
Foto por Scott Penner. Via Flickr
Este artigo foi originalmente publicado na nossa plataforma MOTHERBOARD.
Prince morreu ontem aos 57 anos.
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Nas últimas horas o Facebook e o Twitter foram inundados de mensagens em memória do artista que foi, indiscutivelmente, o maior talento musical da sua geração. Um talento que, por exemplo, lhe permitiu gravar todos os instrumentos dos seus primeiros discos ele próprio. Mas uma coisa tem estado claramente ausente de todas estas demonstrações públicas de pesar: links para a música que todos os fãs de Prince adoram e celebram.
A campanha de Prince para proteger a sua música contra a pirataria nem sempre foi “bonita”, mas também nunca ninguém o “acusou” de ser demasiadamente simpático. O seu objectivo foi sempre o de manter o controlo das coisas a qualquer custo. “Se não fores dono dos teus masters, o teu patrão vai dominar-te”, disse à Rolling Stone numa entrevista de 1996, altura em que estava em conflito com a sua antiga editora, a Warner Bros. [no inglês original a frase faz ainda mais sentido: “If you don’t own your masters, your master owns you”].
The Guardian descreveu um sentimento semelhante suas declarações de 2010“O que queria dizer era que a Internet estava acabada para quem quisesse ser pago e estava certo em relação a isso. Mostra-me um músico que tenha enriquecido com as vendas digitais. No entanto, a Apple está a safar-se bem, correcto?”, salientou Prince ao The Guardian.
Não é que Prince odiasse a Internet per se. Teve até vários sites ao longo dos anos e, ainda em 2013, lançou um novo apenas para suporte do single “Screwdriver”. Chegou até a lançar um site de subscrição para nova música, chamado NPG Music Club, que esteve activo entre 2001 e 2006. Que diabo, este até lhe valeu um Webby.
Os esforços de Prince para lutar contra aquilo que alguns vêem como a mudança inevitável para o streaming como forma principal de consumo de música no universo digital foi, por vezes, levado a extremos. O agora infame caso que ficou conhecido como “dancing baby copyright case“, ou Lenz vs Universal Music Corp., surgiu depois de a editora de Prince ter processado uma família que carregou no Youtube o vídeo de um bebé a dançar ao som de “Let’s Go Crazy”.
Em 2007, quando a Universal entrou com o processo legal contra a família Lenz, Prince afirmou que pretendia “reclamar a sua arte na Internet” e estava a planear processar o The Pirate Bay e o eBay, entre outros. Chegou mesmo a contratar os serviços da empresa Web Sheriff, especializada em apagar da web conteúdos protegidos por direitos autorais, que fez exactamente isso – centenas de vídeos que continham música de Prince desapareceram da Internet.
perdeuMas a discussão sobre se os serviços de streaming são, de facto, benéficos para os artistas, ou não, ainda continua e não faltam argumentos apaixonados de um e do outro lado da barricada. Nesta luta, no fim da sua vida, Prince saiu claramente vitorioso.
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