O baile de máscaras do BaianaSystem
Antonello Veneri/VICE

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O baile de máscaras do BaianaSystem

Conversamos com o artista visual Filipe Cartaxo sobre como as máscaras caretas, tão populares nos shows do grupo de Salvador, completam a ideia da música do Baiana.

A música do BaianaSystem, uma combinação da guitarra baiana com o grave e pungente balanço do sound system, por si só já teria suprido tudo. Entrelaçada à concepção visual, no entanto, todo o conceito de sua expressividade artística se fecha. Filipe Cartaxo, o esteta e comunicador responsável por isso, é um autêntico integrante da banda. Som e imagem coexistem. Enquanto a rítmica do grupo oferece novas possibilidades à herança musical da Bahia, no campo imagético Filipe faz o mesmo com símbolos da cultura local.

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São muito presentes, por exemplo, as máscaras, inspiradas pelos caretas, tradicionais personagens do Carnaval no Estado. Já a presença das cores azul e branco certamente remontam às pinturas das casas no interior baiano e às comemorações do Dia de Iemanjá. O Filipe está com o BaianaSystem desde a gênese, tanto que o seu trabalho de graduação na faculdade de design foi o partido gráfico da banda, em 2009.

"Entrei nessa quando meu irmão, o guitarrista Roberto Barreto, pensou na possibilidade do diálogo da guitarra baiana com o sound system", reconstitui ele. "Nesse período, eu estava justamente buscando algo que fosse enraizado na cultura popular baiana e seus símbolos e signos. Então começamos a pesquisar essas referências do período do carnaval, lembrado muito pelo seu trio elétrico, um sound system ambulante. Ele começou a produzir músicas com o SekoBass [baixo] e já tinha chamado o Russo Passapusso pra compor e cantar."

Os elementos matriz do visual elaborado pelo artista são justamente as composições gráficas modulares dos bancos empilhados nas festas de largo, como são denominadas as celebrações nas ruas da cidade em datas comemorativas, atingindo o ápice no carnaval — a maior festa de largo. "A guitarra baiana é genuína", defende Cartaxo.

"A ressignificação se faz necessária para se comunicar com o povo. Estamos em movimento sempre. Na busca de trazer de volta algo que já vimos, javiuedejavu, lembrar de signos e cores nos faz absorver também. Penso ser troca", diz. As palavras dele ganham forma num misto de linguagens que passa por TVs antigas sobre mesas de festa de largo, enormes telões e projeções em bancos de madeira de barracas antigas (simulando a característica pintura manual).

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Distribuídas pela banda desde o início das atividades em todos os shows, as máscaras caretas do BaianaSystem não só levam todo esse entendimento de comunicação visual para o meio do público, numa tentativa de tirar a arte do pedestal, como estabelece uma via de mão dupla. "Isso para nós é um elo, a lembrança daquele momento", sintetiza Filipe Cartaxo. "É o poder da transformação."

As imagens abaixo foram feitas pelo Antonello Veneri com a galera de Salvador durante a apresentação do BaianaSystem no último Carnaval. Todo mundo usava as máscaras do Baiana por lá. Confira:

Antonello Veneri/VICE

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