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Trocamos uma Ideia com o Cinemático Produtor Francês Agoria, que Toca no Próximo Boiler Room Brasil

Ele se apresenta ao lado do Mau Mau, DJ Magal e VCO Rox na próxima segunda (16) às 21h, e você pode acompanhar o streaming pelo site do Boiler Room.

Quando o produtor francês Agoria não está trabalhando em preciosas baladas house ou viajando para tocar em locais inusitados ao redor do mundo, ele provavelmente está assistindo a um filme ou colaborando com algum diretor para criar a trilha perfeita e transformar tudo o que toca em uma experiência única. Ele já fez isso com o seu projeto audiovisual FORMS, e recentemente têm tocado o 360, em que explora locais inusitados para apresentar seus long sets de ampla pesquisa musical.

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Esta será a sua segunda participação no Boiler Room, agora no Brasil ao lado do DJ Mau Mau e convidados. Para saber o que ele está preparando para sua vinda ao Brasil, trocamos alguns e-mails com ele, onde nos contou o processo de criação de um long set perfeito, sua paixão pelo cinema e projetos futuros.

Ele se apresenta ao lado do Mau Mau, DJ Magal e VCO Rox na próxima segunda (16) às 21h, e você pode acompanhar o streaming pelo site do Boiler Room.

THUMP: Bem, essa não será a sua primeira vez em uma transmissão do Boiler Room. Qual será o seu foco dessa vez, em comparação com o último set? Devemos esperar algo mais direcionado para o techno de Detroit, ou algo mais tranquilo para ouvir de casa?
Agoria: Eu não faço ideia! Tudo vai depender do humor no dia. Às vezes você recebe uma faixa nova de um amigo ou colega e isso pode definir todo o seu set. Sempre fico feliz em tocar diferentes estilos de música eletrônica, e é por isso que gosto de fazer um set que dure uma noite inteira, ou ao menos um long set. Eu sempre saio frustrado quando toco por apenas uma hora, ou uma hora e meia, é muito difícil de ir mais a fundo e fazer algo épico, você precisa de ao menos três ou quatro horas para atingir isso. É por isso que eu nunca julgarei o set de alguém sem tê-lo visto tocar por quatro horas seguidas. Se você passar apenas alguns minutos ouvindo um DJ em um clube ou festival você nunca terá uma ideia concreta sobre ele. Na última vez que toquei no Pbar, em abril, alguns amigos me disseram que nunca imaginaram ver pessoas dançando uma musica africana, ou o oposto, um electro marcante como a colaboração do Butch com o Ricardo Villalobos, que saiu pelo selo alemão Sei As Drum, apenas porque não é o tipo de música que deveria ser tocada no Pbar. Se alguém entrasse no clube no momento em que eu estivesse tocando essas músicas, essa pessoa só pensaria "Que merda o Agoria está fazendo aqui?". Enquanto que se ela tivesse passado cinco horas me ouvindo, aquela faixa teria sido a escolha perfeita praquele momento. Não existem regras, ou talvez a única regra seja a de que um DJ deveria tocar apenas o que ele assume 100%.

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Geralmente quando você vai tocar, você gosta de escolher um padrão musical para cada set? Como por exemplo explorar algumas influências mais groovy uma hora, especialmente quando você sabe exatamente o tipo de público que estará lá, e outra hora selecionar algo mais ambient ou club? Como é esse processo pra você?
No final de semana passado, eu toquei no Nuits Sonores Festival. Eu criei esse festival 13 anos atrás com o Vincent Carry. Meu set foi transmitido e gravado ao vivo para o ArteTV, então eu pensei em preparar um pouco do set enquanto viajava para a França. Mas depois de 15 minutos do meu set, eu não me senti conectado com o público, me senti programado e isso me irritou. Então eu decidi apenas me divertir (o público também), e acabei tocando algo totalmente diferente do que eu tinha planejado inicialmente. Eu gosto de brincar com alguns loops criados no momento, ou tocar três faixas juntas, ou tocar apenas quinze segundos de uma faixa principal, só para provocar, e só tocá-la inteira quase no fim do set. Eu só consigo fazer esse tipo de coisa quando estou com afim e me sinto livre, é difícil para mim preparar algo e ao mesmo tempo me sentir relaxado e animado. A não ser que exista um conceito por trás, como o que eu fiz com o FORMS…

O que você pode nos dizer sobre projetos futuros? Alguma parceria, lançamento, álbum ou turnê a caminho? Recentemente você deu uma entrevista em que falava sobre trilha-sonoras de filmes. Você tem um carinho especial por trilhas?
Sim, você está certo. Eu gosto muito de cinema e trilhas sonoras, obviamente. Eu estou trabalhando em um filme chamado Deepself, dirigido pelo Jan Kounen, mas ainda é um pouco cedo pra dar mais detalhes. Tivemos a honra e a chance de passar pelo tapete vermelho do Festival de Cannes, graças a minha querida empresária que organizou tudo.

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Em relação aos meus projetos, eu vou lançar dois singles até o fim do ano: "Bapteme", pela Life & Death no fim de agosto. E antes do fim do ano, eu vou lançar um single de techno chamado "Helice", pela Hotflush. Eu fico muito feliz em poder lançar diferentes tipos de música em selos variados. Depois eu vou me concentrar no meu álbum, que eu espero finalizar até o fim do ano, também.

Como você compararia os seus primeiros trabalhos com o que você produz agora? Que melhorias aconteceram no seu som desde o lançamento do seu primeiro álbum, em 2003?
É tão difícil ser auto-crítico… Eu prefiro que você me diga isso.

Você pensa em expandir seu trabalho em abordagens mais conceituais, como o que fez na instalação audiovisual FORMS? Eu digo, integrar experiências inovadoras que vão além do discotecagem, convergindo arte, tecnologia, VJing, e filmes experimentais…
Eu me empolgo com todas as formas de arte, de literatura à arte contemporânea. Nossa década nos deu a possibilidade de mixar não apenas música, mas as artes. Acho que dez anos de viagem ao redor do mundo, tocando em festivais e clubes, me forçaram a explorar novos desafios como meu projeto 360. A ideia principal desse projeto é tocar em três ou quatro lugares em um mesmo dia, e achar ao menos dois locais nada usuais. Eu sou filho da cena rave, então estou sempre buscando encontrar territórios virgens para explorar. O primeiro 360, em março, aconteceu no topo da Europa, no l'aiguille du midi, durante a The Black Weekend nos Alpes. Tocamos à 4 mil metros de altura! Eu convidei o Tale of Us para tocar comigo durante o primeiro 360. Foi uma experiência incrível, tocar à essa altitude com muito pouco oxigênio… o público estava incrivelmente receptivo e animado. O próximo 360 deverá acontecer em uma penitenciária… Mais detalhes em breve :)

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