
≠ Three Cornered World
Granma Music / P-Vine
2014
Não é de admirar que o hip-hop seja uma linguagem tão altamente compatível com estes tempos de informação abundante: de todos os géneros, aquele que junta as rimas e as batidas sempre foi o mais capaz de, em quatro ou cinco minutos, compactar um número elevado de referências. Aquele hip-hop que soa a alucinantebrainstorm de ideias exige, normalmente, um raciocínio rápido capaz de acompanhar tudo o que está a acontecer, porque tantas vezes há mesmo muito a acontecer.
Chegados a “Jitensha Punk”, a 4.ª faixa do segundo longa-duração dos Triune Gods, a sensação é a de que acabámos de enterrar o garfo numa salada de polvo, com tantos tentáculos frescos como outros revitalizados: Bleubird e Sibbit atacam um beat duro de roer, como se 2014 tivesse a fibra hardcore de 1992 (ano de
Check Your Head
, dos Beastie Boys, e de
Guerillas in tha Mist
, a vigorosa estreia de Da Lench Mob). No meio de tudo isto, há ainda tempo para lançar uns
shout-outs
a Pharcyde e Black Flag, e “Jitensha Punk” não termina sem antes sacar um sample de “Def Wish II”, impressionante ataque dos Comptons Most Wanted a DJ Quik, que é fatal na mistura.
Uma vez mais os Triune Gods conquistavam-nos por via de uma faixa mais chamativa (“Jitensha Punk”), quando o mesmo já havia acontecido com “The Voyage” no álbum anterior
Seven Days Six Nights
. Sem serem propriamente inferiores, as restantes peças de
≠ Three Cornered World
envolvem muitas vezes quantidades de excentricidade e futurismo bizarro (olá, Anticon) que chegam a ser cansativas. Contudo
≠ Three Cornered World
aguenta-se firme do lado positivo do eixo e termina com uma “3 3 3” que comprova que os Triune Gods deviam sempre fazê-lo à boa maneira hardcore de 1992.