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Forçamos o Gene Simmons a ouvir o Skepta, o Death Grips, o Radiohead e mais

"O Thom Yorke sempre fica meio chateado quando eu falo alguma coisa sobre ele".

Se alguém é famoso pela sua língua, é o Gene Simmons, do Kiss. Mas, no começo da nossa conversa, não consigo dizer com certeza se é com ele mesmo que estou falando. Ao ouvir meu sotaque inglês, ele começa a fazer um sotaque britânico ele mesmo, soando com algo parecido entre um órfão de Dickens e Danny Dyer na pantomima: É-sabe-o-que-quero-dizer? Estou aqui trabalhando feito um cachorro o dia inteiro". Há uma pausa. Ele continua, com o murmurar grave da sua voz normal. "O que achou do meu sotaque colonial?"

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Em uma tentativa de ampliar nossa perspectiva, no passado, o Noisey pediu ao Tom Jones, ao Will Young, ao Idris Elba e até ao Cradle of Filth para resenhar os lançamentos mais comentados do mundo da música. Em parte só porque queríamos testemunhar coisas como o Tom Jones se sacudindo na cadeira ouvindo o Section Boyz e cantarolando "Escove os dentes!" quando a Lady Leshurr começou a cantar, mas principalmente porque queremos o respeitado ponto de vista de uma coruja sábia sobre os sons que escutamos hoje.

De todas as corujas sábias do mundo, o Kiss está no topo. Através de uma combinação de pintura facial, mais merchandise do que a franquia Toy Story e uma caralhada de pirotecnia, a banda manteve seu status de uma das maiores bandas do mundo, elevando-se de uma banda de glam-rock a um fenômeno, que se transformou em uma pequena indústria e, depois, num império.

Como Gene friamente me lembra, quando me refiro erroneamente ao final dos anos 70 como o "ápice" da banda: "O ápice é agora. Estamos sentados no topo do Monte Olimpo como a maior banda vencedora de discos de ouro de todos os tempos, em todas as categorias. Nenhuma outra banda americana tem mais discos de ouro". No dia 25 de maio, a banda estreia em cinemas de todo o mundo um filme de um dos seus shows, KISS Rocks Vegas. O filme é anunciado como possuindo chamas "mais quentes que o inferno".

"O Kiss é um show", Gene acrescenta, quando pergunto sobre o espetáculo no palco. "Eu diria que nunca percebemos quanto um disco que fizemos era bom porque nunca passamos tempo suficiente no estúdio, sempre fomos muito impacientes." Ele fala do legado moderno da banda menos como um projeto musical do que como uma franquia. "Temos um filme estreando no mundo inteiro, temos o KISS Kruise, campos de golfe do Kiss, superamos as vendas dos Beatles e dos Stones combinadas, fazemos coisas que outras bandas nunca conseguiram."

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No passado, o Sr. G. Simmons contribuiu com críticas musicais tão brilhantes para o cânone da humanidade quanto "o rap vai morrer" e "o rock está morto", e por último, mas não menos importante, "o EDM é honesto". Então, que pessoa melhor para resenhar os últimos lançamentos que estão rodando na vitrola do Noisey e nos dizer sem rodeios o que sente sobre os hits de 2016? Em uma era pós-gênero musical, de hiperconectividade e conteúdo abundante, o que o Demônio diria sobre o Death Grips, o Skepta ou o último lançamento do Radiohead? Ou até mesmo sobre a nova música do Red Hot Chilli Peppers? Bem, aqui está o que ele diria.

RED HOT CHILI PEPPERS – “DARK NECESSITIES”

Noisey: Certo, achei que podíamos começar com algo que pode ser um pouco mais familiar para você. A nova música do Red Hot Chilli Peppers. Você gosta deles?

Gene: Sempre os achei originais e empolgantes, e o melhor dos Chilli Peppers é que eles sabem quem são, sabem qual é o seu DNA. Essa é a coisa mais importante que uma banda precisa descobrir sobre si mesma. Esta música soa como o Chilli Peppers clássico. Os fãs deles vão adorar. Eles são uma banda de rock, mas claramente decidiram seguir a batida do baterista deles. As guitarras nunca soam como uma banda de rock, nunca são muito altas, eles fazem rap, tem um baixista com uma pegada funk, Flea, que deve ser fã de James Brown. Não é rock clássico, mas com certeza é rock.

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Então você gosta deles?

Ah, sim. Gosto muito.

Começamos bem. Certo, vamos em frente.

DEATH GRIPS – “EH”

O que você acha do Death Grips?

Não sou qualificado para falar sobre o gênero, então não posso mesmo comentar se o material é bom. Definitivamente não é rock. Recentemente tive meu momento N.W.A com o Ice Cube, com quem me dou muito bem, acho que ele é um cara legal, um ótimo pai. Mas o N.W.A não pertence ao Rock and Roll Hall of Fame, da mesma forma que o Kiss não pertence ao hall da fama do hip hop. Por definição, é isso que ele é. O rock é guitarras, bateria, amplificadores. Podemos ter começado no mesmo lugar, a música negra americana, mas evoluímos para lugares diferentes. E as pessoas sempre tentam dar a cartada do racismo, o que é tão idiota, só é útil, você sempre pode usá-la. O meu guitarrista preferido é negro. Jimi Hendrix. Ele não pertence ao hall da fama do hip hop. Ele talvez seja o o guitarrista de rock mais proeminente de todos os tempos. Então, resumindo, não sou qualificado para falar nada sobre o Death Grips, mas boa sorte para eles.

Não ficou intrigado a saber mais sobre eles?

Assim que ouço alguém falando sobre uma batida de bateria eletrônica, estou fora.

RADIOHEAD – “BURN THE WITCH”

E que tal o último lançamento do Radiohead, "Burn the Witch"?

É difícil para outras bandas tocar músicas do Radiohead, por causa da força da identidade deles. A identidade deles é essencial para a música, especificamente a voz do Thom Yorke. O Thom Yorke tem uma das melhores vozes do rock moderno. Ele poderia fazer o que quisesse com aquela voz. Poderia fazer rap, cantar pop, ser o novo vocalista do Four Seasons se quisesse.

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Então você é um grande fã do Radiohead?

Sou muito fã do Radiohead. O engraçado é que o Thom Yorke, em particular, fica muito chateado quando falo sobre eles. Sou um grande fã, mas sei que eles odeiam tudo que fazemos – o visual exagerado, o licenciamento de produtos, o merchandise, adoramos tudo isso. Mergulhamos nisso. Isso não é algo que eles queiram fazer. O melhor do Radiohead é que eles nunca tentam se parecer com ninguém mais. Os fãs do Radiohead vão gostar de "Burn the Witch"? Ah, vão. O Michael Bublé conseguiria fazer uma versão de "Burn the Witch"? Não tenho certeza de que isso seria uma boa ideia.

Você tem uma música preferida do Radiohead?

Minha música preferida do Radiohead ainda é o single com que eles estouraram, "Creep". E a minha música preferida do Blur é aquele troço número cinco, "uhu!". Mas esse é só o meu gosto.

JUSTIN TIMBERLAKE – “CAN'T STOP THE FEELING”

E o que você acha do novo single do Justin Timberlake?

Justin. Quero dizer, você tem que dar crédito ao cara. Ele veio de uma boy band e decidiu arregaçar as mangas. Os críticos dele dizem que ele é só um Michael Jackson branco, mas também… O Michael Jackson também era. Viu o que fiz ali?

Sim, isso foi… Problemático.

Ah, já disse coisa pior.

Mas o que acha de "Can't Stop the Feeling"?

Essa vai ser um grande sucesso de verão, é muito bem escrita, com ótimas trocas de acordes, uma batida contagiante e o cara sabe cantar de verdade. É uma música bem escrita. Mas gostaria que o Timberlake e todo o resto parasse de usar a palavra "dance".

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SKEPTA – “MAN (GANG)”

Certo, última, o que você achou do Skepta?

Me perguntar sobre isso é como perguntar para a minha mãe o que ela acha do Miles Davis. Não somos qualificados para responder.

Você não tem mesmo uma opinião sobre ele?

Não, mas isso que é legal na música. É como entrar em um restaurante enorme. Você pode não gostar de tudo que tem no cardápio, mas tem alguma coisa lá para o gosto de todo mundo. Só não é do meu agrado.

Algum tipo de rap ou hip hop é do seu agrado?

Minha música preferida de rap de todos os tempos é do Sir Mix-A-Lot, a música da 'bunda grande'. É tão contagiante que acabo andando pela casa mostrando minha bunda como se estivesse na cadeia. Sabe o que quero dizer?

Essa é uma imagem poderosa.

Desculpe, veio um vomitozinho na minha boca pensando nisso, é claro, preferiria vomitar um pouco na sua boca, mas isso é uma outra história…

O quê?

Você é um homem poderoso e atraente.

Valeu.

Certo, tchau.

Tchau.

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O novo filme do Kiss faz sua estreia mundial nos cinemas no dia 25 de maio. Para mais informações, acesse http://www.kissmycinema.com/www.kissmycinema.com

Tradução: Fernanda Botta

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