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Devasto Prod junta "três gerações de super-heróis" em "O Céu é o Limite"

O produtor conta como foi reunir Emicida, Rincon Sapiência, BK', Rael, Mano Brown e Djonga em um som em homenagem ao povo preto.

No começo de 2018, meses depois de lançar seu álbum de estreia Em Tempos de Hoje, Devasto Prod teve uma ideia ambiciosa: juntar Mano Brown e alguns outros nomes novos e consagrados do rap nacional em uma só faixa. A ideia era fazer um som em homenagem ao povo preto e mostrar que eles poderiam fazer o que quiserem — daí o nome da faixa "O Céu é o Limite", lançada hoje por Devasto com participações de Brown, Rincon Sapiência, Rael, Emicida, BK' e Djonga.

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"Foi a realização de um sonho juntar todos esses artistas que são gênios. São três gerações de super-heróis", fala Devasto ao Noisey sobre o grupo. "Já conheço a rapaziada há muitos anos, então já tem uma sintonia, uma amizade. O entrosamento dos caras é foda, porque o caminho deles é o mesmo. Cada um tem um estilo, um jeito próprio de fazer arte, mas todos lutam contra o racismo e várias paradas."

O som começou a se desenhar durante uma reunião na sede da Boogie Naipe em janeiro em que, depois do aval de Brown, Devasto e o diretor Pedro Gomes (que já dirigiu clipes para Rael e Emicida) começaram a planejar a parceria. Quando todos os rappers toparam e as letras estavam a postos, porém, o grupo teve um problema: Pedro estava fora do Brasil e não poderia dirigir o clipe direto do set. A solução, então, foi que ele se comunicasse via vídeo e dirigisse o vídeo a distância.

O diretor conta que a ideia inicial que teve para o clipe era pra lá de megalomaníaca, mas, na hora de conseguir um patrocínio, o grupo de rappers acabou rejeitando todas as propostas. "Isso aqui é um projeto dos petros, e eles nunca fizeram nada pra nós", conta Pedro. "Pela questão de grana, então, não podíamos ter muita produção. Acabou virando um clipe mais 'rapão' mesmo: o artista rimando pra câmera."

O clipe, gravado num estacionamento, tem um clima de festa: por cima do beat de Devasto e junto ao refrão cantado por Rael, o grupo manda versos bem-humorados e críticos sobre a formação da identidade negra no Brasil e, claro, fazendo um bragadoccio básico. "Os caras não se encontram sempre, então também foi legal para eles estarem juntos. É um projeto muito importante pro rap, e estou muito feliz em nascer parte disso", diz o diretor.

O formato de cypher acabou valorizando a mensagem passada pelos rappers no som, que Pedro também destaca: "Queríamos fortalecer a imagem do negro que não precisa ter limites, nem impostos pela sociedade e nem colocados por ele mesmo. A gente tem possibilidade de conseguir o que a gente quiser."

Essa mensagem é ainda mais importante, complementa Devasto, pelo clipe ter sido lançado em meio ao clima de violência que as eleições presidenciais de 2018 nos proporcionaram. "É um momento delicado e infelizmente polarizado. Eu como afrodescendente que mora no gueto, de origem da quebrada, zona sul de São Paulo, acho importante e correto me posicionar agora."

Assista "O Céu é o Limite" acima.

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