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Primeiros e Favoritos: Um Papo de Menina com Kim Gordon no Burger-a-Go-Go

Falamos com a musa indie sobre astrologia, Sylvia Plath e menstruação.

Foto por Alice Baxley

Kim Gordon veste uma blusa Rodarte e nada de calças. É o segundo Burger-a-Go-Go e a eterna baixista do Sonic Youth acaba de apresentar um set de art-punk sob a alcunha Glitterbust, sua nova dupla só-guitarra com Alex Knost do Tomorrows Tulips. Com o nome vindo de uma canção da banda de noise experimental Royal Trux, Glitterbust é um retorno erudito da pioneira cena avant-rock na qual Gordon desempenhou um papel crucial, desde seus primórdios nos anos 80 até o Sonic Youth cair no gosto do mainstream nos anos 90. Com aquele olhar azul gélido, voz rouca e impenetrável presença de palco, Kim tornou-se a indócil e não-convencional it girl daquela época. Bebericando um drink nos bastidores do festival com uma perna apoiada na parede, ela continua sendo a Koolest Thing.

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Levando em conta a reveladora autobiografia A Garota da Banda (leia um trecho aqui), Kim Gordon já passou por sua cota de merda. Mas claro, ela leva numa boa. Com tênis cheios de glitter, parece que ela saiu distribuindo chutes em um diamante. Durante anos após o fim do Sonic Youth e seu divórcio de Thurston Moore, aquele lance dos anos 80 de ser mulher em uma banda só de homens como era com o Sonic Youth parece ter seguido Gordon maturidade adentro, apesar de diversos projetos paralelos e uma carreira nas artes visuais. Interessantemente, abraçar seu papel como “mulher na banda” foi o que a permitiu deixá-lo para trás. Ela sempre será a mulher a banda, mas é a banda dela agora. Vejo-a no palco, tocando o amplificador com sua guitarra como se fosse uma varinha controlando o feedback. Fato é que Kim sempre foi uma artista em primeiro lugar e musicista em segundo. Sua lancinante reverência pela música enquanto arte conceitual foi grande parte do que tornou o Sonic Youth no marco do pós-punk que é hoje. Enquanto ela grita no microfone de dentro de uma nuvem de fumaça só consigo pensar Thurston quem?

Conversamos com a rocker no-wave e fodona eterna enquanto ela guardava seus equipamentos após o show. Confira nossa entrevista sobre calças bocas de sino, paixonites femininas e o horóscopo nesta edição especial grrrl power de Primeiros e Favoritos.

Glitterbust no Burger-a-go-go. Foto por Alice Baxley.

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Noisey: Qual foi a primeira música que aprendeu a tocar?
Kim Gordon: Provavelmente alguma coisa que criei com o Sonic Youth.

Primeira declaração de moda?
Com 12 anos, eu Morava em Hong Kong, numa colônia inglesa, então rolava essa loja mod bacanérrima, daí comprei umas calças boca de sino vermelhas de veludo e uma rosa também, que eram de amarrar.

Bell Hooks ou Beyoncé?
Não manjo muito Bell Hooks, então…

Primeiro emprego?
Garçonete na House of Pies no oeste de Los Angeles

Garota de banda favorita?
Astrid McDonald.

Filme de menina favorito?
Gatinhas

Courtney Love ou Kat Bjelland?
Não chego nem perto, mas escolheria Kathleen Hanna.

Sylvia Plath ou Anne Sexton?
Ah, Sylvia Plath.

Melhor remédio pra menstruação?
Advil e magnésio.

Horóscopo ou tarô?
Horóscopo, com certeza.

Primeira paixonite feminina?
Hayley Mills de Operação Cupido.

LA ou NY?
Tenho que falar LA porque acabei de me mudar pra cá.

Primeira vez que você percebeu que garotos são um lixo?
Em algum momento do ensino médio.

Primeira tatuagem?
Não tenho tatuagens.

Banda riot grrrl favorita?
Bikini Kill.

Bryn Lovitt é colaboradora do Noisey. Siga-a no Twitter.

Tradução: Thiago “Índio” Silva