
Estás todo relaxado da vida a lavar loiça (lava-se a loiça no espaço?), quando, subitamente, reparas que o planeta está cercado por milhares de naves colossais com um design, digamos, pouco user friendly. Não te armes em herói, esses gajos não vieram em excursão a Fátima. Já limparam uma mão cheia de civilizações nas últimas semanas. É a cena deles. Não questiones, não filosofes. O universo tem destas coisas. Tenta juntar-te a eles, passar informações, ser útil. Claro que passarás a ser um traidor, mas não haverá ninguém na Terra para te julgar. CASO 2: A NAVE BRINCALHONA
Estás tu todo entretido a apertar parafusos num módulo qualquer, quando, pelo canto do olho, reparas que uma nave fofinha te observa. Fazes um gesto amigável, ela reage com uma piruetazinha infantil. Fazes outro gesto mais brincalhão, ela responde com um joguinho de luzes. Que momento poético, a nave parece um cachorrinho patusco com vontade de brincar. Um momento Spielberg de uma beleza extraordinária. Cuidado! Um passo em falso, um gesto mal medido, um espirro exagerado e este “cachorrinho” poderá revelar-se uma desagradável surpresa nuclear. CASO 3: A ESFERA MISTERIOSA
Limpa o vidro do teu capacete, estás a imaginar coisas. CASO 4: A BACTÉRIA
Sentes-te indisposto? Os teus olhos jorram líquido preto? Sentes as veias a pulsar? Sentes que o teu corpo começa a fazer coisas que tu não queres? Estás a ficar azul? Parabéns! És o paciente zero de uma bactéria letal. Não há diplomacia possível. É uma praga intergaláctica, e tu tiveste o azar de estar no sítio errado à hora errada. Tem a decência de te projectar para o espaço em cuecas e torna-te num mártir. CASO 5: A PRESENÇA
Sentes uma presença maléfica no habitáculo já há alguns dias? Será um ataque de ansiedade? Será uma forma de vida misteriosa? Só há uma forma de o saber: morreres. Ataques de ansiedade não matam. E, para terminar, deixo aqui um convite à reflexão sob a forma desta pretensiosa citação. "But who shall dwell in these worlds if they be inhabited?
Are we or they Lords of the World?
And how are all things made for man?" The Anatomy of Melancholy, Kepler