Parece que ainda foi ontem que fui à sessão de abertura do Fantasporto, um festival tão clássico como o festival de estacionamento improvisado na baixa nas noites de fim-de-semana. Talvez colorido pelos tempos que correm, o discurso de abertura lançou não só a invectiva habitual contra a macrocefalia como também a sugestão de que a hora de mudar quem manda tinha chegado — mas esse mundo parece ainda não ser mais forte do que o do Fantas porque também este ano foi possível vermos filmes novos, independentes e arriscados no Rivoli.
Haveria espaço para as queixas, como sempre há, mas as falhas do festival são as falhas de sempre, e há uma nostalgia preciosa nisso. Por cada curta-metragem irritante e mal engajada com o filme que acompanha, há uma que nos apanha de surpresa e até acaba por salvar o palato de um filme decepcionante. Por cada filme apenas disponível em DVD, há um com uma limpidez que honra a moldura de baixo-relevo do Rivoli.
Não fiquem a dormir. Hoje mesmo há homenagem a Manoel de Oliveira e projecção de Aniki Bobó, às 19h15. Portanto, se quiserem, ainda estão a tempo de participar nesta festa em família do Fantasporto. E nem precisam de empenhar o anel de rubi, basta que continuem a ler. Temos para oferecer dez bilhetes individuais, por dia e até ao fim da presente edição, para as sessões das 15h, 17h e 19h00. Basta que publiquem uma foto com uma cara assustadora no nosso mural de Facebook (têm mais hipóteses se a cara for a vossa). Primeiro dêem like, depois façam um screenshot do post e enviem a prova para passatempos@vice.pt. Vamos escolher as piores caras, por isso esmerem-se. O Fantas ainda mexe.



