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Empresários Terceirizam PM para Vigiar Incêndios em Ônibus em SP

Empresários da Unisul Transportes Coletivos, consórcio da qual faz parte a Viação Cidade Dutra, a MobiBrasil, Tupi, e a VIP cederam aparelhos de telefone e rádio Nextel para o policiamento do 27° Batalhão da Polícia Militar, que atende à região do...
5.2.15
Foto por Felipe Larozza.

Todo mundo que mora em São Paulo sabe dos constantes ataques incendiários aos ônibus na cidade — mesmo que ninguém nunca explique de maneira satisfatória o porquê. Só entre janeiro de 2013 e janeiro de 2015, foram 176 coletivos queimados.

Recentemente uma das maiores empresas do sistema achou um modo de estar mais perto do socorro em caso de ataques. Empresários da Unisul Transportes Coletivos, consórcio da qual faz parte a Viação Cidade Dutra, a MobiBrasil, a Tupi, e a VIP, cederam, em janeiro, aparelhos de telefone e rádio Nextel para o policiamento do 27° Batalhão da Polícia Militar, que atende à região do Grajaú, na Zona Sul.

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Em comunicado interno, assinado pelo major Paulo Cesar Arantes, comandante interino do batalhão, há a informação de que, a partir do dia 23 de janeiro, "todos os CFPs (Comando de Força Patrulha, geralmente tenentes) disporão [sic] de um aparelho Nextel, que estará à disposição do 27°BPM/M, cedido pela empresa Unisul Transportes Coletivos que cobre a área do Btl (Batalhão), haja vista a necessidade de estreitar o contato com os supervisores de serviço em campo para facilitar a comunicação em eventos adversos", diz o primeiro parágrafo da nota.

Um policial militar, que preferiu não ser identificado, disse que a prática configura uma "terceirização" do serviço. "A empresa está passando o serviço para outro fazer". A SPUrbanuss também foi procurada pela VICE, mas não respondeu aos questionamentos. A SSP diz que a Corregedoria irá investigar o caso.

A Unisul Transportes Coletivos, que opera na área 6-Sul, transporta quase 700 mil pessoas por dia e possui quase mil coletivos. De acordo com dados da SPUrbanuss, sindicato patronal da categoria, é o segundo consórcio em número de ônibus queimados na capital. Somente a Viação Cidade Dutra teve 19 carros destruídos por incêndios na Avenida Belmira Marin, no Grajaú. A via, aliás, é a recordista neste tipo de ataque - e ela é justamente patrulhada pelo 27° Batalhão.

Dados enviados pela SPTrans dão conta de 15 ônibus queimados em 2015. Desse número, sete veículos do consórcio Unisul foram incendiados.

A nota da PM ainda diz que cada "oficial deverá se responsabilizar pela custódia do equipamento". Por fim, alerta que o aparelho "deverá estar ligado e somente poderá ser utilizado no contato com os agentes da Unisul".

O ato de queimar ônibus na capital ainda é um mistério, mas, pelo que a reportagem pôde apurar, inclusive com as autoridades do sistema de transporte na capital, os ataques geralmente têm ligação com retaliação a ações policiais.

A VICE procurou a Secretaria de Segurança Pública com a intenção de saber se a prática é legal ou ilegal. Através de uma nota, a SSP informou que o secretário Alexandre de Moraes, há um mês no cargo, "determinou a imediata abertura de investigação pela Corregedoria da Polícia Militar ao tomar conhecimento da cessão dos aparelhos".