De acordo com a Associação de Pesquisa Ufológica do Reino Unido, o grupo ufológico mais antigo da região, o primeiro relato de avistamento de OVNIs, tal como os definimos atualmente, ocorreu no dia 24 de junho de 1947, às 14h59m. Nesse dia, o piloto Kenneth Arnold avistou uma formação diagonal de nove objetos voadores e brilhantes enquanto sobrevoava o estado de Washington. Segundo ele, eles se moviam “como um disco se move ao ser jogado na superfície da água”. Acredita-se que essa descrição deu origem à famosa expressão “disco voador,” que desde então é usada em livros, séries de TV, filmes, revistas em quadrinho e grupos e ufologia.
Décadas se passaram desde o relato, mas os entusiastas dos OVNIs ainda não gozam de uma boa reputação. Alguns grupos estão tentando mudar isso – eles querem ser levados a sério.
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A API (Aerial Phenomenon Investigations, em inglês) é comandada por seu criador e diretor Antonio Paris, ex-membro da Contra-Inteligência do Exército dos EUA e ex-agente especial do Departamento de Defesa americano. Sua equipe de 13 ufólogos, situados na Flórida, têm tentado acabar com o estigma que cerca os estudos extraterrestres. Ele afirma que ficou frustrado quando descobriu que os grupos de ufologia locais haviam sido infectados por besteiras como “conspirações, pseudo-ciência, projeções astrais e hipnose”, além de mitos de criptozoologia como o Pé Grande e o Mothman. “Percebi que a Ufologia havia virado uma piada!”, disse.
Para silenciar os céticos, Paris busca explorar os fenômenos ufológicos de forma científica e analítica. Ele e seu grupo querem trazer a ufologia para o século 21: mais CSI, menos Arquivo X. Ao contrário de outras organizações ufológicas, seu grupo possui um protocolo de investigação muito rigoroso, que os permite conduzir o que eles chamam de “triagem de casos”: apenas os casos “bons” são investigados.
“O grande público acredita em vida extraterrestre, mas, infelizmente, o termo OVNI virou um sinônimo de alienígenas”, disse Paris. Assim, seu grupo não se preocupa em investigar os relatos típicos do tipo “vi uma luz no céu”. Ele diz que a “pseudo-ciência, charlatanismo, teorias da conspiração, e lendas” são comuns na ufologia atual graças a “Hollywood, a mídia e a grupos de teoria da conspiração”, e que, para seu desgosto, “a primeira coisa que vem àcabeça das pessoas quando mencionamos OVNIs são toucas de papel alumínio”.
Paris quer distância dessa galera. Ele é membro da Academia de Ciência de Washington, formado pelo Instituto de Investigação Privada da Flórida, autor de dois livros:Aerial Phenomena: Reviving Ufology for the 21st Century; eSpace Science: Challenges for the Extraterrestrial Hypothesis of UFO Phenomena; e diretor e produtor do documentário Area 51: A History of this Reclusive Base.

Antonio Paris. Crédito: API
Mas como se investiga um avistamento de OVNI? Ele diz que a maioria das organizações ufólogas investiga qualquer coisa; a API, no entanto, tem regras mais severas. “Para ser digno de uma investigação, um relato enviado à API deve se adequar em quatro dos cinco critérios seguintes”, explicou.
1. O OVNI deve ter sido visto há menos de um ano
2. É necessário mais de uma testemunha
3. O avistamento precisa ter acontecido durante o dia
4. Fotos, vídeos, ou outras evidências são necessárias
5. O avistamento não pode ter acontecido próximo a alguma base militar ou em alguma empresa de segurança terceirizada contratada pelo governo
A equipe liderada por Paris conta com “ex-pilotos da Aeronáutica, engenheiros aeroespaciais da NASA, criadores de propulsores de foguetes, ex-agentes da inteligência militar, professores, fotógrafos profissionais e um psicólogo”. O grupo utiliza uma gama variada de equipamentos, uma equipe de profissionais extremamente experientes e um sistema rígido de regras – tudo para investigar possíveis aparições ufológicas. Paris também deixa um rastro digital por onde anda, postando vídeos, relatórios e estudos de casos na internet.
O grupo já lançou um guia de 50 páginas para investigadores em potencial; o guia os ensina a entrevistar testemunhas, reencenar avistamentos e a conduzir pesquisas sobre padrões climáticos e análises de radar. Esse guia serve como um treinamento para investigadores amadores, com base na “abordagem científica” ufóloga de Paris.

Crédito: API
Existem outros grupos no Reino Unido que, como o API, estão batalhando para trazer um pouco mais de credibilidade à ufologia. O estudo do desconhecido encanta pessoas do mundo inteiro. O BUFOG (Birmingham UFO Group, em inglês) afirma ser um dos grupos de ufologia mais ativos do Reino Unido. O grupo foi criado em 2007, e é liderado desde 2008 por Dave Hodrien, investigador conhecido por sempre usar óculos escuros.
Ao longo dos anos, a BUFOG investigou diversos relatos de avistamento de OVNIs – de luzes estranhas a “objetos voadores em alta velocidade”. Esses relatos são conhecidos na ufologia como “casos de contato”. Hodrien já liderou investigações de outros grupos, que supostamente não possuem o conhecimento científico que ele clama ter. “A mídia espalha informações errôneas sobre a ufologia, que passa a ser vista como algo ridículo pelo público”, afirma Hodrien – fato que, segundo ele, impede que as testemunhas compartilhem suas experiências e dificulta possíveis investigações.
Nota-se que o critério número quatro – compravação fotográfica – é algo muito importante para essas investigações. Mark Bayley, que comanda o Grupo Ufólogo de Southend, no Reino Unido, disse que “o advento dos celulares com câmera e câmeras de vídeo portáteis aumentou muito as evidências fotográficas”. Ele afirma que muitos dos objetos voadores registrados em gravações parecem “estar sob o controle de algum tipo de inteligência”.

Dave Hodrien. Crédito: BUFOG
É difícil comprovar a veracidade desse tipo de evidência física; no API, os subordinados de Paris usam softwares sofisticados de análise forênsica para checar a autenticidade de vídeos e imagens. Eles usam medidores de radiação, de eletromagnetismo e de interferência para investigar os relatos que recebem. É possível assistir alguns dos vídeos que Paris já recebeu aqui.
O maior objetivo do grupo é provar que a ufologia é um ramo sério e muito distante de coisas como o Monstro do Lago Ness, zumbis e unicórnios.
Você pode até não acreditar, mas o autor e jornalista Nick Pope, que liderou o projeto de ufologia do governo britânico no Ministério da Defesa Britânica por 21 anos, afirma que o programa registrou alguns incidentes fantásticos. “Diversos policiais e pilotos já afirmaram ter visto OVNIs”, ele disse. “OVNIs já foram rastreados por radares; há relatos de naves em alta velocidade executando manobras que nem nossas aviações mais avançadas podem executar; vimos fotos e vídeos que impressionaram até mesmo os especialistas em tecnologia do Ministério da Defesa.”
De acordo com Pope, “estamos sozinhos no Universo?” e “estamos sendo visitados por outros seres?” são dois dos “maiores e mais misteriosos questionamentos da humanidade” – e algumas pessoas estão dando o máximo de si para respondê-las.
Tradução: Ananda Pieratti
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