Coreia do Norte diz que teste de míssil balístico foi prenda para os "sacanas americanos"
Imagem via ASSOCIATED PRESS
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Coreia do Norte diz que teste de míssil balístico foi prenda para os "sacanas americanos"

Os EUA e a Coreia do Sul respondem a mais uma provocação norte-coreana e acabam de fazer exercícios militares conjuntos com os seus próprios mísseis.
5.7.17

Este artigo foi originalmente publicado na nossa plataforma VICE News.

Depois de, na terça-feira, 4, a Coreia do Norte ter reivindicado sucesso absoluto no teste de um míssil balístico intercontinental que poderia atingir o Alasca, o líder Kim Jong-un veio publicamente provocar os Estados Unidos, apelidando a acção como um "pacote de ofertas" de 4 de Julho para os "sacanas americanos".

Já hoje, quarta-feira, 5, os EUA e a Coreia do Sul responderam à provocação e dispararam os seus próprios mísseis, avisando Pyongyang de que a única coisa que neste momento está a travar um conflito armado é uma atitude de "auto-moderação".

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"Auto-moderação, que é uma escolha, é tudo o que separa o armistício da guerra", alerta o General Vincent Brooks, comandante das tropas americanas estacionadas em Seoul, referindo-se ao cessar-fogo que, em 1953, suspendeu a Guerra da Coreia, sem nunca, todavia, lhe colocar um ponto final oficial.

Brooks teceu estes comentários depois de os EUA e a Coreia do Sul levarem a cabo um raro exercício conjunto de mísseis ao largo da costa leste sul-coreana. Uma acção que, considera o General, mostra que os dois países "são capazes de alterar as suas escolhas sempre que os seus líderes o ordenem". E acrescenta: "Acreditar no contrário seria um erro muito grave".

Na terça-feira à noite, o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, terá pedido ao presidente Donald Trump para concordar com os testes, enquanto que da parte dos oficiais foi dada a garantia de que os lançamentos destes mísseis foram desenhados para mostrar que podem "levar a cabo um ataque de precisão à liderança inimiga" no caso de guerra.

O secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, também deixou a sua opinião, referindo-se à acção norte-coreana como uma "nova escalada na ameaça" e reiterando que Washington "nunca irá aceitar uma Coreia do Norte com armas nucleares".

A apenas um par de dias da Cimeira do G20, que decorre a 7 de Julho, em Hamburgo, na Alemanha, Tillerson diz ainda que "é necessária uma iniciativa de amplitude global para travar uma ameaça que é também global". Acrescenta ainda que, qualquer país que forneça apoio económico ou militar a Pyongyang, ou que não cumpra a implementação das resoluções do Conselho das Nações Unidas, "está a ajudar e a dar cobertura a um regime perigoso". Os líderes do Japão, Coreia do Sul e EUA têm previstas conversas à margem da Cimeira, para discutirem a ameaça crescente por parte do "reino eremita".

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Na sequência de uma solicitação dos Estados Unidos, do Japão e da Coreia do Sul, o Conselho de Segurança das Nações Unidas realizará uma sessão à porta fechada com todos os seus 15 membros, para discussão da situação na península coreana.

O lançamento do míssil foi louvado por Kim Jong-un como um enorme feito. O líder esteve pessoalmente a supervisionar o teste a que, de acordo com a agência noticiosa do estado norte-coreano chamou de "presente de 4 de Julho para os sacanas americanos". E, ao mesmo tempo que descreveu o míssil como "tão bonito como um rapaz bem-parecido", acrescentou: "De vez em quando temos de enviar-lhes presentes para quebrar a sua monotonia".

Resumindo, de que forma é que este último teste afecta a abordagem dos EUA, no que se refere a lidar com Pyongyang?

  • Especialistas acreditam que, apesar do teste de terça-feira, a Coreia do Norte ainda está a alguns anos de ser capaz de miniaturizar com sucesso uma ogiva nuclear, de forma a poder montá-la num míssil balístico intercontinental (ICBM, na sigla em inglês). Ainda assim, esta tentativa "demonstra uma nova capacidade, sublinhando que, pelo menos, são capazes de atingir com rapidez vários feitos na construção de mísseis de longo alcance fiáveis", disse à NK News Myo-hyun, investigador no Asian Institute for Policy Studies.
  • Ao colocar o Alasca na zona de alcance, a ameaça da Coreia do Norte sofre uma alteração, quer prática, quer simbólica. John Nilsson-Wright, do Think Tank Chatham House, sediado em Londres, acredita que "a fraqueza de Trump assenta no facto de ter jogado as suas cartas de uma forma demasiado ruidosa e demasiado pública". Nilsson-Wright sublinha o falhanço na tentativa de fazer com que a China alterasse significativamente a sua abordagem à Coreia do Norte, bem como a deslocação de um contigente militar norte-americano para a região, que fracassou na sua intenção de intimidar Pyongyang. Como resultado, as opções de Trump são agora limitadas.
  • Apesar da linguagem bombástica utilizada pelo General Brooks, uma intervenção militar é pouco provável e implica um elevado risco, especialmente para os cidadãos da Coreia do Sul e do Japão. Uma solução política envolve muito provavelmente a revisão de sanções, mas, até agora, esse caminho falhou completamente na tentativa de impedir a Coreia do Norte de desenvolver uma arma nuclear capaz de atingir os EUA.

A Coreia do Sul diz que as suas políticas de diálogo com Pyongyang mantêm-se na mesa, mas, se teoricamente os EUA estão agora ao alcance dos mísseis norte-coreanos, a pressão sobre Trump para tomar acções concretas é bastante maior. Várias análises sugerem que é muito provável que continuemos a assistir nas próximas semanas a um escalar de provocações por parte de Kim Jong-un e a Casa Branca terá de encontrar respostas o quanto antes.