O que é que a tua personalidade diz a respeito da tua vida sexual?
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Saúde

O que é que a tua personalidade diz a respeito da tua vida sexual?

Pessoas extrovertidas tendem a pinar mais do que toda a gente.
13 August 2018, 6:00am

Este artigo foi originalmente publicado na nossa plataforma Tonic.

Com que frequência é que fazes sexo? Quão satisfeito estás sexualmente? Já traíste? Cientistas podem muito bem prever as respostas que vais dar a estas e a muitas outras perguntas sobre a tua vida sexual, com base num inventário de personalidades. Mais especificamente, uma boa quantidade de estudos sugerem que as nossas vidas sexuais são modeladas com base em cinco dimensões básicas de personalidade, conhecidas como as Cinco Grandes Características.

Entre estas características temos a abertura a novas experiências, conscienciosidade, extroversão, agradabilidade e neuroticismo. Abaixo, vou explicar o que cada um destes termos significa, assim como a sua relação com comportamentos, atitudes e saúde sexuais, com base nos resultados da meta-análise publicada no Psychological Bulletin, que resume décadas de investigação no sector.

Aberto a novas experiências

Pessoas abertas a coisas novas demonstram uma curiosidade intelectual e disposição para experimentar novidades. Também tendem a ter interesses mais voltados para as artes e uma imaginação activa.

Tendo em conta a tendência destas pessoas para os devaneios, não é de surpreender que quem registe índices maiores nesse sentido relate ter mais fantasias sexuais (e, como descobri ao fazer a minha própria investigação, estas pessoas têm fantasias com quase tudo). Talvez como sinal de maior vontade de experimentação, estes indivíduos relatam ter atitudes sexuais mais liberais e estão mais dispostos a reconhecerem a atracção pelo mesmo sexo (ou seja, têm maior probabilidade de se identificarem como gay ou bissexuais).

A disposição para experimentar coisas novas, provavelmente, ajuda a explicar porque é que são pessoas mais satisfeitas do ponto de vista sexual, com menor probabilidade de desenvolver qualquer disfunção do género.

Consciente

Pessoas conscientes tendem a ser muito disciplinadas e atentas ao detalhe. Preferem que tudo seja planeado previamente, em vez de deixarem as coisas rolarem de maneira espontânea, demonstrando, no geral, atitudes mais convencionais e tradicionais.

Tendo em conta que estes indivíduos tendem a ser conformistas, faz sentido que relatem um comportamento sexual mais conservador. Junte-se isso os elevados índices de auto-disciplina e torna-se claro porque é que estas pessoas têm menor probabilidade de, por exemplo, traírem o parceiro.

Um dado interessante é que pessoas com estas características relatam maior satisfação sexual e têm menos tendência a desenvolverem problemas sexuais, talvez porque a sua atenção aos detalhes entre na alcova de coisas que melhoram o sexo. É possível que estes indivíduos se liguem a detalhes como criar um ambiente, acender umas velas e por aí.

Extrovertido

Pessoas extrovertidas são muito sociáveis: gostam de interagir com o Mundo ao seu redor.

Tendo isso em mente, não surpreende que os extrovertidos tenham uma vida sexual mais activa. Não só relatam maior desejo sexual (e fantasias sexuais mais frequentes) como praticam o acto com mais frequência, o que significa que são os que mais praticam sexo casual. Os extrovertidos também se demonstram satisfeitos sexualmente e com menores índices de disfunções ou problemas sexuais.

Há ainda uma associação (não tão grande) entre extroversão e infidelidade, no sentido de que estes estão mais propensos à infidelidade, o que faz até faz sentido considerando que interagem mais com outras pessoas, podendo assim encontrar mais oportunidades de trair do que os introvertidos.

Agradabilidade

Pessoas agradáveis são aquelas que se preocupam muito com os outros, muitas vezes apresentando-se como indivíduos gentis que querem mesmo é que os outros se sintam bem. Como seria de esperar, estas pessoas têm menor inclinação para agirem de forma sexualmente agressiva e têm índices mais baixos de infidelidade, visto que, afinal de contas, importam-se com os sentimentos dos outros.

Estas pessoas também parecem menos interessadas em sexo – relatam menos desejo, sexo menos frequente e menos sexo casual. O facto de não serem tão activos explica, pelo menos em parte, porque é que o grupo tem menos DSTs (se bem que isso também se pode dever ao facto de que é provável que estes indivíduos tenham mais cuidado na hora de fazer sexo).

Apesar de fazer menos sexo, este grupo apresenta índices maiores de satisfação. Suspeito que isso ocorra por causa da atenção e do cuidado que empregam ao atenderem as necessidades dos seus parceiros, tornando as relações sexuais num jogo em que todos saem a ganhar.

Neuroticismo

Por fim, indivíduos neuróticos tendem a ser emocionalmente instáveis. Não lidam bem com situações de stress e a menor das perturbações pode estragar-lhes o humor.

Como seria de imaginar, o facto de não lidarem bem com stress e o humor piorar com facilidade, não é a melhor das equações para uma vida sexual saudável e feliz. Neuróticos não só relatam menores índices de satisfação sexual, como também maiores dificuldades com o acto – algo que suspeito resultar da sua dificuldade em relaxarem e entrarem no clima.

Um facto interessante é que os neuróticos apresentam índices maiores de DSTs, mas a razão não é muito clara. Será que os neuróticos fazem exames com mais frequência? Ou se metem em práticas mais arriscadas? Será necessário pesquisarmos mais para saber.

Porque é que este estudo é importante?

O que esta investigação nos revela é que os nossos comportamentos, atitude e saúde sexual no geral, actuam - pelo menos em parte - com base nestas Cinco Grandes Características pessoais. Porém, não nos podemos esquecer de que observar os padrões comportamentais gerais de um indivíduo pode esclarecer muito mais do que certas características isoladas. Por exemplo, não é por seres introvertido que estás insatisfeito com a tua vida sexual – principalmente se fores um introvertido agradável e aberto a novas experiências.

Dito isto, quanto mais compreendemos como e porque é que diferentes pessoas lidam com o sexo de maneiras diferentes, mais habilitados estaremos para desenvolver intervenções, de forma a melhorar a saúde sexual de todos. Se os resultados apresentados neste estudo valem de algo, fica a lição de que diferentes abordagens podem ser necessárias para diferentes pessoas, dependendo das suas personalidades.

Justin Lehmiller é investigador do Instituto Kinsey e escreve no blog Sex and Psychology. O seu mais recente livro chama-se Tell Me What You Want: The Science of Sexual Desire and How It Can Help You Improve Your Sex Life. Podes segui-lo no Twitter @JustinLehmiller.


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