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A questão é: isto tanto pode servir como maneira de uma pessoa fechar qualquer coisa que ficou em aberto com a morte de alguém, como pode ser apenas uma maneira pouco saudável, ainda que bem intencionada, de prolongar o processo de luto. Usa um destes serviços e corres o risco de passar por maluquinho tecnológico; critica a existência deste tipo de coisas e pode ser que alguém te chame de ludita.O próprio Facebook tem um conjunto de normas para estas situações. Quando um utilizador é dado como falecido, o site impede que volte a haver log-ins com a conta respectiva, retira o perfil dos resultados de pesquisa e permite que a família desligue a ficha, por assim dizer, da conta em si, apagando-a por completo. Isto é simples qb, mas é mais complicado decidir quem é que é legalmente responsável. Recentemente, no Nebraska, um viúvo acertou na password da conta de Facebook da falecida mulher e espalhou a confusão. Há homens assim, cheios de classe.Conheço duas pessoas que morreram, mas cujos perfis no Facebook se mantiveram numa espécie de purgatório online. É compreensível, mas estranho. Também é um fenómeno bastante recente, ainda não sabemos bem como lidar com isto. Por um lado, o Facebook permite que uma pessoa saiba que um familiar ou amigo faleceu, por outro, as redes sociais servem sobretudo para partilhar vídeos engraçados e fotos que humilhem os amigos. Será este mesmo serviço uma maneira legítima (e apropriada) de fazer o luto?É difícil dizer. As redes sociais a título póstumo são um assunto confuso e recente, uma forma de criogenia virtual que me confunde mais do que me elucida. Não sou ninguém para dizer o que é ou não sagrado. Certezas, só uma: a internet quer acabar com o peso das palavras finais.