Personagens históricas com nomes parvos


Temam: vem aí o pepino.

PEPINO, O BREVE
Gozem à vontade, mas é o pai de Carlos Magno, conquistador e grande rei franco, senhor aí com os seus dois metros de altura e uma voz de castrati (consultar crónicas de Abelardo para o efeito). Era filho de Carlos Martel, o mordomo do palácio que derrota os muçulmanos na Batalha de Poitiers e que, de certa forma, os impede, durante mais uns séculos, de virem decretar a sharia em Shoreditch. Já agora: na Idade Média, ser mordomo do palácio era um cargo importante, semelhante a rei —, mas não com o mesmo nome. Imaginaram o Ambrósio a espetar com umas machadadas em mouros, não foi? Não há muito a dizer sobre Pepino. Foi breve e não foi verde. Desconheço se já conhecia o legume ou se foi ele que inventou o nome. Durante o seu reinado de 17 anos, que em medievalismo não me parece tão breve assim, ainda deu para derrotar Astulfo, um rei lombardo que andava a gamar terras ao Papa e para expulsar os últimos mouros da Gália. Nada mau para um Pepino.


It’s not gay, it’s medieval, biatch.

RAMON BERENGUER II DE BARCELONA, CABEÇA-DE-ESTOPA
Conde de Barcelona, de Girona, de Carcassone, Osona e Rasez entre 1076 e 1082, este Cabeça-de-Estopa não era dado ao poder de síntese. Auto-intitulava-se Conde da Catalunha, evitando, assim, a chatice e a vergonha de assistir a nuestros hermanos a ganhar o Campeonato do Mundo, com Xavi e Puyol a correrem pelo campo com a bandeira de outra nação. Pensem: podiam ter sido eles os campeões do Mundo, a Catalunha. Tu, Ramon, serias o conde medieval de uma nação campeã do mundo. Assim, és só um conde com um cognome ridículo. Pensa nisso, Ramon Berenguer II, o Cabeça-de-Estopa. Agora vem a parte divertida. Estopa é, nem mais nem menos, do que a parte mais grosseira da filaça de cânhamo ou de linho, usada geralmente para serviços de limpeza. Pelos vistos, o rapaz tinha uma cabeleira encrespada à Robert Plant meets Bob Figurante, a mandar pinta pelas Ramblas medievais — que na altura era um pequeno rio que que desaguava no Mediterrâneo —, o que lhe granjeou este fabuloso epíteto.


Estátua de Vamba, junto ao Palácio Real, em Madrid

VAMBA
Apesar de soar a chefe de tribo africana, Vamba foi o último rei visigodo, um reino que se espalhava por Espanha, Portugal e zona Oeste de França. Não teve direito a cognome e não se sabe quando começou a reinar (deve ser por isso que chamam à Idade Média a idade das trevas). Terá nascido onde hoje é Portugal (em Vila Velha do Rodão existe um castelo com o seu nome) e não teve um reinado fácil.

Teve lutas internas da nobreza, rixas entre católicos e arianos (a seita cristã, não o grupo de loirinhos armados em maus com uniformes desenhados pelo Hugo Boss) e ainda batalhas entre os próprios visigodos com os hispano-romanos (tem de haver sempre saudosistas de tempos não vividos, não é?). A Península Ibérica como se vê nesta altura era um batatal de porrada da velha. Teve um final de reinado um bocado bizarro, em 680 dC. Meteu-se com a Igreja, tentando controlar os seus vícios e prazeres, e acabou drogado pelo Arcebispo de Toledo, um tipo chamado Julião II. Pelos vistos, este hipnótico deve ter batido forte, já que Vamba se convenceu de que era um monge, abdicando assim do poder e retirando-se para um mosteiro.

Em seu lugar, surge o nobre usurpador Ervígio que, com a ajuda do já referido Julião, perseguiu os judeus para fora desta península. Como se sabe, as expulsões de judeus causam sempre crises. Olhem para o exemplo dos Descobrimentos: Manuel I expulsou os sefarditas, eles mudaram-se para a Flandres e para a Holanda e a próxima potência militar, comercial e marítima quem foi? — conseguem adivinhar? Assim sendo, foi só uma questão de anos até os mouros subirem por essa Andaluzia acima.

Thank for your puchase!
You have successfully purchased.