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BeatBrasilis: Reunião Semanal de Beatmakers É uma Fábrica de Ouros em São Paulo

Acompanhamos a 16ª edição do evento e, de quebra, descolamos uns beats exclusivos.

Niggas, o anfitrião e um dos produtores da reunião semanal de beatmakers. Todas as fotos por Felipe Larozza.

Uns se juntam com os amigos pra jogar um arranca toco, ver o time do coração, outros saem pra tomar um corote, mas tem uma molecada que se junta toda quarta-feira, perto do metrô Sumaré, na Zona Oeste de São Paulo, pra fazer uns beats. Qualquer um pode chegar. Pode colar você, seu irmão, sua mãe. Basta ter como samplear o disco e ter paciência para produzir.

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O rolê é o BeatBrasilis, uma reunião de beatmakers bem nerd que funciona mais ou menos assim: o primeiro cara chega por volta das 16h e escolhe um disco de vinil aleatoriamente. Eles ficam todos amontoados em um carrinho de supermercado e custam cinco caraminguás. Depois do disco escolhido é pau no gato. A grosso modo, o beatmaker cola com seu equipo ao lado da vitrola, ouve o som já separando os trechos que pretende samplear e depois disso rola uma imersão profunda em timbres, notas e ruídos. E assim, um após os outro, todos os produtores gastam a agulha para criar seus beats expressos. No final todo mundo para e apresenta o trampo pra geral – mas se não tiver ficado bom, nem precisa mostrar. Na lista de máquinas destacam-se as MPC 2000, um trambolhão pesado e difícil de carregar, as clássicas MPC 1000, aquelas pequeninas que são muito comuns em apresentações ao vivo, muitos computadores, Fruity Loops pra cá, Ableton pra lá, e até uma SP 404, uma máquina pequena e difícil de trabalhar.

Formiga (à esq.) e Aoka internados nos beats.

“Esse aqui é o nosso futebol”, explica Bruno Borges, o DJ Niggas. Ele é o dono do campinho da molecada. Em sua casa/café/loja de discos, a Casa Brasilis, ele recebe religiosamente os beatmakers e aproveita para fazer seu som também. Seu quintal também é palco da Vinyl-Lab, o projeto que ressuscitou a única máquina de discos de vinil do Brasil. Entre outros trampos, ele tem feito uns compactos quadrados. Tem um disquinho com um beat dele, outro com um beat do DJ Marco e mais alguns exemplares.

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O paulistano Caio Formiga, que quase sempre é um dos primeiros a chegar, apareceu cedão na 16ª edição e recebeu a tarefa. Olhou pra cima, empoeirou os dedos e sacou, entre dezenas de álbuns, a coletânea romântica Today’s Love Hits-All Originals TOGETHER, de 1979, com ícones que embalaram os namoricos dos papais e mamães de vocês como Robert John, Alessi Brothers, Randy Vanharmer, Rose Royce ou o romântico Patrick Dimon. “O disco é a nossa única fonte de amostras ou samples, então temos que ser bem criativos. Nesse caso, como não tem nada óbvio, a galera tem que viajar legal nas faixas do disco”, explica Niggas.

A molecada sampleia o som e se concentra nos beats.

Sabe aquelas lan houses de quebrada com todos os moleques fritando no CS? É tipo isso. No meio do apertar de botões e mexeção dos pés no compasso, Formiga entra na quarta hora ininterrupta de trampo. Sala 70 trampa no notebook e mais uma galera tá ali na funça apertando botões e marcando compassos. A turma da repescagem chega, se apressa pra samplear e tenta tirar o atraso. Um deles é Rhossi, vocalista do Pavilhão 9. Ele surge com um elefante cinza claro, sua MPC 2000 XL, a mesma em que produziu o beat de “América 21”, do Black Alien. O MC dá a letra sobre o game. “Você tem que estar atendo na audição/sample para escolher um bom looping, teoricamente tem que conhecer a máquina que está trabalhando e ter os kits de instrumentos em mãos ajuda. Devido ao pouco tempo a edição tem que ser precisa e dinâmica”.

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Franja no gás trampando na MPC 1000.

E, com exclusividade para o Noisey, separamos os beats cabulosos que os caras mandaram na 16ª edição do BeatBrasilis. Tá pouco de som bom. Se liga que o Soundcloud deles é atualizado constantemente e tem muito ouro por ali.

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