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O Estado Islâmico Está Longe de Ser uma Potência Cibernética

Bombar as (falsas) habilidades virtuais do grupo jihadista não faz bem para ninguém.
18.5.15
Crédito: David Shankbone/ Flickr

Na semana passada, hackers que afirmam serem ligados ao grupo extremista Estado Islâmico (EI) divulgaram um vídeo no estilão do Anonymous em que fazem ameaças vagas de "guerra eletrônica" contra a Europa e EUA.

Não há qualquer prova de que o vídeo seja mesmo da agremiação. Também não há evidência de que o grupo conhecido como EI tenha a capacidade de fazer qualquer coisa prejudicial na rede além de invadir contas no Twitter ou sites de mídia aleatórios com seus "ataques cibernéticos".

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Ainda assim, vivenciamos grande hype em torno do poderio digital do EI. No domingo, o The Hill escreveu que o grupo estava se preparando para a "guerra cibernética" e uma "cruzada digital total". O motivo para a matéria foi que um pessoal metido a EI conseguiu 'hackear' os veículos de mídia mais uma vez.

"Eles divulgam um vídeo escroto em que afirmam fazer coisas que não fazem — e não importa o quê ou como, reagimos de modo desproporcional", declarou ao Motherboard Peter W. Singer, escritor e especialista em segurança cibernética.

Vale ressaltar que o EI poderia prejudicar mesmo muita gente ao fazer espionagem online, monitorando e rastreando dissidentes que vivem em território sob seu controle. Isso talvez já tenha acontecido. Em novembro do ano passado, alguém atacou um grupo de mídia cidadã chamado Raqqa Is Being Slaughtered Silenty (RSS) que documenta crimes contra os direitos humanos em Raqqa, a autoproclamada capital do califado do EI.

Até o momento, porém, não houve nenhum caso de terrorismo cibernético real — atacar sistemas computadorizados resultando em violência física, como define o FBI. A real é que esquilos tem causado mais danos à infraestrutura cibernética dos EUA do que terroristas.

Singer criticou bastante o artigo do The Hill; segundo ele, é bom para "algumas ciber-gargalhadas". Piadas à parte, o consultor alerta que bombar as supostas habilidades hacker do EI dá ao grupo atenção que pode ser convertida em poder de recrutamento. Em vez de reagirmos com uma atitude de "manter a calma e seguir em frente", adicionou Singer, nós "despirocamos".

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Segundo o especialista, a repercussão atual encoraja o EI a continuar seus ataques ou ao menos afirmar que os ataques foram feitos por eles.

Robert M. Lee, oficial de guerrilha cibernética da Força Aérea dos EUA, concordou com Singer e comentou o assunto no Twitter.

"Grupos terroristas continuarão a usar a internet para divulgarem sua mensagem e desempenharem atos de hacktivismo, mas nada que cause danos significativos", escreveu. "Causar danos significativos exigem mais que dispositivos ligados à internet. É necessário ter suporte logístico avançado e algum tipo de especialização.

Em outras palavras: mandar bem nas redes, como o EI faz, não quer dizer que você será um bom hacker.

"Descrever o uso hábil das redes sociais como guerra cibernética é como se referir à Miley Cyrus como o Clausewitz da guerra digital", disse Singer.

A verdade, como relatamos antes, é que todos os ataques cibernéticos atribuídos ao EI no passado recente se revelaram como tentativas nada sofisticadas feitas pelo que parecem ser fanboys que nada têm a ver com o grupo. Como dito por Singer, "são simpatizantes ou gente fazendo isso só pela zoeira".

Como explicado por Singer em 2012, "terrorismo cibernético" é algo que recebe hype demais, assim como nosso medo exagerado de tubarões. O próprio comentou que somos "15 mil vezes mais propensos a nos ferirmos ou sermos mortos em um acidente no banheiro" e mesmo assim o Discovery Channel faz a Semana do Tubarão, e não a Semana do Banheiro.