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Sexo

Se calhar devia parar de enviar fotos porcas aos meus namorados

Pensando melhor: que se foda.
21.8.13

Este artigo foi originalmente publicado na VICE USA.

De certeza que, algures no Mundo, algures na posse de alguma pessoa, existem por aí selfies minhas mais ou menos reveladoras. Já para não falar das mensagens de texto de índole sexual enviadas, capazes de fazer corar e envergonhar a minha mãe por ter criado uma mente tão porca. Um dia destes, esse material pode vir a público, mas não sou a única pessoa no Planeta a correr esse risco - assim é o século XXI: cada um tem o seu rasto de mensagens e de fotos de relações passadas.

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Ouviram falar do Weinergate 2.0? Esse caso fez-me pensar que, no futuro, as pessoas que agora trocam mails e imagens picantes podem vir a estar (ou a querer estar) em posições importantes, em posições de poder (e não, aqui não há nenhum trocadilho sexual). Talvez eu ainda venha a ganhar vários Grammys ou o prémio de melhor beijo nos MTV Movie Awards. E se isso acontecer e eu tiver de enfrentar um escândalo destes? Passarei de “Kat George, vencedora de vários prémios” a “Kat George, rameira de pernas abertas”? Seja como for, aceitarei esse destino de boa vontade. Para começar, terei cumprido o meu sonho de ser uma pessoa multi-premiada. Depois, porque um rasto de indecência em formato jpeg, mesmo na posse de terceiros, também não é assim tão grave.


Vê: "A indústria do amor na era dos smartphones"


A troca de mensagens e imagens malandras é parte integrante da psique cultural desta geração, é um método de interacção social como outro qualquer. Se, daqui a muitos anos, esse meu material íntimo se tornar público, provavelmente encolherei os ombros, recordando com saudade uma altura da vida em que podia perder meia hora do dia a enfeitar as mamas para uma foto para um namorado. Não me importo com a hipótese de as pessoas da minha idade me conhecerem dessa forma, mas assusta-me que os meus pais, avós, irmãos e restante família o façam - por mais contraditório que isso soe.

Dei uma de Nick Hornby e entrei em contacto com três ex-namorados para lhes fazer algumas perguntas sobre o assunto: Matt, um tipo com quem passei cerca de dois meses e com quem me dou bem, T.Kid, uma espécie de amigo colorido do trabalho e o Will, um amigo que se tornou namorado que se tornou amigo.

PRIMEIRO EX-NAMORADO

VICE: Pois, mandei-te umas fotos porcas. Ainda as tens?

Matt: Não tenho a certeza. Não estão no meu telemóvel, mas é possível que haja um backup no iPhoto. Já não tenho esse computador, mas descansa que limpei tudo antes. Acho que sou capaz de ter isso no Time Capsule, mas nunca as mostrei a ninguém.

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São muito explícitas?

Do que me lembro, acho que eram umas fotos tuas de roupa interior, talvez sem sutiã numa ou noutra. Nada de muito porco.

Voltaste a vê-las?

Não me lembro, mas diria que sim.

Quando eu for super famosa vais vendê-las à imprensa?

Claro que não. Isso seria muito baixo. Só se me desses autorização e depois podíamos dividir o dinheiro entre os dois. Mas, o mais provável era mostrá-las a uns amigos, numa de “já comi esta celebridade”.

SEGUNDO EX-NAMORADO

VICE: Acho que temos umas mensagens e Gchats porcos. Ainda tens isso guardado?

T.Kid: Não fui ver, mas sim, isso deve estar guardado no meu histórico do Gchat/iPhone.

Não as apagaste?

Não as apaguei, não. Cheguei a mandar-te fotos ousadas?

Não, nada de fotos. Qual é a cena, Kat?

E as mensagens, eram muito porcalhonas?

Algumas são só “olá, vamos foder”. Há outras mais descritivas. Acho que éramos mais porcos no Gchat, antes de irmos para a cama. Na altura, estavas com outra pessoa e sei que falámos disso explicitamente. Os sexts ficaram mais normais depois de termos dormido juntos. Costumas ler essas mensagens?

Não, só quando preciso de motivos para discutir contigo.

Se amanhã eu virasse uma super vedeta, venderias essas mensagens à imprensa?

Sim.

Qual seria o teu preço? Provavelmente conseguirias fazer um dinheiro fixe.

Para me prostituir, 50 dólares. Se estiveres a falar das tuas mensagens, 10 mil dólares por letra.

TERCEIRO EX-NAMORADO

VICE: Ainda tens aquela foto marota que te mandei?

Will: Este e-mail fez-me pensar nas coisas. Tipo, pensar pensar. Pensar mesmo. “Porque é que tenho estas fotos de miúdas semi-despidas com quem já namorei? Qual é a cena?”. Guardo esse tipo de coisas numa pasta esquecida do computador. Serão tesouros? Provas da minha virilidade?

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Ou seja, nunca apagaste a minha foto do teu telemóvel.

Não gosto que as pessoas se armem com as suas conquistas amorosas, que as relações sejam cabeças na parede, prémios amorosos. Atestados de masculinidade. Talvez já o tenha feito, claro, mas fico desconfortável quando se usam este tipo de fotos como troféu. Não sei porque não apaguei a tua foto. Talvez por ser a foto de uma miúda gira com pouca roupa. Talvez eu próprio seja vítima das ideias que critico sobre conquistas masculinas. Quão má é essa minha foto?

É bastante inócua. Estás a usar as partes de cima e de baixo da roupa interior feminina (acabei de a ir ver), ainda que o sutiã seja meio transparente. Dá para ver os teus mamilos. E estás a fazer uma cara sexy. É estranho estar a dissecar a tua foto desta maneira enquanto ouço punk… Tirando agora, já tinhas voltado a essa foto?

Sim, naquelas noites em que chegava a casa com os copos e me punha a ver estas coisas. Acabava por ver a tua foto também. És uma das três mulheres que já me mandou uma foto deste tipo. A minha namorada é outra. A terceira não interessa. Não vejo a minha colecção para ficar excitado, é mais uma viagem antropológica, se é que isso faz sentido. Se me tornasse numa celebridade, achas que poderias vender essa imagem para lucrar algum?

Não. Isso seria mesmo merdoso da minha parte. Toda a gente tem um preço, não?

Já te disse, isso seria mesmo baixo. Só de pensar nisso fico maldisposto.


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