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E a terra já não lhes parece tão distante

Com shows lotados e muito sucesso em 2016, o céu é o limite para o EATNMPTD.

Foto: Cae Oliveira/Divulgação

Para a maioria dos seres humanos, 2016 foi um ano médio bosta. Mas diferente de nós, reles mortais, para os paulistanos do E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, esse ano foi recheado de conquistas e resultados positivos. Além de rodar por uma pá de estado desse Brasilzão e lançar o último álbum Medo de Morrer | Medo de Tentar em vinil, eles participaram da Virada Cultural e do Circuito Municipal de Cultura em São Paulo, grandes eventos culturais da cidade.

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Como se nada disso bastasse, os caras ainda tiveram a pachorra de esgotar os ingressos de sua apresentação no Prata da Casa, o já tradicional evento organizado pelo Sesc Pompeia, que tem como intuito de apresentar novas bandas a um grande público interessado. Eles ainda fizeram um belo registro audiovisual deste triunfo, que você pode ver abaixo:

Para eles, tudo é fruto de perseverança e muito trabalho, nada de hype. Inspirados pelo feedback do público e pela troca de energias com outros artistas, a banda segue o caminho dos tijolos dourados rumo ao sol. E mesmo com o placar estourando de pontos, o jogo segue: "Ainda somos uma banda independente por definição, como o CPM 22 ou a Fresno. Ainda temos outros trabalhos e ainda organizamos nossos próprios corres. Mas nem por isso tratamos a música como hobby."

O fato é que as glórias colhidas no ano de 2016 proporcionaram muito mais autonomia para a banda, e agora o jeito é levar os louros da vitória rumo a mais um ano. No próximo sábado (17), eles comemoram o último show da temporada no Breve, coincidentemente na mesma rua do histórico Sesc Pompeia. Eles disseram inclusive que no show apresentarão uma música nova e vai rolar ainda uma participação da Nicole Patrício, a Alambradas.

Para ficar a par dos pensamentos e das expectativas do E A Terra… para o próximo ano, lhes enviamos umas perguntas por email, cujas respostas você acompanha abaixo:

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Noisey: Entre outras conquistas, vocês conseguiram esgotar os ingressos do Prata da Casa, tradicional evento gratuito do Sesc Pompeia. Isto foi surpreendente pra vocês? Como encararam esta apresentação?
EATNMPTD: O SESC Pompeia lotado com certeza tem um lugar especial nas nossas vidas. Muito pela surpresa de subir no palco e ver tanta gente disposta a sair numa terça feira a noite pra nos ver tocar. E, mais ainda, ver ali o tanto de amizades que fizemos nos últimos anos por causa da banda lotando o Pompeu e Pompeia (bar perto do SESC) junto de amigas e amigos de longa data, é algo pra se emocionar mesmo. Foi uma noite muito especial.

Tamanho sucesso era um objetivo da banda?  
Em nenhum momento a gente faz as coisas pensando nos resultados práticos. A gente trabalha pra que as músicas e os shows sejam algo sincero com o que sentimos e queremos fazer, mas nunca mirando algo como números ou algo do tipo. Claro que existe planejamento, vontade de tocar em certos lugares e afins, mas sem fazer as coisas com coração e sinceridade nada disso vale.

Pra vocês, qual o grau de responsa de carregar um hype tão grande?
A gente não vê hype nenhum. A vontade e suor que tocamos no dia do Pompeia é a mesma que tivemos num show em Anápolis pra dez pessoas esse ano, por exemplo. A responsabilidade que existe é saber que, depois de lançar as músicas, elas já não pertencem mais a nós. E que, se essas músicas afetam a vida de alguém o suficiente pra essa pessoa ouví-las no seu cotidiano e vir a algum show nosso, temos a responsabilidade de dar algo em troca. Ninguém é melhor que ninguém por tocar um instrumento ou coisa do tipo, sabe? Acho que a única responsabilidade é manter essas relações humanas que tiramos com a banda o mais humanas e produtivas possível. Todo mundo aprende com todo mundo.

O alcance e a visibilidade que vocês alcançaram neste ano lhes deram mais autonomia?
Autonomia com as nossas escolhas é algo que sempre tivemos e vamos manter. A nossa realidade é igual a da maioria das outras bandas seja marcando a maioria dos próprios shows, enviando as próprias camisetas e discos pelos correios, organizando as próprias viagens e etc. Autonomia é a realidade e o que faz as bandas se movimentarem. Se deixarmos de ter o controle do que fazemos os motivos pelos quais tocamos essas músicas deixam de fazer sentido.

Vocês acreditam que bandas com mais público devem cooperar com bandas menores? Como essa cooperação pode acontecer?
A definição de banda "maior" ou banda "menor" é algo que talvez funcione pro jornalismo ter história pra contar. Mas nós não podemos pensar dessa forma. É meio nocivo até.

Todas as bandas precisam se ajudar e é isso que tem feito cada dia mais crescer a pluralidade de discos e shows incríveis no meio independente. As pessoas estão olhando pro lado e se ajudando. Um show marcado em outra cidade, um chão pra dormir e um prato de comida: são incontáveis as vezes que as pessoas já fizeram isso por nós e significaram o mundo quando estávamos longe de casa. E, da mesma forma, nossas casas estão abertas em São Paulo. Estamos sempre trocando contatos de um lugar massa para estampar camisetas, uma casa de shows nova que abriu, um festival que vai rolar daqui uns meses, etc. Compartilhar é uma forma de crescer em conjunto. É isso que move tudo, sabe?