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Eis como Wes Anderson construíu o incrível universo de "Isle of Dogs"

"Tivemos que desenhar cada peça de lixo da Ilha, uma a uma".
5.4.18

Este artigo apareceu originalmente na VICE USA.

O último filme de Wes Anderson, Isle of Dogs, é uma carta de amor ao cinema japonês e o melhor amigo do homem. É também uma grandiosa e ambiciosa produção em animação stop-motion, que necessitou de dar vida a dois mil e 200 bonecos e 250 miniaturas feitas à mão. Um novo vídeo - em estreia exclusiva aqui e que podes ver acima, documenta o gigantesco esforço artístico do design de produção. Um exemplo: a equipa fez 150 modelos de arranha-céus à escala, para criar uma paisagem pitoresca da cidade, que Anderson usou para apenas duas cenas, segundo avança o produtor da obra, Jeremy Dawson.

Há dois maravilhosos mundos divididos entre as centenas de cenários criados para Isle of Dogs. Megasaki City está repleta de arquitectura japonesa fantástica, merecedora de um filme de Hayao Miyazaki, enquanto o terreno baldio de Trash Island faz lembrar os westerns de samurais de Akira Kurosawa. Anderson, claramente, mostra-se a si próprio nos detalhes, como a comunicação tecnológica retro da metrópole urbana e o lixo meticulosamente organizado que é explorado pelos cães principais.

"Partes disto são só papel branco. Outras partes são carros enferrujados. Outras são ecrãs de televisão pretos", sublinha o director de fotografia, Tristan Oliver. Todas as diferentes peças de lixo estão organizadas, num estilo típico de Anderson, como diferentes tipos de peças num kit de construção de brinquedos da Meccano.

Imagem cortesia Fox Searchlight Pictures

O realizador de Fantastic Mr. Fox e Grand Budapest Hotel é conhecido pelo seu marcado estilo cinematográfico e Isles of Dogs já recebeu muito boas críticas pelo mérito artístico que demonstra.

Mas, o filme também já deu azo a alguma controvérsia, tanto pela forma como Anderson trata a cultura japonesa, como pelo elenco maioritariamente branco. O filme também reacendeu uma já antiga teoria da conspiração que aponta para o facto de que Anderson, na realidade, odeia mesmo cães, exacerbado pelo facto de não ter nenhum. Em vez disso, a sua melhor amiga é uma cabra pigmeu.

No entanto, Isle of Dogs leva a animação a um novo e entusiasmante nível e este vídeo de bastidores que mostra como o filme foi feito torna abundantemente claro o quão impressionante Wes Anderson realmente é enquanto artista.


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