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Alt Niss leva seu R&B chavoso para a Boogie Naipe

A única artista feminina no catálogo da produtora garante que seu EP de estreia sai semestre que vem, e o primeiro single deve chegar nos próximos dias.
Foto: Marina Bernardo

Em “Zona Sul 89”, single lançado em julho do ano passado, a paulistana Alt Niss conta como começou seu interesse pela música e, mais especificamente, pelo R&B. “Trancada no quarto cantando Aaliyah / Com dez anos já sabia o que eu queria / Brisando nos pano, nas unha das mina”, fala no som. “Achava que aquelas minas cantavam pra caralho, mais do que em qualquer outro gênero que era acessível pra mim na época. Eu amava e queria ser que nem elas”, ela me contou numa entrevista em abril. “Hoje fico pensando, cara, eu tinha 11 anos nessa época, e nem era algo tão forte no Brasil, eu não tinha acesso à internet. Loucura isso tudo, era missão mesmo.”

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A missão de Alt Niss, que começou lá no fim dos anos 90, passou a tomar forma no meio dessa década. Parte do grupo Rimas & Melodias, Alt Niss fez seu caminho no rap mas sempre carregou consigo a sonoridade mais melódica que tanto gostava desde criança. Conversamos mais pro começo do ano sobre sua participação na formação de um novo R&B brasileiro, o chamado R&B chavoso, e no início de junho foi anunciado que a cantora era a mais nova integrante do catálogo da produtora paulistana Boogie Naipe, comandada pela empresária Eliane Dias.

Ao lado dos nomes gigantescos dos Racionais MC's e Mano Brown em sua carreira solo, Alt Niss é hoje a primeira e única artista mulher da Boogie Naipe, onde começará a fazer lançamentos comerciais mais sólidos. Depois de lançar alguns singles ao longo dos últimos anos, a cantora encara no momento o processo de gravação do seu primeiro EP, que deve ficar pronto para ver a luz do dia em algum momento do segundo semestre de 2018. Ela promete ao Noisey, porém, que um novo single deve sair a qualquer momento nos próximos dias. Leia a entrevista toda abaixo.

Noisey: Como a Boogie Naipe entrou em contato com você, e como conheceram seu som?
Alt Niss: O primeiro contato foi do Kaire, me convidando pra bater um papo e conhecer a produtora em fevereiro desse ano. Fui na curiosidade, um pouco apreensiva mas ansiosa positivamente por ter recebido esse contato. Em 2015, eu fiz a abertura do último show do ano do Racionais, a convite do 5 pra 1. Na produtora eles me disseram que têm me observado há uma cota. Conheci a Eliane Dias no dia dessa visita, fiquei como?! Sou uma grande admiradora dela há algum tempo. Foi um momento foda pra mim. Mas conversei, expus o que penso do presente e futuro da minha carreira. E ouvi. Ouvi muita coisa legal sobre a visão deles a meu respeito, e isso foi bem bacana.

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O que te fez ter a vontade de aceitar entrar pra produtora?
As ideias bateram de uma forma geral. A visão deles, a organização e profissionalismo em gerenciamento de carreira veio numa boa hora pra mim. Já tinha lançado pro universo e conversado com amigos próximos o quanto é difícil administrar a minha carreira de uma forma que aborde todas as necessidades correndo sozinha, com dois filhos pequenos e uma casa pra administrar. A falta de grana pra investir, etc. Eu recebi a resposta que se encaixou dentro da minha necessidade. E vindo de uma produtora/pessoas que eu admiro muito. Já tinha sido sondada antes por outras produtoras/produtores/selos etc. Mas acho que não era pra ser.

Você planeja levar seu R&B pra Boogie Naipe? Pretende fazer alguma mudança na sua sonoridade daqui pra frente?
A Boogie Naipe se interessou pelo que eu sou como artista. Sem me pedir nem me adaptar a nada. Tudo que eu tenho feito nesse começo de trabalho que já tem algo em torno de 3 meses, foi dentro do que eu sou. E isso é o que me deixa mais a vontade. Eu preciso estar totalmente em acordo com o direcionamento artístico do meu bagulho, se não, não vai. As adaptações são coisas em torno do que é mais interessante lançar e como. Mas nada que não converse com as minhas opiniões. É claro que eu como artista também passo por mutações, nada me impede de mudar. A vida é uma constante mutação.

Você está preparando sua mixtape pra lançar ainda nesse semestre, certo? Como está sendo o processo de gravação?
Com a entrada na produtora o terreno está sendo organizado pra trabalharmos da melhor forma. Mas o EP sai no segundo semestre, como um projeto mais compacto pra que o público não fique muito tempo sem ter conteúdo. A minha ideia é lançar singles e EPs num curto espaço de tempo desse primeiro, vamos trabalhar bastante. Tem um single que já está pronto, a caminho, pra chegar nos próximos dias.

Como você se sente sendo, por enquanto, a única artista mulher parte da Boogie Naipe?
É louco pensar nisso. Se me falassem isso há, sei lá, 2 ou 5 anos atras eu ia dar risada. Tudo que eu quero é trazer a minha arte da forma que eu sei fazer e abrir e explorar espaços que não foram explorados.

Sendo também da zona sul, qual o significado de estar na mesma produtora que Mano Brown e os Racionais?
Eu ouço Racionais desde os 8 anos de idade. E ouço até hoje com a mesma emoção de sempre. Mano Brown é meu ídolo desde que eu era criança. Minha família frequentava shows do Racionais desde os anos 90. Eu ouvia todas as histórias. Minha quebrada é citada numa das minhas músicas preferidas na voz do Brown, e eu tenho mó orgulho disso. A primeira vez que ele tocou na minha mão na vida foi pra me elogiar! Eu tenho muito respeito por eles. Pela Eliane, pelos filhos. Eu tô processando ainda essas informações. Tudo que eu quero é trabalhar e honrar esse momento que eu tô vivendo.

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