Sexo

Hackers estão postando pornô nos sites do ISIS

Os terroristas estão bastante confusos.

Matéria originalmente publicada na VICE UK.

Ao crescer como um muçulmano, ideias sobre sexualidade geralmente eram reprimidas e proibidas. Ninguém fala realmente sobre sexo ou te ensina sobre isso. Me mandaram não olhar para tela naquela cena do Titanic onde a mão do Leonardo DiCaprio escorrega pela janela embaçada do carro — minha imaginação foi obrigada a preencher as lacunas. Quando assisti pornô pela primeira vez, aquilo ia muito contra a imagem inocente que eu tinha do que seria um romance. Me senti meio enjoado e muito envergonhado, depois um pouco puto que meus pais faziam isso. Aí fiquei mais enjoado ainda.

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Num esforço para derrubar o ISIS, hackers iranianos conhecidos como “Daeshgram” estão explorando a culpa e a ansiedade dos fundamentalistas ao postar pornô em seus canais oficiais de comunicação. Durante o anúncio de que uma central de mídia abriria numa parte da Síria ainda controlada pelo ISIS, o Daeshgram postou uma imagem de uma mulher nua num pornô. Um vídeo de combatente do ISIS assistindo o anúncio foi alterada para parecer que os extremistas estavam assistindo a um filme pornô projetado numa parede.

O golpe acabou plantando sementes de dúvida nos fóruns online. Simpatizantes do ISIS começaram a descartar os sites onde o vídeo circulou com declarações como “os cruzados da mídia dizem que o Amaq [a 'Agência de Notícias' do Estado Islâmico] foi hackeada”. Os anúncios foram eclipsados pelo choque envergonhado da indecência. O fluxo de pornô cortou muito do respeito pelo meio de comunicação mais respeitado deles.

O Daeshgram pretendia confirmar a suspeita de que eles controlavam o site do Amaq, postando um vídeo no site de propaganda do ISIS. Vários grupos do ISIS começaram brigas online, outros removeram membros de grupos secretos onde eles discutiam planos. O pico dos esforços de caos dos hackers veio quando o ISIS disse a seus membros para não confiar mais no Amaq – uma coisa e tanto, considerando que o Amaq é o principal site que o grupo terrorista usa para assumir responsabilidade por seus ataques.

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O Daeshgram é um grupo de seis homens muçulmanos do Iraque que explora a tecnologia moderna para atrapalhar o “califado virtual” e sua popularidade cada vez maior no Oriente Médio. Todos no grupo de estudantes, engenheiros e pesquisadores de segurança virtual, escondem suas atividades de amigos e da família.

No começo do mês, o Fossbytes relatou que o Amaq tinha afirmado antes que seu site era “impossível de hackear”. Um grupo de hackers muçulmanos chamado Di5s3nSioN logo respondeu “desafio aceito”. Horas depois, eles hackearam o Amaq e vazaram e-mails com informações dos assinantes.

De maneira similar, em 2016 um hacker chamado WachulaGhost atacou os perfis do ISIS nas redes sociais e postou pornô gay neles. O hacker disse ter tomado o controle de mais de 250 contas associadas ao ISIS nas redes sociais, substituindo seu conteúdo por mensagens de orgulho gay e pornografia. O WachulaGhost disse a CNNMoney: “Descobrimos uma vulnerabilidade, então pensamos: 'vamos começar a invadir as contas deles… e humilhá-los”.

Quando hackers muçulmanos exploram sensibilidades culturais em atos de guerra psicológica, eles deixam cicatrizes que duram mais que ferimentos físicos. Orgulho e vergonha são as emoções mais importantes na vida social do mundo muçulmano: suicídios e assassinatos muitas vezes acontecem por ideais bastante abstratos como “honra”. Como um adolescente cheio de tesão, eu preferia apanhar 100 vezes do que meus pais e amigos verem meu histórico de buscas na internet — todo mundo, né? Mas na nossa cultura, a culpa psicológica é imperdoável espiritualmente.

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