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O Céu Noturno e A Imponência que Confunde

Devo confessar que estou tendo muitas dificuldades em reorganizar mentalmente as imagens desse vídeo – que projeta as espirais de estrelas em seus lugares corretos, no céu – mas tenho quase certeza de que isso não vem ao caso.

Assim como a Groelândia é distorcida até ficar enorme em mapas com projeção de Mercator, planificar imagens em 360 graus do céu noturno gera esses vórtices estranhos. Mas o resultado é tão lindo que, como já disse, essa confusão causada nem vem ao caso. Assim como quando vejo imagens do sistema solar, fico feliz por saber que essa beleza é real, mesmo sem compreendê-la.

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Parte do apelo do vídeo acima está, sem dúvida, na sua trilha sonora, uma mistura de John Fahey e Nick Drake, criada por Brandon McCoy.  Mas as imagens são o produto da paciência do fotógrafo Vincent Brady.

A estrutura do Brady Quag. Crédito: Vincent Brady. Utilizada com sua permissão.

O vídeo do Brady foi um trabalho de alquimia: cada sessão de fotos durava três horas, durante as quais quatro lentes fisheye eram posicionadas cardinalmente, fotografando com longas exposições de aproximadamente um minuto. As imagens passaram, então, por diversos softwares: as 100 fotos de cada câmera foram para o programa Starstax, onde foram transformadas em quatro diferentes imagens do céu estrelado. Essas imagens foram então coladas no “PTGui Pro”, que as transformou em um grande panorama. 

Segundo o site de Brady, “essa é a parte mais chata, mas é uma parte muito necessária… Eu levo várias horas para fazer isso, pois tenho que consertar a distorção da lente fisheye e alinhar todas as estrelas”. Após isso as imagens são tratadas no Photoshop.

Mandei um e-mail para Brady perguntando quantos quilômetros e meses ele gastou gravando esse vídeo – já que ele parece englobar todo o oeste americano, uma região, digamos assim, um tanto grande.


 
Crédito: Vincent Brady. Utilizada com sua permissão.

Ele me contou que começou a gravar em maio de 2013, mas que o processo de edição ocorreu “durante boa parte de março, abril e maio desse ano”. Parece que essas órbitas elípticas são um saco para se editar.

“A ideia, quando comecei a fotografar, era criar imagens estáticas. Mas eu sempre pensei na possibilidade de fazer um vídeo de time-lapse”, Brady me contou por email:

O processo começa na escolha da locação, passando pelas filmagens noturnas e terminando em várias horas de edição de cada imagem. Eu não tinha muito tempo para trabalhar num vídeo. Mas depois de um ano produzindo esse material eu decidi voltar nessa ideia, já que tinha aprendido muito nesse meio tempo e até feito o meu primeiro vídeo de time-lapse, The Firefly Time-Lapse. Foi uma loucura, eu passava um dia inteiro criando panoramas e editando-os, e no final eu tinha aproximadamente 12 segundos de vídeo. Então sim, eu passei muitas tardes na Red Rock Bakery editando o vídeo, e à noite eu filmava lá por perto.

O vídeo rodopia pela Torre do Diabo (formação rochosa localizada no estado de Wyoming) e termina com um efeito à la Tiny Planet. Há uma justificativa para isso: a fotografia muitas vezes fica presa em apenas emular o que nossos olhos já nos mostram; mas os nossos sentidos não são capazes de recriar olhos abertos por vários e vários minutos.

Tradução: Ananda Pieratti

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