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Oito bilionários são mais ricos que metade da população mundial

No Brasil, seis dos maiores bilionários concentram a mesma riqueza que mais de 50% da população.
16 January 2017, 7:35pm

Esta matéria foi originalmente publicada na VICE Canadá.

Você já se viu dividido entre comprar ou não a marca genérica de lasanha congelada do supermercado? Aquela grana extras do logotipo e da caixa mais bonitinha realmente valem a pena? Se sim, você provavelmente vai ficar meio puto de saber que oito dos bilionários do mundo têm tanta riqueza quanto metade da população da Terra inteira, segundo um novo relatório publicado pela Oxfam.

Os dados (que vieram da pesquisa econômica da Credit Suisse sobre distribuição de renda em 2016) mostram que oito bilionários — totalizando um valor líquido de $426 bilhões — têm tanta riqueza quando 3,6 bilhões de pessoas, que estão na metade de baixo da pirâmide da economia mundial. Em 2016, foram preciso 62 dos mais ricos do mundo para chegar ao mesmo resultado.

Um estudo da OXFAM aponta que seis dos maiores bilionários no Brasil concentram a mesma riqueza que mais de 50% da população — um total de mais de 100 milhões de pessoas. Com a divulgação do relatório da Credit Suisse, o grupo no Brasil organiza um abaixo-assinado pedindo ao presidente Michel Temer uma reforma tributária de combate à sonegação fiscal.

Ainda de acordo com a Credit Suisse, os oito bilionários, em ordem de riqueza, são: o fundador da Microsoft Bill Gates ($75 bilhões); o magnata da indústria da moda (aka o dono da Zara) Amancio Ortega ($67 bilhões); o investidor norte-americano Warren Buffett ($60,8 bilhões); o empresário mexicano Carlos Slim ($50 bilhões); o presidente da Amazon Jeff Bezos ($45,2 bilhões); o fundador do Facebook Mark Zuckerberg ($44,6 bilhões); o cofundador da Oracle Larry Ellison ($43,6 bilhões), e o ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg ($40 bilhões).

O relatório apontou que a transferência de riqueza da metade de baixo da pirâmide para alguns poucos é uma relação complicada, e ofereceu poucas explicações para a desigualdade de renda cada vez maior — apontando para uma economia global sob cada vez mais pressão, além de fatores como mudanças climáticas e guerra.

"Diferentemente dos extremamente ricos no topo, que podem ser observados e documentados através de várias listas de mais ricos do mundo, temos menos informações sobre a riqueza daqueles na base da distribuição. Mas sabemos que muitas pessoas experimentando pobreza no mundo estão vendo uma erosão de suas principais fontes de renda — como terras, recursos naturais e casas — como consequência de direitos de propriedade inseguros, grilagem, fragmentação de terra e erosão, mudanças climáticas, despejos urbanos e deslocamento forçado."

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Segundo o relatório, a maioria da metade mais pobre do mundo reside em partes do sudeste do globo, como Índia, África e algumas partes da Ásia. Apenas 1% dessa população mora na América do Norte, mas quase metade de todos os bilionários são do continente.

Os dados também mostram que o penhasco entre os mais pobres e mais ricos do mundo não tem limites: no Canadá, David Thomson e Galen Weston — dois bilionários canadenses que detêm fortunas de $33,1 bilhões — têm tanta riqueza quanto um terço do país inteiro.

No mundo, mulheres formam mais de 60% da mão de obra não remunerada.

Pelo globo, são as mulheres que se dão pior quando se trata de distribuição de riqueza. Em países como Canadá, Nova Zelândia, Reino Unido e Austrália, as mulheres formam mais de 60% da mão de obra não remunerada. As mulheres têm 90% menos chance de ganhar um salário igual ao dos colegas homens, e formam meros de 15 a 20% do alto escalão de renda dos países ocidentais.

Em se tratando delas, a mulher mais rica da Terra ano passado — Liliane Bettencourt, a principal dona da L'Oreal — tinha um valor líquido sólido de $36,1 bilhões.

"No mundo todo, as chances de as mulheres participarem do mercado de trabalho continuam 27% mais baixas que a dos homens", diz o relatório. "Quando entram no mercado de trabalho, as mulheres têm mais chances que os homens de conseguirem trabalhos sem proteção da legislação. Em empregos formais, as mulheres recebem consideravelmente menos que os homens."

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Foto via Wikimedia .

_Tradução: Marina Schnoor _

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