Publicidade
Mariana Leal: Eu gosto de ter uma conversa pessoal com o cliente antes de começar a desenhar. Ouvir suas expectativas, saber um pouco do seu estilo de vida, e todas essas informações que você absorve de um primeiro contato, são coisas que eu valorizo bastante e que me ajudam a fazer um mapa da criação. Depois disso, o caminho fica livre pra mim, e eu consigo desenhar com uma boa margem de aceitação.Rola de as pessoas te procurarem simplesmente interessadas em ter algo com a sua autoria na pele, não importando muito a temática?
A tatuagem realmente se popularizou nos últimos anos, e eu sinto essa diferença nos clientes, que hoje estão muito mais informados. É claro que tem o cliente que chega na loja com váaaarias imagens, mas muitas vezes é alguém que já me conhece pelo meu trabalho no Tatoo Ink ou pelo Instagram e tem o meu estilo como referência, o que é muito legal! Quando isso acontece eu fico muito honrada, mas faço questão de conversar com o cliente para criar algo que seja compatível.
Publicidade
Acho que sou uma exceção aqui! Tenho poucas tatuagens, até por gostar de trabalhos grandes. Minha relação com a tatuagem é de muito respeito, então eu sempre segurei muito o impulso de me tatuar e vou me permitindo ter desenhos novos conforme a minha evolução. Hoje eu tenho três tatuagens e estou muito satisfeita com elas. Sempre busco tatuar com pessoas que admiro para aproveitar ainda mais e aprender com essas oportunidades.
Muitas vezes a ideia mais simples é a mais complexa de ser feita! Lembro de um cliente que trouxe vários elementos de sua vida pessoal e gostaria de transformá-los em desenhos de caneta Bic para o braço. Pegar todas aquelas ideias e organizá-las com poucos traços foi um grande desafio, embora eu tenha curtido muito o resultado. Tatuagens por cima de outras tatuagens também são trabalhos que exigem muito planejamento e são mais elaboradas.Qual foi a ideia de tatuagem que você mais gostou de ter realizado?
Não tenho um trabalho preferido, e acho difícil isso acontecer. É tanta dedicação, tanto empenho e carinho que você coloca na tattoo, que é fica difícil comparar uma com outra. Algumas me cativam pelo cliente, pela história, outras pela realização dentro da técnica. É muito legal ver seu trabalho se modificando e evoluindo a cada tatuagem e espero que seja sempre assim!
Publicidade
Eu recuso trabalhos quando são cópias de outros artistas, e quando não consigo estabelecer um diálogo legal com o cliente. Às vezes, acontece do trabalho não ser a minha especialidade, nesse caso eu indico outro profissional.
Gosto de dizer que tudo é uma inspiração, o que eu ainda acredito. Faço cursos livres de desenho e pintura, e, mesmo não tendo relação direta com o universo da tatuagem, são coisas que ajudam bastante e acabam influenciando no meu traço. Dentro da tattoo as referências são muitas, mas vejo o tradicional como uma excelente fonte de referência.É verdade que cada estúdio de tatuagem tem a sua própria cultura de trabalho? Uns mais comerciais, outros mais conceituais…
Sim, cada estúdio é único! Como eu comecei sem conhecer ninguém no meio, meus primeiros contatos com a tattoo foi em estúdios comerciais. Já trabalhei na zona oeste de São Paulo, no centro e no ABC. Aprendi bastante com essas experiências. Você aprende a ser mais versátil, a apresentar suas ideias, pegar ritmo de trabalho, etc. Depois disso, trabalhei no Zumba 13, na Vila Olímpia, e agora estou no Tattoo Ink da Consolação. Hoje eu atendo com hora marcada e posso focar apenas na minha linha de trabalho, o que facilita muito o meu desenvolvimento.
