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Milhões de Festa

Estamos em crise e os Glockenwise pagam para ir ao Milhões

A vida de estrela não é fácil.

Por Fábio Costa
09 Julho 2013, 4:30pm

Já toda a gente sabe que o tempo das vacas gordas acabou. Nem é preciso ir mais longe: basta pensar que agora é a Alemanha que nos governa. A vida está difícil, em especial para quem não faz nada, nem

bate punho. Por isso, conto-vos a história da tragédia antecipada dos Glockenwise. : (

Em 2011, no auge da sua carreira (que, por acaso, até estava no início) o quarteto deu, junto à piscina de Barcelos, uma actuação memorável. Tinham um guarda-roupa mágico, andavam a mostrar o Building Waves e tudo parecia perfeito. E, de repente, tudo mudou. Os miúdos, outrora o futuro da cena de Barcelos, este ano nem se qualificaram para a primeira liga (leia-se, Milhões de Festa) porque estiveram a jogar em campeonatos menores (Primavera Sound).

Quando disse ao Nuninho, o vocalista, que ia escrever sobre o facto de, dois anos depois, os Glockenwise terem de pagar para ir ao Milhões, a resposta foi: "Depois entende-te com o Rafa [guitarrista].”


Dá-me essa camisa. Já. 

Pois bem, Rafinha, lembra-te bem desta foto. Os bons tempos que nós os dois tivemos a rebolar no chão de Barcelos. Tu ainda podias estragar roupa à vontade, porque, nessa altura, chovia dinheiro. Este ano tudo muda: tens de poupar uns trocos para lá entrares.


O Kikas é o gajo de rabo de cavalo lá atrás, o stage manager do palco Piscina. Tem um gosto dúbio em vestuário.

Já vocês, Nuninho e Fiúsa… Essa cerveja e camisas: esqueçam. Não têm mais maneira de andar a gastar dinheiro à parva a comprar camisas ao Kikas. Não foi o Leeches que vos safou. Eu ainda tenho aqui a minha, mas estou a pensar renovar o guarda-roupa por lá. Arranjas mais, Kikas?


O Cris, o baterista, é mais adepto do topless.

O Cris é que já estava a ver o filme. Já na altura não andava a gastar o dinheiro à grande e à francesa, mostrando a sua peitaça para o homem de boina do público. Pois, eu desta vez não vou andar a tocar em cima de contentores, mas vou rodar uns discos com amigos no palco Taina, logo no primeiro dia. Glockenwise, vocês nesse podem estar à vontade, porque é de borla. Para os outros, desenrasquem-se. Façam vídeos, t-shirts ou bandeiras que há passatempos para isso.



Mas aquela expressão de 2005, "festão mínimo garantido", ainda está em voga e o Quesadilla (eu, ou melhor, o meu alter-ego) vai andar por lá a chillar à vossa espera. Pode ser que a vida ainda vos volte a sorrir.