Economicismo e desejo
Ilustração por Juliana Lucato.Quando o economista-chefe para a América Latina da agência de classificação de risco S&P, Joaquim Cottani, defendeu publicamente a não-intervenção do Banco Central brasileiro no preço dólar em disparada em outubro de 2015 para estimular o desemprego e derrubar a inflação, ele estava sendo mais do que um analista eficiente. Estava sinalizando sua falta de empatia com quem perderia seu sustento e total apego às regras do capital como valor primordial em detrimento das pessoas. É preciso mais do que simples distanciamento para ser o homem mau, o que traz as más notícias, o que influencia a vida e a sorte de bilhões de pessoas jogando seu jogo de números imaginários onde vence quem destruir mais vidas humanas. A sociopatia, ou os traços dela, passa a ser necessária e esperada, pois o homem comum é inseguro, sente pena, teme a deus. No mercado financeiro não há espaço para isso e todos os dias aspirantes a lobos chegam em Wall Street sedentos por sangue.
Always be closing
- Mas eu só perdi a conta porque o compliance não aceitou o documento do cliente! O que queria que eu fizesse, falsificasse o documento?Ele me olhou de forma muito sincera e falou:
- Eu queria que você tivesse ao menos cogitado fazer isso.Eu entendi.Peguei minha caixa com minhas coisas e voltei para o mercado de busca de um novo emprego.Siga a VICE Brasil no Facebook, Twitter e Instagram.