Viagem

Como é fotografar estranhos fazendo sexo

A fotógrafa Roxy Hervé fala sobre seu novo projeto, apropriadamente intitulado “Lovers”.
Simon Doherty
London, GB
RH
fotos por Roxy Hervé
MS
Traduzido por Marina Schnoor
29.1.18

Matéria originalmente publicada na VICE UK.

Recentemente, Roxy Hervé tem tirado fotos de estranhos transando. Não profissionais, mas estranhos civis que convidam a fotógrafa parisiense de 27 anos para seus quartos para seu projeto “Lovers”, que ela descreve como uma exploração “precisa” da “forma humana e seu ambiente”.

Eu tinha algumas perguntas, então me encontrei com Roxy no norte de Londres, onde ela mora atualmente.

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[Algumas imagens abaixo são ligeiramente NSFW.]

VICE: Oi, Roxy. Como essa ideia surgiu?
Roxy Hervé: Então, um casal em Paris entrou em contato comigo e disse “Gostamos das suas fotos e eu queria fazer uma sessão com meu namorado. Você topa?” E eu disse sim e decidi entender o que ia fazer quando estivesse lá.

O que aconteceu depois?
Nos encontramos no apartamento deles e começamos a conversar, bem diretamente, sobre o relacionamento deles. Passamos aquela noite bebendo, e eles me contaram coisas extremamente íntimas que eu não tinha direito de saber; eu não conhecia eles antes. Nos aproximamos e acabei tirando fotos deles no quarto. Adorei a experiência, então pensei “Vou fazer isso agora”.

De uma perspectiva técnica, é difícil fotografar pessoas se contorcendo numa cama?
É sim, especialmente se estou de pé em cima deles. Se acho que realmente vale a pena, às vezes digo: “Essa pose é muito legal – não se mexam”. Mas geralmente tento adivinhar a posição que eles vão fazer para ter tempo de tirar a foto certa. Mas, sim, a gente conversa – é uma colaboração.

Você acha que os participantes agem diferente por que tem uma pessoa no quarto com uma câmera?
Acho que, no começo – sempre sinto um pouco de desconforto, mas quebro o gelo com uma piada ou algo assim. Mas aí a gente cria uma confiança. No final da sessão, todo mundo diz que ficou entusiasmado e adorou a experiência.

Como você constrói essa confiança?
É isso que leva mais tempo, na verdade. Como parte do processo, gravo um áudio com eles. Faço a cada um dos amantes a mesma pergunta individualmente: “Você lembra o momento em que percebeu que gostava da outra pessoa? Não o momento que se sentiu atraído por ela, mas quando percebeu que você gostava mesmo dela, não só do sexo”. Isso ajuda a construir a confiança. Acho que também ajuda eu ser mulher. As garotas não ficam tímidas; no geral, são os meninos que fica um pouco intimidados.

Você já fotografou conhecidos para esse projeto?
Duas vezes. Já tinha visto as pessoas em festas, mas deu tudo certo. Mas tenho uma sessão de fotos chegando que acho que vai ser a mais tensa. Estou tentando achar pessoas mais velhas, em vez de gente de vinte e trinta anos, então perguntei para os meus pais se eles conheciam alguém que poderia me ajudar. A melhor amiga da minha mãe, que conheço desde criança, veio falar comigo. Mas eles são legais, então acho que vai ser uma boa experiência.

Como você faz a distinção entre fotos artísticas de sexo e fotos pornográficas?
Nas minhas fotos, não acho que há nada de pornográfico. Você não vê pênis nem vaginas. Você vê peitos, mas para mim peitos não são algo erótico – são só peitos. Então é mais sobre a posição e os dois corpos se misturando que partes específicas.

O que você aprendeu sobre sexualidade humana com isso?
Hum, não tenho certeza, porque ainda não completei o projeto. Minhas fotos não são eróticas em vários sentidos. Elas ficam no limite disso, mas não é essa a questão. É mais sobre o momento em que os corpos se misturam, as formas dos corpos coletivamente. Estou fotografando corpos, mas o jeito como faço o enquadramento torna esses corpos menos como corpos humanos e mais como uma forma totalmente diferente.

Você aprendeu algo sobre si mesma?
Sim, sou uma pessoa bastante tímida; não faço amigos com facilidade. Mas estar com pessoas que não conheço e fazer elas se sentirem confortáveis, o suficiente para ficarem peladas na minha frente e me deixar fotografá-las transando, me fez perceber que tenho uma certa confiança. Sempre sinto que, porque os amantes estão tão próximos, no final, quando vou embora, os deixo num clima bom. Talvez num clima melhor do que quando cheguei.

Onde você quer chegar com esse projeto?
Algumas galerias já entraram em contato, o que é bem legal. Eu adoraria fazer uma exposição de som e imagem; as gravações dos casais contando suas histórias acompanhando cada foto impressa em formato grande. Salas diferentes teriam pessoas diferentes contando suas histórias com suas palavras e corpos.

A Roxy está procurando pessoas de todos os tipos para fazer parte desse projeto. Siga a mina no Instagram ou mande um e-mail pra ela : onlylovers@yahoo.com.

@oldspeak1

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