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Depois de MC Pedrinho, a Justiça Quer Barrar Outros MCs Mirins

Novo inquérito pode colocar em risco os shows de Melody, Vilãozinho, Brinquedo e Pikachu.

Montagem da MC Melody publicada em sua página do Facebook. Ela tem mais de 500 mil seguidores na rede social.

Nesta terça (26), a discussão sobre os MCs Mirins transbordou as tretas entre gente contra e a favor após a proibição dos shows do MC Pedrinho, por liminar do Ministério Público obtida pela Promotoria de Justiça de Santana, em São Paulo. O caso do MC Pedrinho, no entanto, é só o começo de uma ofensiva maior da justiça.

Existe um outro inquérito civil em andamento, nº 103/2015, em que constam os nomes da MC Melody, de 8 anos, assessorada pelo seu pai, o MC Belinho, e do MC Vilãozinho, de 6 anos, dono do hit “Tapa na Bunda”. Também foi expedido ofício ao CAEX (Centro de Apoio Operacional à Execução) solicitando o concurso para apuração da qualificação dos MCs Brinquedo e Pikachu, artistas da KL Produtora. Consta no texto da denúncia que a KL “lança cantores menores de idade com letras de músicas de funk com termos depreciativos, apologia a drogas, crimes e prostituição”.

Nos últimos dois anos, os chamados MCs Mirins, crianças e pré-adolescentes que se tornaram fenômenos lucrativos do funk nos bailes e nas redes sociais, têm sido alvo de polêmicas em razão do forte conteúdo sexual de suas músicas, clipes e coreografias. O caso do MC Pedrinho foi o auge dessa polêmica, com a proibição dos shows sob o fundamento de que as canções interpretadas por ele, conforme consta no texto divulgado pela assessoria de imprensa do Ministério Público do Estado de São Paulo, estão repletas de “alto teor de erotismo, pornografia, e palavras de baixo calão, incompatíveis com a condição peculiar de pessoa em desenvolvimento”.

A Vara da Infância determinou a retirada do conteúdo do MC das redes sociais e estipulou uma multa de R$ 50 mil por show realizado no Brasil. Autor do famoso funk “Dom Dom Dom”, Pedrinho vinha realizando uma média de 20 apresentações por mês, com mais de 600 mil fãs no Facebook e 35 milhões de visualizações no YouTube. Segundo a ação, o caso constitui “violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente e outras leis aplicáveis à situação, que proíbem terminantemente a exposição do adolescente com essa espécie de conteúdo”.