecido como David Hanahlawi (Hanahlawi é uma gíria para membro da Brigada Nahal, à qual ele servia) – sob análise e, em resposta, milhares de colegas postaram mensagens anônimas em seu apoio no Facebook.

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O incidente aconteceu na região de Hebrom da Cisjordânia ocupada e é quase rotina na área, onde uma minoria de assentados vive sob proteção das Forças de Defesa Israelenses entre milhares de palestinos. Mas tamanha explosão de raiva do pessoal do exército israelense sobre as condições de trabalho e tratamento na Cisjordânia, no entanto, não era vista em anos.

No vídeo, um adolescente palestino e um soldado israelense discutem e começam a se empurrar, então, o soldado levanta e engatilha seu rifle, e o aponta direto para o jovem.

Outro garoto palestino passa por trás do soldado, que rapidamente troca de alvo. O primeiro garoto tenta afastar o colega do soldado, e o soldado os chuta e continua apontando sua arma na direção deles enquanto eles vão embora.

Depois, o israelense parte para cima do pessoal que está fazendo o vídeo, xingando e ordenando que eles desliguem a câmera ou vão levar um tiro na cabeça. A filmagem foi feita por ativistas da Youth Against Settlements no dia 27 de abril, conforme o diretor do grupo, Issa Amro, informou à VICE News.

O vídeo mostra um soldado israelense apontando um rifle engatilhado em direção a garotos palestinos e causou comoção nas redes sociais. Via YouTube/Human1Rights1Press.

Um dos jovens envolvidos foi supostamente detido no dia 30 de abril pela FDI, sob suspeita de ter uma corrente ou soco-inglês no momento do incidente, mas, de acordo com Amro, ele portava apenas contas de oração.

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Um porta-voz dos militares disse à AP que o comportamento do soldado “não está de acordo com o que esperamos de nossos soldados no que diz respeito à conduta”. Ele acrescentou que o homem também pode ser preso por bater em seus comandantes.

No entanto, uma página no Facebook foi criada na quarta-feira passada visando expressar apoio ao soldado e descontentamento com as FDI, que, para alguns, usou o soldado como bode expiatório para evitar uma tempestade de publicidade ruim. Até agora, cerca de 129 mil pessoas curtiram a página. Tanto membros das forças armadas como civis demonstraram apoio ao soldado postando fotos suas – geralmente com o rosto coberto, para evitar medidas disciplinares – com cartazes dizendo “Estamos com David Hanahlawi”. Outros posaram com as mãos “amarradas”, protestando contra as decisões do comando que os impediriam de agir contra provocadores palestinos.

Esse ponto de vista foi resumido num artigo da Jewish Press, que se queixa que os membros das forças armadas israelense são impedidos de fazer seu trabalho e se defender por medo de desencadear um escândalo na imprensa. “Os soldados das FDI estão cansados de ter as mãos atadas diante de provocações e ataques árabes, e pior, de não ter o apoio do comando das FDI, que morre de medo da mídia”, diz o artigo.

E a publicação não está sozinha. Naftali Bennett, ministro da economia israelense e chefe do partido religioso sionista HaBayit HaYehudi (O Lar Judeu), postou seu apoio ao soldado em sua página no Facebook, e disse que teria feito a mesma coisa. “Eu teria agido como David, o guerreiro da Brigada Nahal”, escreveu Bennett. “Assisti ao vídeo que foi divulgado por grupos de esquerda, que mostra um soldado da Infantaria Nahal agindo contra uma organização árabe hostil, e ele engatilhou sua arma. Ele fez a coisa certa.”

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“O que você vê no vídeo é muito simples”, o político continuou. “Eles usaram violência contra ele. Ele estava sozinho, cercado por vários árabes violentos que o provocavam. Ele não abriu fogo. Ele tomou medidas razoáveis para defender a si e àqueles a seu redor, e encerrou a situação.”

Bennett continuou, afirmando que o fato de o incidente ter sido gravado “não era uma coincidência” e que os soldados das FDI encaram “armas, pedras e câmeras hostis”. “Duas câmeras estavam presentes durante o incidente, o que não é coincidência. A extrema-esquerda sobrevive da difamação dos combatentes das FDI. Isso deve ser denunciado por meio do espectro político.”

Mas o Chefe Geral de Equipe das FDI, o tenente-general Benny Gantz, não ficou feliz com a demonstração de apoio. Segundo a mídia local, ele disse numa reunião: “É importante lembrar e dizer claramente aos nossos comandantes que o Facebook não é uma ferramente para a liderança […], isso não substitui ou iguala o discurso perante os oficiais e seus soldados”.

E, claro, as FDI também não ficaram nada contentes com o vídeo em si. Amro disse que as forças israelenses foram ao escritório do Youth Against Settlements em quatro ocasiões desde que o vídeo foi publicado. Amro explicou que os soldados foram até a sede do grupo uma vez no dia 1º de maio, duas no dia 2 de maio e de novo no último final de semana, procurando especificamente pelos responsáveis pela filmagem. “Eles estão nos ameaçando como grupo ativista e, no sábado de manhã, vieram até a entrada do centro e ameaçaram uma das pessoas que filmou o vídeo”, disse Amro.

Filmagens dos enfrentamento são cada vez mais comum na Cisjordânia. O grupo de defesa dos direitos humanos B'Tselem chegou a dar 150 câmeras para famílias palestinas da área, para documentar a violência das forças israelenses. Nesse caso, no entanto, o vídeo acabou fazendo uma boa parcela do exército israelense se unir na defesa de um soldado violento e instável, e, ao mesmo tempo, levou os soldados a questionar seus líderes.

Siga o John Beck no Twitter: @JM_Beck