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Sexo

Falamos com Mulheres sobre suas Vaginas

Porque nunca é demais falar de xoxota.
1.9.14

Bem-vindos ao Genitales! Aqui vamos conhecer o estado dos genitais da América do Norte em 2014. Vamos falar de prepúcio, odor vaginal, cirurgia de troca de sexo, DSTs, orgasmo, parto e muito mais. Como andam os pênis e as vaginas do pessoal? Como nos sentimos sobre eles? Eu quero saber. Entre em contato comigo peloTwitter para preencher a pesquisa. Hoje vamos falar sobre xoxotas.

Foto via Wikimedia Commons e usuário do Flickr Derek Keats.  

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Na outra coluna da série Genitales conversamos com vários caras sobre seus pipis. Foi envolvente, esclarecedor e, aparentemente, “tirou um peso das costas” dos rapazes. Recebi um monte de e-mails (nem todos pervertidos) de caras tristes, porque perderam a chance de falar abertamente sobre sua relação com seus pênis. Para esse pessoal, eu digo: vocês podem conversar sobre isso com os amigos e entes queridos, pessoal. Porque nesta semana vamos falar de vaginas.

[Nota: Eu sei que “vagina” se refere tecnicamente à passagem vaginal da mulher, e não às características externas da vulva, que é mais o assunto discutido aqui, mas quase todo mundo com quem falei usou vagina para se referir à genitália no geral, algo que também faço coloquialmente. Então considere “vagina” abreviação para a coisas toda que as minas têm lá embaixo.]

As 60 mulheres com quem conversei não sentiram que estavam tirando um peso das costas ao revelar os segredos bem guardados de suas xoxotas. A maioria estava interessada em continuar discussões particulares que já estavam tendo em espaços mais públicos. Quando se trata de falar sobre nosso capô de fusca – processando nossos sentimentos e intelectualizando nossa relação com essa parte do corpo –, elas parecem estar quilômetros à frente dos homens. As participantes da minha pesquisa estavam mais do que prontas para discutir o assunto, escrevendo longos e-mails sobre cada aspecto de suas vulvas, himens, clítoris e muito mais.

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A média de idade do grupo era de 25 anos, com a maioria respondendo dos Estados Unidos e do Reino Unido. As garotas escolherem seus próprios pseudônimos. Cerca de 30% se identificaram como heterossexuais e 10%, como lésbicas, com a maioria optando por personalizar sua descrição com coisas como “heterozinha” ou “pegando uma mina aqui e ali”. Aqui está o que aprendi sobre vaginas falando com essas 60 moças.

Vaginas são muito difíceis de descrever.
Enquanto os homens da semana passada ficaram tagarelando estatísticas, como se seus pintos tivessem sido escalados para a seleção, as mulheres sofreram para definir que adjetivos usar para descrever suas vaginas. Muitas colocaram isso como uma série de perguntas. Laura, 24 anos, de Norfolk, Inglaterra, disse: “Tenho (acho) lábios tamanho médio entre o clitóris e a vagina. Não tenho nada ao redor do buraco, isso faz sentido?”

As descrições variaram loucamente, com uma infinidade de cores (roxa, vermelha, rosa e até uma vagina parcialmente albina) e todos os tipos de formatos e comparações (vou falar mais sobre isso depois). A maioria esmagadora, assim como aconteceu com os homens, acha que suas pepecas estão na média. Stephanie, 27 anos, Brooklyn, afirmou: “Sabe quando você vê uma raça de cachorro e pensa: 'Esse é uma cachorro muito genérico. A foto desse cachorro devia estar no dicionário'? É assim que me sinto sobre a minha vagina. Meu médico sempre diz: 'Está ótima!', então acho que estou fazendo um bom trabalho cuidando dela”.

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A descrição vaginal mais inescrutável veio de Amelia, 19 anos, Escócia. Segundo ela, sua vagina parecia “um filhote de rato preso num feixe de varas”.

São tantos nomes diferentes para vagina que isso é basicamente como batizar um filho.
As mulheres que responderam a pesquisa chamaram suas vaginas – a lista segue sem qualquer ordem em particular – de: Vadge, Bumbum da Frente, Vajayjay, Orquídea, Little Ouse (um rio do leste da Inglaterra), Partes, Amiga, Machadada Barbada, Matilda (“porque é engraçado quando toca Matilda do Alt-J na festa”), Nunee, Minge, Meio-dia, Vaginaldo (“tipo Reginaldo”), Demona, Vagina, Bolinhos de Carne, Ol' Vag, Pum Pum, Vajeen (“tipo no Borat”), Minha Menina, Kitty, Pussay, Fitte (“pântano em sueco”), Presunto, Ostra, Fanny, Bichana, Waff, Ela, Minge, Gina, Partes de Mulher, Crescente Fértil, Junk, Bolo, Innie e Botty.

De todas as participantes, apenas FG, 30 anos, Londres, não tinha um apelido. “É uma vagina, não um cachorro”, ela frisou. “Não vou ficar dando nomes.”

Imagem via usuário do Flickr theimpulsivebuy e Wikimedia Commons

Quase todo mundo quer que parem de chamar vagina de flor.
“Parece o equivalente verbal daqueles protetores de calcinha descartáveis (cobrindo uma coisa que não precisa ser coberta. E é um nome bonito demais pra esse trabalho)”, filosofou uma garota de 24 anos de Melbourne, que pediu para ser chamada de Spongeworthy. “Xoxotas estão para flores como pintos estão para pirulitos. Uma comparação melhor seria… Torta? Tacos? Pão de cachorro-quente?”

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A opinião dela representava a da maioria das participantes nesse assunto, que sugeriram desde vulcão a vales montanhosos (muitas paisagens), molusco e “criaturinha peluda do mar” como comparações mais aptas. “A gente não sai por aí comparando pênis a dentes-de-leão, então por que eles não chamam isso pelo que é?”, perguntou uma mulher chamada Heather.

Outros títulos que causaram controvérsia foram as palavras problemáticas clássicas do inglês pussy e cunt. A primeira expressão dividiu o grupo, ainda mais que a segunda parece estar ganhando terreno. Enquanto muitas mulheres listaram cunt como o termo menos desejável, a palavra também estava no topo da lista de descrições cotidianas das partes para várias pessoas. Pussy não se saiu tão bem, com cerca de 50% das participantes respondendo que o termo é sonoramente broxante. Por outro lado, o nome mais odiado foi “cortina de bife”, mas Em, de 23 anos, Toronto, mencionou um ponto válido: “Comparar os lábios com pedaços de carne é ofensivo, mas as pessoas precisam aprender a apreciar mais tanto os lábios quanto bifes”.

Reclamações sobre a vagina, em ordem de frequência:
1)Tamanho da lábia (ver abaixo) (estou falando aqui no texto, não dentro da sua calça) (bom, talvez, não sei da sua vida);
2) Problemas relacionados à menstruação (fluxo, cólicas) e/ou a muitas coisas saindo;
3) Candidíase, infecções do trato urinário e outras infecções e inconveniências não sexuais;
4) Medo de rasgá-la no parto;
5) Namorados escrotos da adolescência que disseram alguma coisa horrível ou traumática sobre vaginas perfeitamente normais.

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Preocupações com expectativas irreais criadas pela pornografia são, em grande parte, infundadas.
Enquanto algumas mulheres disseram que a pornografia apresenta uma “vagina pornô” irreal e idealizada, que seja “compacta”, “perfeita” e “apertada”, a maioria das participantes que mencionaram o assunto sugeriu que esse foi o primeiro lugar em que elas foram expostas à realidade da grande diferença entre vaginas. “Assisto a pornô para descarregar a tensão, mas também adoro ver a variedade de formas, cores, texturas e tamanhos de vagina”, confessou Martha, 27 anos, assistente de dentista de York, Inglaterra. No geral, pornografia foi listada mais como uma ferramenta positiva de autoprazer do que fonte de ansiedade. “Existem tantos tipos de vagina que comparações são impossíveis. [Assistir a pornô] me ajudar a curtir a minha, sabendo, que enquanto funcionar, ela será uma fonte de prazer tanto para mim como para o meu parceiro”, enfatizou Samantha, mãe de dois filhos do Oregon.

Maiores curiosidade das mulheres em relação a suas vaginas:
- Squirting, como fazer;
- Vajazzling (aplicação de cristais nas partes íntimas), quando tentar;
- Peido vaginal: é possível aprender a controlar?;
- Deixar os pelos crescerem para “ver como fica”;
- Gosto e cheiro (como uma das participantes disse: “Acho que seria divertido experimentar e deixar isso mais ou menos almiscarada, frutada ou doce”).

Fotos via Justin William e public-domain-image.com

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As mulheres se preocupam muito com o tamanho dos lábios.
Enquanto algumas pessoas são bastante positivas quanto aos lábios genitais – “Acho que tenho um ótimo pacote! (lábios gordinhos, com a quantidade certa de pelos aparados e um clitóris superfofo!)”, disse Peach, 18 anos, Hamilton, a pessoa mais jovem a participar da pesquisa –, esta parte do corpo foi mais mencionada no quesito “Você tem alguma reclamação?” do questionário.

Sentimentos negativos tenderam a se centrar no que as mulheres descreveram como “sendo muito 'lá' em termos de lábios menores”. Uma de Londres admitiu: “Tenho uma aba que é um pouco grande demais, dá pra ver do lado de fora. Nunca gostei dessa aba pendurada. Eu achava que minha vagina parecia estranha. Na verdade, eu ainda não curto muito olhar pra isso”. Heather, 20 anos, Reino Unido, comparou: “Citando a grande Stoya, se minha vagina fosse um emoticon, ela seria o :P”.

Uma texana com lábios grandes e assimétricos explicou a raiz do problema: “Não dá para ver quando estou de pé nem nada assim, mas às vezes é desconfortável e me sinto estranha em relação a isso. Durante o sexo isso não é uma problema, mas pode, tipo, ficar esfregando na calcinha… Enfiar uma lábia de volta no lugar não é fácil como tirar a calcinha da bunda, sabe?”.

Participantes com lábios menores grandes tenderam a ecoar a visão dos homens menos dotados da semana passada. A maioria teve problemas com essa parte do corpo na juventude, mas cada vez mais vem aceitando e até curtindo isso. “Um lábio é maior que o outro, e acho que tenho um clítoris grande, mas não tenho certeza. Eu costumava achar que ela era linda, rosa e adorável, mas depois que um ex escroto disse que ela parecia 'complicada', eu meio que senti que todas as vaginas eram estranhas”, desabafou Alice, 23 anos, Londres, que também disse ter “muito carinho” por sua vagina.

Mas, no geral, as mulheres adoram suas vaginas.
Mesmo. Apesar das reclamações sobre fluxo intenso, especialmente descargas de cheiro estranho, lábios salientes ou um desejo de ter pelos pubianos diferentes, quase 100% das mulheres são loucas por suas pepecas. Maria, 27 anos, Londres, disse: “A minha pode não ser tão pequena e certinha como a de algumas pessoas. Mas sinto carinho por ela e quero protegê-la. Hoje em dia sou mais abertamente feliz por ter uma, e acho que isso tem uma ligação com ser mais positiva com ser mulher”. Melissa, da Austrália, entregou: “Eu estaria mentindo se dissesse que não considero minha vagina uma boa amiga. Somos VBFs”.

“Amar talvez não seja uma palavra forte o suficiente”, frisou Ella, Edmonton, Inglaterra. “Minha vagina é literalmente a melhor coisa que já aconteceu comigo.” Violeta, 20 anos, foi além: “Gosto mais dela do que do Netflix”.

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Tradução: Marina Schnoor