Hype atrasado e saudosismo garantiram o sucesso do Lollapalooza 2018
Eddie Vedder no palco Budweiser durante o show do Pearl Jam, no sábado. Crédito: Divulgação/M. Rossi
Noisey

Hype atrasado e saudosismo garantiram o sucesso do Lollapalooza 2018

Três dias daquela sensação nostálgica de "puts, esse som era tudo na minha vida uns anos atrás."

Sabe quando toca aquele som na rádio que você fecha os olhinhos, coloca a mão no peito e pensa "caralho, eu curtia muito esse som há uns anos." Se você é como eu, a nostalgia induzida pela música é um lance que te toca o coração, mesmo que sem motivo específico — pode ser só porque aquele som lembra uma época remota da sua vida. E essa foi exatamente a sensação que eu tive durante os três dias de Lollapalooza Brasil 2018, que rolou nesse último fim de semana (23, 24 e 25) no Autódromo de Interlagos, em São Paulo.

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Nessa sétima edição, já é possível dizer que o Lollapalooza se garante como festival consolidado no Brasil. Com dois dos três dias esgotados (sábado e domingo), o festival ainda não deixou de atrair a atenção da molecada que ouve um som mais indie (se essa nomenclatura fizer sentido ainda) ao redor do país. Mas não dá pra deixar de achar que o festival estacionou na sonoridade dos seus primeiros anos de existência ao assistir essa última edição.

Os grandes shows ao longo dos três dias — os headliners Pearl Jam, Red Hot Chilli Peppers e The Killers e alguns outros em horários mais cedo, como Lana Del Rey e Imagine Dragons — não eram estreantes no Brasil, e alguns nem mesmo no festival: The Killers e Pearl Jam já tinham dado as caras no Lollapalooza Brasil de 2013, Imagine Dragons no de 2014; Lana e RHCP também já tinham passado pelo país. A única estreia de tamanho considerável foi o The Neighbourhood, que juntou um público imenso no palco principal na tarde de sábado.

E, justamente por esse motivo, não é difícil sacar porque o festival insiste nas mesmas atrações. Nas tentativas de trazer sons e públicos novos para o Lollapalooza em horários de destaque, o tiro do festival acabou saindo pela culatra algumas vezes durante o fim de semana: o show do Chance the Rapper na sexta-feira no palco Budweiser, apesar de energético, concentrou só uma pequena parcela dos fãs que se juntaram para cantar um "Wonderwall" emocionado no show do Liam Gallagher no mesmo horário no domingo. Também na sexta-feira, único dia não esgotado, o headliner do palco Onix LCD Soundsystem não foi páreo pro mar de gente que já se concentrava no palco principal pra assistir o Red Hot Chilli Peppers — cujo show, eu ouvi do taxista na volta pra casa no sábado, desagradou todos os passageiros a quem ele atendeu no dia anterior por tocar "músicas desconhecidas demais", e os espantou pro show do Alok, que fechava o palco eletrônico Perry.

É impossível saber se o jogo seguro do Lollapalooza vem só de suposições que subestimam o ouvido do seu público no assunto ouvir novos artistas. Uma prova do contrário poderia ser, por exemplo, o show do Tropkillaz na tarde de domingo no palco Axe, que agradou o público razoável que enfrentou um sol descomunal pra assistir ao set ao tocar seus trap-funks e chamar participações (Zaac, pra cantar "Vai Malandra", e Luccas Carlos, cantando "Neblina") pra se apresentarem.

O fato, porém, é que enquanto festivais que investiram em sons mais atuais, menos hypados ou hypados mais recentemente à época do festival, como o Planeta Terra, a SWU e o Sónar, desapareceram com poucos anos de existência, o Lollapalooza — de um jeito similar ao Rock in Rio — encontrou a fórmula que lhe cabe para continuar atraindo milhares de pessoas ao redor do Brasil todo ano.

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