Meu Primeiro Clube: Matador

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Meu Primeiro Clube: Matador

Um dos headliners do lado eletrônico do Rock In Rio, o produtor irlandês conta como se envolveu com a música.

A primeira vez que pisei num clube foi quando comecei a trabalhar como recolhedor de copos. Tinha 14 anos e, até ali, as minhas únicas experiências numa pista tinham sido em festas de escola e casamentos. O clube era num hotel – pista quadrada, espaços para sentar mais elevados e acarpetados ao redor e um bar de cada lado do salão, bem nos padrões dos clubes ao redor do país. Sempre cheirava a cerveja velha, e os seus pés colavam no chão quando você andava lá dentro. Mas eu adorava a atmosfera, o som e o público. Passava a maior parte do tempo empilhando copos e levando os vazios de volta para a cozinha, mas estava sempre colado na cabine do DJ, esperando para ver se ele queria que levassem um drinque para ele. Eu fiquei muito impressionado com o que ele fazia, e acho que foi aí que a música me pegou.

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As 10 maiores influências techno do Matador

Nos anos seguintes, a medida em que comecei a sair mais, pude frequentar os clubes como cliente, e a música na Irlanda era fortemente influenciada pela cena dance da Inglaterra. Ouvíamos faixas como "Café del Mar – Energy 52" nos clubes e as comprávamos assim que conseguíamos juntar dinheiro. Foi aí que começou a minha coleção de discos. Rola uma nostalgia quando os pego para escutar em casa de vez em quando.

Mas nada disso tinha me preparado para a cena musical e de clubes que conheci quando me mudei para Dublin. Era uma nova dimensão. Quando era estudante, sempre íamos ao lendário Redbox, construído ao redor de uma estação de trem desativada no coração da Dublin georgiana. Não consigo me lembrar qual era o sistema de som que eles usavam naquela época, mas era revolucionário! Tinha residentes como Al Gibbs, Billy Scurry e Francois e, aos domingos, tinha o Bubbles no Pod – um túnel de pedra muito escuro e baixo que guardava os trens. Este lugar tinha uma energia incrível, era uma sauna. Uma mistura doida e vibrante de estudantes e jovens profissionais que só queriam desopilar.

Obviamente, as noites de sábado eram as que mais esperávamos. Não faltavam atrações internacionais – Dave Clarke, Jeff Mills, Darren Emerson, Richie Hawtin – a cena de Dublin estava em efervescência. E apesar de os lugares fecharem cedo – você só tinha três horas no clube, isso porque as casas fecham às 2h30 – as festas bombavam e os clientes se amontoavam lá dentro o máximo que podiam. A pista principal era, como o nome sugere, uma caixa, com uma cabine no canto de um mezanino. Ao longo dos anos, a gerência adaptou o espaço, e eventualmente mudou a cabine para o centro do palco, para passar aquela sensação de "big room". Sempre foi escuro, mal iluminado, mas isso só contribuía para a vibe. Foi nesse clube, onde toquei algumas vezes, que abri para o Richard Hawtin e a minha carreira musical começou de verdade. Infelizmente, o clube fechou, mas o meu estúdio fica a uns 450 metros dali, então passo por ele todos os dias – a nostalgia é uma coisa maravilhosa.

A primeira vez que pisei num clube foi quando comecei a trabalhar como recolhedor de copos. Tinha 14 anos e, até ali, as minhas únicas experiências numa pista tinham sido em festas de escola e casamentos. O clube era num hotel – pista quadrada, espaços para sentar mais elevados e acarpetados ao redor e um bar de cada lado do salão, bem nos padrões dos clubes ao redor do país. Sempre cheirava a cerveja velha, e os seus pés colavam no chão quando você andava lá dentro. Mas eu adorava a atmosfera, o som e o público. Passava a maior parte do tempo empilhando copos e levando os vazios de volta para a cozinha, mas estava sempre colado na cabine do DJ, esperando para ver se ele queria que levassem um drinque para ele. Eu fiquei muito impressionado com o que ele fazia, e acho que foi aí que a música me pegou.

As 10 maiores influências techno do Matador

Nos anos seguintes, a medida em que comecei a sair mais, pude frequentar os clubes como cliente, e a música na Irlanda era fortemente influenciada pela cena dance da Inglaterra. Ouvíamos faixas como "Café del Mar – Energy 52" nos clubes e as comprávamos assim que conseguíamos juntar dinheiro. Foi aí que começou a minha coleção de discos. Rola uma nostalgia quando os pego para escutar em casa de vez em quando.

Mas nada disso tinha me preparado para a cena musical e de clubes que conheci quando me mudei para Dublin. Era uma nova dimensão. Quando era estudante, sempre íamos ao lendário Redbox, construído ao redor de uma estação de trem desativada no coração da Dublin georgiana. Não consigo me lembrar qual era o sistema de som que eles usavam naquela época, mas era revolucionário! Tinha residentes como Al Gibbs, Billy Scurry e Francois e, aos domingos, tinha o Bubbles no Pod – um túnel de pedra muito escuro e baixo que guardava os trens. Este lugar tinha uma energia incrível, era uma sauna. Uma mistura doida e vibrante de estudantes e jovens profissionais que só queriam desopilar.

Obviamente, as noites de sábado eram as que mais esperávamos. Não faltavam atrações internacionais – Dave Clarke, Jeff Mills, Darren Emerson, Richie Hawtin – a cena de Dublin estava em efervescência. E apesar de os lugares fecharem cedo – você só tinha três horas no clube, isso porque as casas fecham às 2h30 – as festas bombavam e os clientes se amontoavam lá dentro o máximo que podiam. A pista principal era, como o nome sugere, uma caixa, com uma cabine no canto de um mezanino. Ao longo dos anos, a gerência adaptou o espaço, e eventualmente mudou a cabine para o centro do palco, para passar aquela sensação de "big room". Sempre foi escuro, mal iluminado, mas isso só contribuía para a vibe. Foi nesse clube, onde toquei algumas vezes, que abri para o Richard Hawtin e a minha carreira musical começou de verdade. Infelizmente, o clube fechou, mas o meu estúdio fica a uns 450 metros dali, então passo por ele todos os dias – a nostalgia é uma coisa maravilhosa.

A cena de clubes se deteriorou por um tempo em Dublin, os grandes clubes fecharam e muitas festas passaram a ser controladas por promoters com uma filosofia muito mais comercial. Festas em armazéns e raves ilegais eram seguidamente invadidas pela polícia de forma violenta, o que as tornava simultaneamente mais empolgantes e irritantes. Surgiram pequenos focos de festas underground que eram muito legais. Isso evoluiu, e tem surgido um grande número de clubes e festas, como o Opium Rooms e o District 8. E os talentos locais estão crescendo com isso, o que só pode ser uma coisa boa. Enquanto continuarmos apoiando nossos clubes locais, podemos preservar a cena com a qual tivemos a sorte de crescer.

Os EPs Play With Me!, do Matador, já estão disponíveis no Beatport.

Tradução: Fernanda Botta

A cena de clubes se deteriorou por um tempo em Dublin, os grandes clubes fecharam e muitas festas passaram a ser controladas por promoters com uma filosofia muito mais comercial. Festas em armazéns e raves ilegais eram seguidamente invadidas pela polícia de forma violenta, o que as tornava simultaneamente mais empolgantes e irritantes. Surgiram pequenos focos de festas underground que eram muito legais. Isso evoluiu, e tem surgido um grande número de clubes e festas, como o Opium Rooms e o District 8. E os talentos locais estão crescendo com isso, o que só pode ser uma coisa boa. Enquanto continuarmos apoiando nossos clubes locais, podemos preservar a cena com a qual tivemos a sorte de crescer.

Os EPs Play With Me!, do Matador, já estão disponíveis no Beatport.

Tradução: Fernanda Botta