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“Covid-69”. O pináculo do cibersexo é agora?

As “quecas” virtuais ganham um renovado vigor com o isolamento. Este texto não é só para solteiros.
21 April 2020, 7:01pm
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“Adoro despir-me e ter orgasmos no 25 de Abril”. (Legenda fictícia da série True Detective com Alexandra Daddario. Cortesia HBO)

A pergunta de um milhão de preservativos. Como viver o sexo em tempos de distanciamento social?

Com a facilidade em aceder a pornografia na rede, estás sempre a um click de saborear aquele vídeo kinky que nem tu sabias que adoravas. Há, por isso, um facto que ninguém pode escamotear quando a masturbação nos chama: a internet é a “loja de doces” onde se encontra todo o tipo de sabores e fetiches carnais. Resistir é difícil, a não ser que percas a cabeça e avances para uma aposta arrojada entre os teus amigos, como se viu em Seinfeld. Achas que consegues não “tocar ao bicho” até ao fim do Estado de Emergência?

Num ano em que o medo assaltou o nosso bem-estar colectivo, que brotaram mais hipocondríacos e a agorafobia ganha novos índices, as escapadelas virtuais tornaram-se o “Ferrari” para quem o “sexo a dois” via webcam é sempre mais prazeroso de que praticar a solo.

Sabendo, por exemplo, que os espaços de divertimento nocturno ou os festivais de música são dos que mais sofrem com as medidas anti-aglomeração, pode 2020 significar o auge do cibersexo?

Numa recente notícia veiculada pelo The Sun, a procura por estímulos virtuais aumentou exponencialmente devido ao novo Coronavírus. A publicação britânica relata mesmo que, em 48 horas, cerca de quatro mil utilizadores abriram conta numa plataforma digital específica para “cybersex”. A tusa por jogos eróticos com os outros a quanto obriga…

Por mais que o mundo mude, o apetite sexual permanecerá intacto. (Cortesia instagram de nolo_sanchesky)

Ao contrário dos namorados que residem em moradas diferentes, quem é casado ou partilha o lar com a parceira parece ter a intimidade facilitada - ainda é melhor se o casal tiver uma relação aberta. Todavia, como fazer se o vínculo estiver nas ruas da amargura (e a libido apática)? E se as desculpas rarearem e qualquer um deles não tiver a oportunidade de ir ao encontro de um eventual romance extra-conjugal?

Ora, a compensação pode ser o sexting ou o envio de nudes. Se o desejo pedir por mais, imagino que haja quem espere pela saída do outro para consumar a “facadinhalive and direct (alguém tem de pôr a máscara e adquirir comida e afins, certo?). É isso ou trancar-se na casa de banho, abrir a câmara para o amante e exercitar “gemidos silenciosos” para não dar bandeira. Especialmente quando há filhos por perto.

Em síntese, entre a vontade de praticar o coito for real e a ajuda marota da tecnologia, o Covid-19 origina “quecas colaterais” e transforma-se em "Covid-69" - se preferires, em " Corona-Cowgirl" ou numa " Quarantine quickie".

E tu? O que utilizas para fantasiar “o amor”? WhatsApp, Skype ou Zoom?

Nota final: Se fores alvo de violência doméstica ou souberes quem o seja, por favor entra em contacto com a APAV (Apoio à Vítima) através do número 116 006. A chamada é gratuita e a linha é acessível nos dias úteis, entre as 9 e as 21h00.


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