A skatista Lizzie Armanto fazendo uma manobra
Lizzie Armanto, foto cortesia da Vans.
Entretenimento

Uma lista com minas skatistas que estão dropando 2019 do jeito certo

São elas que estão mudando a misoginia e o machismo que sempre definiram a cultura do skate.
MS
Traduzido por Marina Schnoor
Madalena Maltez
Traduzido por Madalena Maltez
17.1.19

Criar espaço para mulheres – ou skatistas queer, trans e não-binárias também – na cena historicamente dominada por homens do skate nunca foi tarefa fácil. Skatistas lendárias como Elissa Steamer – a primeira skatista profissional – e a mulher queer Vanessa Torres foram algumas das primeiras a abrir caminho para maior inclusão no skateboard. Mas, como o filme Mid90s de Jonah Hill mostrou em seu lançamento em outubro, a misoginia e o machismo casual que definiam a cultura contemporânea do skate continuaram por décadas.

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Mas, em 2019, essa narrativa parece ter mudado.

Com Skate Kitchen chacoalhando o mundo em agosto passado, e minas skatistas ganhando cada vez mais reconhecimento mainstream em todas as plataformas, não é segredo que 2018 foi um ano definidor para as mulheres no skate. A Vans lançou o “Girl Skate India”, uma iniciativa parte da campanha anual “This Is Off The Wall”, que mostra jovens indianas ganhando confiança através do skate. “Skate Like A Girl” – um programa fundado 10 anos atrás para ajudar as meninas a ficarem mais confortáveis em suas rodinhas – ganha cada vez mais impulso, recebendo atenção da imprensa regularmente. E pequenas marcas de skate fundadas por mulheres estão vendo suas melhores skatistas assinarem com marcas como Adidas e Nike – dando passos largos para o reconhecimento internacional.

Essas sete skatistas inspiradoras tiveram conquistas impressionantes em 2018. E, com as Olimpíadas de 2020 no horizonte, elas estão começando 2019 pegando mais embalo que nunca – dentro e fora das pistas.

Lacey Baker

Com apenas 25 anos, a lendária Lacey Baker é uma das skatistas mais conhecidas hoje – e 2018 provou ser outro grande ano pra ela. A primeira mulher abertamente queer a se juntar ao time Nike Skateboarding, Baker também criou o primeiro tênis de skate feminino para a Nike depois de assinar com a marca em 2017. Ano passado, ela produziu uma segunda interação do Nike SB Bruin High – feito com um design que fala diretamente da inclusão LGBTQ na comunidade do skate.

Lizzie Armanto

Nem todo mundo pode desafiar a gravidade. Mas parece que Lizzie Armanto está entre aqueles que podem. No final de agosto, Armanto fez história como a primeira mulher a completar o infame loop 360 vertical de Tony Hawk. Poucos skatistas conseguiram completar o loop, considerado uma das manobras mais perigosas do esporte. Armanto já ganhou duas medalhas no X Games – levando pra casa o ouro do primeiro evento Women's Skateboard Park no X Games de 2013 – e está treinando para participar das Olimpíadas de Tóquio em 2020.

Nora Vasconcellos

Como a primeira mulher a se juntar a skatistas como Mark Gonzales e Daewon Song na famosa equipe de skate da Adidas, Vasconcellos definitivamente é um nome para acompanhar este ano. Em sua carreira, ela sempre foi muito aberta sobre os altos e baixos de sua batalha com a ansiedade e como ela trabalhou para superar seu transtorno do pânico para continuar andando de skate. Mas em julho passado, Vasconcellos assistiu seu sucesso se manifestar em grandes proporções quando recebeu seu tênis assinado Adidas Matchcourt RX – nas cores violeta e branco com bordados florais.

Beatrice Domond

A nativa da Flórida Beatrice Domond cresceu como a única garota andando de skate na sua cidade. Ela apareceu pela primeira vez no filme de 2014 da Supreme Cherry, de William Strobeck, e tem atraído atenção nacional nos últimos anos. Ela é a única garota do time de skate da Supreme, foi finalista no ano passado num curta de 90 segundo para o Uber por Mike Steinkamp, e até tem um trecho próprio no vídeo da Supreme de 2018, Blessed. Seu estilo único e positividade verdadeira renderam a ela patrocinadores como a Vans e Fucking Awesome – com muito mais coisa vindo em 2019.

Leticia Bufoni

Vinda de São Paulo, Brasil, Leticia Bufone, de 25 anos, há tempos é considerada uma das melhores skatistas do mundo. Em 2013, ela se tornou a única mulher a ganhar três medalhas de ouro no X Games do mesmo ano. E em 2015, ela ganhou atenção internacional como a primeira mulher a conquistar uma posição no time Nike Skateboarding. Ano passado, ela entrou na lista da Forbes de “Mulheres Mais Influentes nos Esportes em 2018” – e levou pra casa outra medalha de ouro de street skate feminino no X Games de 2018 na Noruega. Com as Olimpíadas 2020 chegando, Bufoni definitivamente é uma skatista para se ter em mente.

Allysha Le

Apesar de Allysha Le, a skatista de 22 anos patrocinada pela Dickies do sul da Califórnia, ter menos de 1,52 metro, a altura dela não é um indicador do tamanho de suas conquistas em 2018. Viajando pela América do Norte com sua equipe, Le competiu como semifinalista na Vans Park Series do ano passado, a grande turnê por pistas de skate do mundo para mulheres e homens. Le também apareceu no 30º vídeo da Transworld Skateboarding, Duets, a que ela fez alusão no Instagram com um belíssimo nosegrind.

Rachelle Vinberg

Rachelle Vinberg, 20 anos, vem ganhando tração no mundo do skate há anos. Mas, em 2018, ela solidificou sua presença como uma força internacional da cena do skate feminino com seu papel como Camille, a protagonista do filme Skate Kitchen de Crystal Moselle. Vinberg foi descoberta numa pista de skate em Nova York enquanto conversava com Nina Moran, um colega skatista que também está no filme, por seu estilo e personalidade. E essa personalidade genuína – além da habilidade no skate em constante evolução de Vinberg – que a torna tão atraente. Ela não tem medo de ser ela mesma. Nas redes sociais, Vinberg nunca tem vergonha de se mostrar caindo ou errando uma manobra – e ela impressionou o mundo com seu retrato fiel e honesto do que significa ser uma garota no mundo do skate.

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