FYI.

This story is over 5 years old.

Noticias

“Vamos Partir pro Enfrentamento”, Avisa Boulos do MTST

Enquanto 20 mil manifestantes bloqueavam 21 avenidas e rodovias em sete Estados brasileiros, o coordenador nacional do MTST chamou a imprensa em São Paulo para mandar um recado: A direita vai encontrar uma resistência brava e decidida.
18.3.15

Guilherme Boulos. Foto por Guilherme Santana.

O coordenador nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Guilherme Boulos, chamou a imprensa hoje em São Paulo para mandar um recado curto, claro e desafiador: "A direita vai encontrar uma resistência brava e decidida" porque "os movimentos populares vão pra cima, vão partir pro enfrentamento", disse o líder sem-teto enquanto 20 mil manifestantes bloqueavam 21 avenidas e rodovias em sete Estados brasileiros, muitas delas com barricadas de pneus em chamas. Até o fim da jornada, a ação deveria ser estendida a 10 Estados, na previsão do movimento. "O que vem pela frente, do nosso lado, são semanas de mobilização e enfrentamento. Nós vamos enfrentar", avisou.

Publicidade

Algumas horas antes, as equipes dos telejornais brasileiros tinham amanhecido tomadas por notícias de barricadas em chamas em dezenas de estradas e vias importantes das principais capitais, como no caso da Marginal do Rio Pinheiros, em São Paulo, onde 1,2 mil sem-teto estavam no horário de pico. Ao longo do dia, sites, rádios e TVs falavam dos contratempos provocados pelo protesto na vida das cidades, mas a questão de fundo é muito maior.

A mobilização aconteceu apenas dois dias depois de a oposição ao governo Dilma Rousseff (PT) ter colocado nas ruas mais de 1 milhão de pessoas em 26 capitais pedindo a saída dela da Presidência e até golpe de Estado e volta da ditadura militar. "É a direita quem quer ir pra ofensiva. Nós não assistiremos a isso calados. Hoje foi apenas uma demonstração", falou Boulos à VICE ainda antes do início da entrevista coletiva.

Manifestação no Terminal João Dias, zona sul de São Paulo. Foto por Jardiel Carvalho do R.U.A Foto Coletivo.

Ele negou que o movimento procure levar a disputa para o lado da violência física. "O que nós queremos é um aprofundamento da democracia social, política e econômica. Agora, não dá pra ficar calado, assistindo ao desfilar de um discurso fascistas e, em nome de manter o tom pacífico, nós nos omitirmos e nos calarmos. Se esperarmos pra responder, pode ser tarde."

Manifestação em Itaquera. Foto por Rodrigo Zaim do R.U.A Foto Coletivo.

Ao ser perguntado por um dos jornalistas sobre a violência de queimar pneus e "impedir o direito de ir e vir", Boulos provocou: "no domingo, impediram o direito de ir e vir e (a manifestação) foi chamada de festa da democracia. Quando é sem-teto que protesta, é uma violência?". O jornalista retrucou lembrando que bonecos representando o ministro da Fazenda, Joaquim Lévy, e o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, foram queimados no protesto do MTST, assim como bonecos de Dilma tinham aparecido na forca no domingo. O líder do movimento respondeu que "os bonecos acontecem. As manifestações têm seus símbolos. Um deles é expressar isso com bonecos. Eu prefiro não comparar casos particulares, prefiro comparar o clima geral das duas mobilizações", disse desviando de um dos debates que esquentam o mundinho das redes sociais.

Publicidade

Guilherme Boulos e Jussara Basso. Foto por Guilherme Santana.

A coordenadora estadual do movimento, Jussara Basso, fez coro: "no domingo usaram a insatisfação popular pra levar as pessoas pra rua pedindo golpe militar. Ninguém sabe lá o que é passar fome, o que é não ter casa pra morar, ficar na fila do SUS. Não tem necessidade de fazer comparação (sobre violência). O ato de domingo feriu a nossa dignidade."

Assim como os organizadores dos protestos da sexta-feira 13, o MTST também se equilibra numa linha fina entre defender e atacar a presidente. Foi a divergência sobre o resultado dessa equação que fez com que os sem-teto não participassem da passeata de sexta.

Terminal João Dias. Foto por Jardiel Carvalho do R.U.A Foto Coletivo.

"Queremos que o governo acorde e tome medias populares. Não temos como defender um governo que só toma medidas contra os trabalhadores. Dilma precisa realizar o programa que a reelegeu. Precisa fazer a reforma política para o fim do financiamento privado de campanha porque a Operação Lava Jato é a prova disso. Precisa fazer a reforma tributária com taxação das grandes fortunas. Não queremos defender o governo, mas temos de ser categóricos quando há uma direita que ataca a democracia e os movimentos sociais. Não há nenhuma contradição em fazer isso e defender o governo", disse Bolulos, cobrindo com os argumentos a linha pontilhada sinuosa que os movimentos de esquerda estão tentando traçar.

Itaquera. Foto por Rodrigo Zaim do R.U.A Foto Coletivo.

Assim como as centrais sindicais foram para as ruas na sexta bradando uma pauta de reivindicações trabalhistas, o MTST também fez o mesmo hoje com a moradia. A tônica do protesto foi "contra o ajuste fiscal anti-popular conduzido pelo Ministério da Fazenda, que ceifa verbas para moradia, suspende a terceira etapa do Minha Casa, Minha Vida e corta direitos trabalhistas".

Publicidade

Os manifestantes também pediam "reforma urbana, contra a especulação imobiliária, além de mais políticas para lidar com despejos forçados e para regular o valor dos alugueis", disse Boulos. Por último, "as manifestações também vieram marcar posição contra a ofensiva da direita", pontuou o líder, nessa exata ordem – mostrando que o apoio à Dilma está condicionado à uma guinada na direção de movimentos sociais como o MTST e sindicais, como a CUT.

Veja mais fotos de hoje feitas pelo R.U.A Foto Coletivo:

Itaquera. Foto por Rodrigo Zaim.

Terminal João Dias. Foto por Jardiel Carvalho.Itaquera. Foto por Rodrigo Zaim.Terminal João Dias. Foto por Felipe Paiva.

Itaquera. Foto por Rodrigo Zaim.

Itaquera. Foto por Rodrigo Zaim.

Terminal João Dias. Foto por Jardiel Carvalho.

Terminal João Dias. Foto por Jardiel Carvalho.

Itaquera. Foto por Rodrigo Zaim.