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Tonic

Sexo, drogas e música são a mesma coisa para o teu cérebro

Uma investigação levada a cabo na McGill University, em Montreal, explica a ligação entre três das melhores coisas da vida.

Por Nick Keppler
24 Fevereiro 2017, 8:30am

Este artigo foi originalmente publicado na nossa plataforma Tonic.

Bob Marley sabia o que estava a dizer com aquela coisa de "quando [a música] toca, não sentes dor". Aparentemente, o cérebro processa a música da mesma forma que processa narcóticos analgésicos, segundo avança um novo estudo da McGill University, em Montreal, no Canadá.

O estudo, publicado no jornal Scientific Reports, examinou o prazer sentido pelos participantes na experiência ao ouvirem a sua música favorita. Uma vez depois de tomarem o bloqueador de opióides naltrexona e outra vez depois de tomarem um placebo. Os investigadores usaram a medição de movimentos musculares e auto-relatórios para verificarem o deleite dos pacientes com a música. Por margens estatísticas significativas, os participantes sentiam menos prazer com a música depois de tomarem a naltrexona, uma droga que bloqueia os receptores de opióides do cérebro e é prescrita a viciados em drogas.

"O sistema opióide é um grande ponto de interrogação", diz Daniel Levitin, um dos autores do estudo e escritor do livro This Is Your Brain on Music. "Sabíamos por estudos com animais, que algumas áreas do cérebro afectadas por opióides também eram afectadas por comida e sexo... Não sabíamos muito sobre música, porque os animais não apreciam música".

Levitin revela que a inspiração para o estudo surgiu de uma conversa com Paul Simon. (Sim, ele diz que "conversa regularmente" com Paul Simon.) Investigações anteriores sobre cérebro e música mediam a reacção dos pacientes em relação às músicas escolhidas pelos investigadores. Mas, o que define o que é uma música agradável é altamente subjectivo (o que toda a gente que já viajou de carro com o tio fã de flauta peruana sabe muito bem). Simon sugeriu que se analisasse como uma pessoa reagia à sua música favorita. Levitin viu isso como uma forma de ganhar o "controlo emocional", fazendo os participantes reagirem a músicas que, se escolhidas pelos investigadores, podem não causar reacção nenhuma, dependendo da pessoa.


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Os 17 participantes, como é descrito no estudo, "levaram para o laboratório duas gravações musicais que lhes provocavam sensações intensas, incluindo, mas não apenas, a sensação de arrepio". As selecções incluíam "Lonely Boy", dos Black Keys, "Primavera", de Santana, "Creep", dos Radiohead, "Turn Me On", de David Guetta com participação de Nicki Minaj, "Comfortably Numb", dos Pink Floyd e As Bodas de Fígaro, de Mozart.

Levitin não ficou surpreendido com o facto de algumas escolhas serem meio depressivas. "Muita gente sente prazer com músicas tristes", sublinha. E acrescenta: "Quando ouvimos uma música triste, o cérebro liberta o neuroquímico prolactina, o mesmo conforto químico que uma mãe liberta quando está a dar de mamar ao filho. Encontramos isso na mãe e na criança [durante a amamentação]. Quando te sentes triste, esse químico é libertado para te mostrar que não estás sozinho".

Os pacientes receberam auscultadores e os investigadores mediram os seus movimentos involuntários. Os participantes também controlavam uma escala onde marcavam quanto se sentiam envolvidos com a música de um momento para o outro. A escala ia de 0 a 100 – com o zero provavelmente a representar o que uma pessoa sente a ouvir soft jazz numa churrasqueira e 100 algo como meter uma cassete dos Queen a tocar no rádio do Garthmóvel.

Mesmo não sabendo quando tinham efectivamente tomado a naltrexona, os participantes curtiam muito menos a música quando estavam sob o efeito da droga. O estudo concluiu que "a música usa os mesmos caminhos de recompensa que a comida, as drogas e o prazer sexual". O que pode explicar cientificamente o porquê de sexo, drogas e rock 'n' roll ser uma combinação tão magnífica.


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