​Desculpem vegetarianos, mas a carne pode ser o motivo da evolução humana
Fotografia via Flickr user Kirk K

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​Desculpem vegetarianos, mas a carne pode ser o motivo da evolução humana

Uma investigação de Harvard afirma que o uso de ferramentas de pedra para cortar carne crua forneceu nutrientes essenciais aos primatas, ajudando-os a desenvolverem-se como espécie.
Phoebe Hurst
London, GB
17.3.16

Este artigo foi originalmente publicado na nossa plataforma Munchies.

Com todas as histórias horríveis de matadouros e alertas de saúde que circulam pela Internet, é natural que penses duas vezes de cada vez que te apetece uma sandes de fiambre. Escapar ao cancro e talvez até ganhar uma consciência mais limpa - só coisas boas.

No entanto, segundo um novo estudo da Universidade de Harvard, comer carne pode ser a razão que levou a que os humanos evoluíssem a partir dos chimpanzés. Engole lá esta com o teu churrasco de tofu, ó vegetariano!

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Publicada no jornal Nature, a investigação de Harvard afirma que o uso de ferramentas de pedra para cortar carne crua forneceu nutrientes essenciais aos primatas, ajudando assim os primeiros homens a desenvolverem-se como a espécie altamente funcional que é hoje - mesmo tendo em conta a existência de Donald Trump.

Enquanto estudos anteriores sugeriam que a invenção do método de cozinhar alimentos permitiu aos humanos ingerirem os nutrientes extras necessários para o desenvolvimento cerebral, este novo estudo argumenta que esse desenvolvimento pode ter acontecido muito antes dos nossos antepassados utilizarem o fogo.

Segundo a investigação de Harvard, há cerca de três milhões de anos atrás, o homem primitivo acrescentou carne à sua dieta baseada em vegetais, usando ferramentas de pedra para a cortar em pedaços comestíveis. Isso poupava cerca de 2,5 milhões de mastigadelas por ano, porque mesmo sendo a carne crua mais difícil de mastigar, isso "exigia menos força de mastigação por calorias do que as plantas, geralmente duras, disponíveis para os primeiros hominídeos".

Em vez de passar o dia inteiro a mastigar vegetais, os primeiros homens cortavam a carne em pedaços mais pequenos e conseguiam energia mais rapidamente.

O co-autor do estudo, Daniel Lieberman, explica: "A maioria dos outros animais, como os répteis, mal mastigam a comida — engolem a comida inteira. A evolução da habilidade dos mamíferos em mastigar o alimento em pedaços mais pequenos deu-lhes a energia extra, porque pedaços menores têm, proporcionalmente, um volume maior de nutrientes, o que permitiu que as enzimas digestivas assimilassem o alimento de maneira mais eficiente".

Para testar a sua teoria, Lieberman e os colegas investigadores alimentaram um grupo de adultos com vegetais que estavam disponíveis para os primeiros homens, além de carne de cabra crua cortada — já que é algo similar ao tipo de aves de caça não domesticadas que os nossos antepassados comiam. Eles mastigavam as amostras e cuspiam, para que os investigadores analisassem quão bem estavam a ser digeridas antes de serem engolidas.

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Os resultados mostraram que, ao alimentar-se a partir de uma dieta com um terço de carne cortada, juntamente com material vegetal, significava que o homem primitivo precisava de mastigar 17% menos e com 26% menos força.

"Passámos de ter focinhos, dentes grandes e músculos maiores de mastigação, para dentes e músculos menores e um rosto sem focinho."

Foi daí que surgiu a conclusão do estudo: "Portanto, supomos que comer carne era muito dependente do processo mecânico que tornou possível a invenção da tecnologia de corte". Precisar de mastigar menos pode ter feito o sistema de mastigação dos humanos evoluir, o que explicaria porque temos dentes mais pequenos — e cérebros maiores — que outros primatas.

Lieberman também disse: "Passámos de ter focinhos, dentes grandes e músculos maiores de mastigação, para dentes e músculos menores e um rosto sem focinho. Essas mudanças, entre outras, permitiram a selecção da fala e outras mudanças na cabeça, como cérebros maiores".

Claro, como vários estudos mostram, comer como um homem das cavernas não é muito bom para o nosso cérebro moderno, por isso é melhor não descartar inteiramente o vegetarianismo.

E, de qualquer maneira, um churrasco ainda é melhor que carne de cabra crua.