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Todas as fotos por Eduardo Saraiva
VICE Sports

Jogar basquete na rua é um ato de resistência para as minas

As mulheres têm dificuldade para achar time, quadras e até mesmo tênis, mas elas não desistem do esporte.
21.12.18

Se você está afim de começar a jogar basquete, a primeira coisa a fazer é ir atrás de um pisante. Opções não faltam: quase todas as marcas possuem tênis de basquete, dos Air Jordans da Nike à linha da Under Armour para Stephen Curry, passando por Adidas, Puma, Reebook, And1 e por aí vai. Fácil, né? A não ser que você seja mulher.

É muito, muito difícil achar um tênis para basquete em tamanho inferior a 38. Na loja da NBA da Galeria do Rock, no Centro de São Paulo, não tinha. Em uma das principais franquias de venda de sneakers, que inclusive tem seis lojas na própria galeria, também não. Um vendedor diz que apenas alguns modelos são feitos “para toda a família”, ou seja, de infantil a adulto. Mas não havia nenhum deles no estoque.

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Não é exclusividade brasileira. Nos Estados Unidos, a história de uma garotinha californiana de 9 anos chamada Riley Morrison viralizou recentemente. Ela estava prestes a começar a treinar basquete e pediu ao pai para comprar o tênis de Curry, seu jogador favorito. Eles entraram no site da Under Armour, foram à seção de calçados infantis femininos e não acharam o Curry 5. No entanto, ao checarem a parte de meninos, lá estava o tênis no tamanho dela, com opção para customizar e tudo mais.

E o que a garotinha fez? Escreveu uma carta do próprio punho para o jogador do Golden State Warriors dizendo que tinha ficado desapontada com a situação. A mensagem chegou a Curry, que se comprometeu a conversar com a Under Armour para mudar isso. O camisa 30 também disse que enviaria à menina um par dos tênis que ela queria. E ainda garantiu que Riley seria uma das primeiras a ter o Curry 6, modelo que sequer foi lançado.

Mas os tênis – ou a falta deles – são apenas um pequeno exemplo de como é foda para uma mulher ter o hábito de jogar basquete. Se esse fosse o único empecilho estava fácil: veste um calçado de corrida, se pá uma tornozeleira para uma proteção extra e toca pra quadra. Problema resolvido. Mas há questões mais complicadas: onde jogar? Com quem jogar?

A história das mulheres que batalham para jogar basquete por aí é quase sempre a mesma: a mina descobre o esporte na escola e toma gosto; continua praticando no colégio, às vezes até joga entra num time juvenil. Só que daí para frente já era. Não por vontade delas, mas pela falta de opções.

“Acho que a maior dificuldade é encontrar um ambiente feminino para jogar. Porque quando vamos procurar, encontramos mais meninos e eles não gostam de jogar com meninas, principalmente quando elas são pequenas. O jogo é um pouco violento também, para quem está começando se torna meio hostil”, diz a oficial administrativa Vivian Yoshie, de 29 anos, que conheceu o esporte na escola.

A publicitária Joana Mendes, 32 anos, tem uma história semelhante. Ela curte basquete desde os tempos do colégio, mas não tinha onde jogar. Morou no Rio de Janeiro por um tempo e nada de encontrar uma turma ou local para praticar. Em São Paulo, finalmente achou com um grupo de mulheres na mesma situação.