Música

Exclusivo! Os Paraguaii e a beleza sombria e angustiante da adolescência

"She Kills Everyone", novo single da banda de Guimarães, chega envolto numa curta-metragem tensa e carregada de "teenage angst".
26.2.18

Em Abril e Maio, os Paraguaii vão andar por Espanha e França a mostrar Dream About The Things You Never Do, álbum de 2017 que agora, em vésperas da digressão europeia e de vários concertos em Portugal, nos oferece mais um single e um vídeo em formato curta-metragem. Depois da folia technicolor de "Ancient Gurl", "She Kills Everyone" atinge-nos em cheio com uma chapada monocromática, mais densa, negra, angustiante, um filtro cinza de uma adolescência de sonhos a desmoronar.

E a curta, realizada por Mário Macedo e Sebastian Søgård, do 73collective, colectivo de arte que abarca diversas formas artísticas como a pintura, fotografia, filme, música, poesia e moda, transporta de forma irrepreensível para uma "realidade" física toda essa "teenage angst" da canção da banda vimarenense. Uma rapariga de 14 anos, frustrações e obsessões, ciúmes, aborrecimento, a adolescência a ser madrasta, o sonho de se tornar bailarina, a melhor bailarina da sua turma, o azar do corpo a dar de si, a necessidade de enfrentar o fracasso e a entrada precoce na idade adulta. Quem nunca?

As dores de crescimento e as expectativas do Mundo que nos rodeia podem ser insuportáveis. Uma prisão de neblina, de chuva miudinha, de que os Paraguaii tentam escapar através de uma música habitualmente solarenga e luminosa, mas que em "She Kills Everyone" acaba por sucumbir ao peso dessas tais expectativas. A vida não pode ser sempre flores e emojis de corações nos olhos. Às vezes é só mesmo isto: um quarto, um espelho, solidão e desespero. Não deixa de ser bela por causa disso.


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