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Ambiente

Segundo um estudo, os nossos gatos vêem-nos como pais deles

Esta experiência concluiu que os gatos formam laços com os seus donos de maneira parecida à dos bebés e dos cachorros.

Por Jordan Pearson; Traduzido por Madalena Maltez
22 Outubro 2019, 6:06pm

Imagem: Getty.

Este é um comentário frequente no meu apartamento e tenho a certeza de que também o é em muitas outras casas com animais de estimação: quando um dos nossos gatos faz alguma coisa especialmente querida, um dos meus colegas de casa, ou até mesmo eu, diz em voz alta: “Será que eles pensam que somos pais deles?”

As barreiras da comunicação entre espécies tornam impossível que os nossos amigos felinos nos respondam a essa questão, por mais que eles nos tentem demonstrar afecto através de turras ou lambidelas. Mas um novo estudo, publicado no mês passado na Current Biology, tem algumas descobertas promissoras. Segundo uma experiência levada a cabo por investigadores da Oregon State University, os gatos demonstraram criar vários tipos laços com os seus donos parecidos aos que os bebés e os cachorros criam.

O que isso significa é que os gatos, apesar de muitas vezes retratados como criaturas inescrutáveis e desinteressadas, são capazes de formar uma relação única e significativa com os seus donos.

Como explica o estudo, os investigadores realizaram um teste de laços de afecto (attachment test) que tem vindo a ser utilizado em primatas e cães, combinado com os critérios de medição de laços usados na literatura científica sobre comportamento infantil humano. Esse teste foi realizado com 70 gatos bebés, que foram colocados numa sala com os seus donos durante dois minutos, depois deixados sozinhos durante dois minutos e a seguir reunidos de volta com os donos. Os investigadores observaram o comportamento dos gatos e catalogaram-no segundo os tipos de laços de afecto usados nos testes comportamentais feitos a bebés e a cachorros: seguro, ambivalente, esquivo ou desorganizado.

O estudo concluiu que mais de 60 por cento dos gatos demonstraram ter um grau de ligação "seguro", o que significa que ficavam perturbados quando os donos abandonavam a sala e mostravam um grau de apego e vontade de exploração quando os donos regressavam. Cerca de 30 por cento foram catalogados como grau "inseguro", o que significa que se mantinham em stress ainda depois de terem sido reunidos com os donos e demonstravam graus excessivos de contacto, desdém ou de uma mistura desigual de ambos. Segundo o estudo, a discrepância entre os graus de afectos "seguro" e " inseguro" foi similar à encontrada na literatura científica sobre comportamento infantil humano.

Estas conclusões mantiveram-se relativamente consistentes no teste de acompanhamento realizado dois meses depois, assim como numa outra repetição da experiência, desta vez feita com 38 gatos adultos, de mais de um ano de idade.

O documento sublinha que a cognição social dos cães recebe muito mais atenção do que a investigação sobre gatos e que podemos estar a subestimar os felinos. Apesar de achar que devemos olhar para estes estudos com um certo grau de cepticismo, eu já disse isto antes e volto a dizê-lo: os gatos são simpáticos e a ciência está, lentamente, a provar isso.


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