Ministro do TSE afirma ter apanhado da esposa, e não a agredido
Foto anexada no processo do ministro Admar Gonzaga. Foto: reprodução
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Ministro do TSE afirma ter apanhado da esposa, e não a agredido

O olho roxo da mulher teria acontecido porque ela escorregou sobre uma poça de Listerine e bateu na banheira, justificou Admar Gonzaga.
11.10.17

Ela teria escorregado sobre uma poça de Listerine e batido na banheira, afirma Admar Gonzaga, ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sobre o olho roxo de sua esposa. Em junho deste ano, Élida Souza Matos fez um boletim de ocorrência numa delegacia em Brasília dizendo ter sido agredida pelo marido. Em documento protocolado no Superior Tribunal Federal (STF), ele afirma ter recebido unhadas no rosto e apenas se defendido quando a empurrou. Alegou também que Élida estava com uma "grave crise de ciúmes", além de ter "degustado algumas taças de vinho a mais" e recém-descoberto uma doença autoimune, "como agravante para a desestabilidade emocional". O caso tramita no STF, já que Admar tem foro privilegiado por ser ministro.

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Depois do boletim de ocorrência e, apesar de ter feito exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), a vítima voltou atrás. Um despacho emitido em junho pelo ministro Celso Mello, relator do caso, afirma que ela mesma esclareceu não ter mais interesse na concessão das medidas protetivas de urgência, já que o caso se encaixaria na Lei Maria da Penha. No boletim, Élida relatou que vive com o ministro há 11 anos com união estável formalizada em cartório e citou que, há sete meses, uma briga entre eles fez com que ela acionasse a Polícia Militar.

O documento protocolado no STF na última segunda (10), cujos trechos foram publicados n'o Globo, trazem o relato de Admar. "Tal lesão, pelo que me recordo, foi causada pelo tombo que se sucedeu ao escorregão que sofreu sobre o Listerine, e que a levou a bater com o rosto na banheira, mas jamais em face do alegado empurrão em seu rosto."

Foto anexada no processo do ministro Admar Gonzaga. Foto: reprodução

"Quanto ao empurrão, cabe dizer que o movimento não foi empregado como meio deliberado de agressão, mas movimentos em minha própria defesa, com o rosto virado em proteção aos meus olhos, ou seja, sem enxergar a minha esposa, que investia com suas unhas contra meu corpo, o que meu causou muitas feridas e me deixaram marcas permanentes; algumas muito próximas ao meu olho direito, o que poderia ter resultado em algo bem mais grave e permanente, conforme comprovam os impressos fotográficos em anexo", apontou o jurista, que indexou fotos de seu rosto.

Sobre ter jogado Listerine na esposa, ele nega. "Isto também não se ajusta com a realidade, já que o líquido verteu na bancada da pia, quando da confusão, e se o mesmo atingiu o corpo da minha esposa, isto pode ter ocorrido como resultado de sua queda e não por minha iniciativa." A filha de Élida prestou depoimento dizendo que o padastro é bastante ciumento e controlador. No dia, ela não teria presenciado agressões físicas, mas ouviu expressões como "puta", "escrota" e "quero que você saia de casa pra eu te ver na sarjeta" direcionadas à mãe. O ministro nega. "Disse a ela que estava se comportando como uma mulher à toa, mas jamais disse que ela era uma prostituta ou algo semelhante", justificou.

A filha de Élida acusa o padastro também de usar seu cargo de ministro para subjugar a esposa, que é dona de casa, e nunca ter permitido que ela estudasse. Ele também nega, já que afirma ter a ajudado a montar duas lojas de roupa que fecharam por conta da crise e a incentivado a cursar uma faculdade de moda – mas que ela teria resistido por medo de não ser aprovada, por "falta de base nas matérias exigidas, resultado da deficiência de sua educação fundamental no interior da Bahia, em escola pública", pontuou o acusado.

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