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música

Fui ao Sudoeste ver os Orelha Negra

Tenho orgulho no hip-hop português.

Por Mónica Lafayette
19 Agosto 2013, 4:00pm



Para mim, o melhor concerto do Sudoeste foi, sem dúvida, o dos Orelha Negra. E não, não foi por eles serem portugueses. Não foi sequer por ter os melhores nomes no menu, mas sim por tudo o que sinto quando oiço o disco e, sobretudo, quando os vejo ao vivo (melhor ainda).

Sou do tempo em que o hip-hop português era underground. Lembro-me de seguir atentamente o Chullage com o DJ Sas só para ter uma oportunidade de não me esquecer daquilo que era o beat verdadeiro. Agora sou do tempo em que ir ver Orelha Negra significa dar de caras com um concerto esgotado. Ouvir a “Sempre Tu” com uma orquestra ao vivo, como aconteceu na Zambujeira — com direito a snap back e tudo —, e poder presenciar o PacMan (Da Weasel para sempre) no mesmo palco não é só um sinal do amor pelo hiphop em português, é bem maior do que isso: é poder ver o respeito e a admiração entre colegas.





Não entendo muito de acordes musicais, mas vibrei com os gritos dos fãs que sabiam as letras de cor e com a emoção do Sam, que fez um encore em DJset com a orquestra a acompanhar. E esta história ainda conseguiu ficar melhor. O Regula entrou em palco para o featuring do hino do Verão, a mais bonita versão da realidade nua e crua do estado civil mais verdadeiro para quem não vive na hipocrisia. Estou a falar, claro, da "Solteiro". Por tudo isto, e se não te chega, ouve bem a “Queen of Hearts”.

Tenho orgulho no hip-hop português.




Fotografia por Carolina Castro