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Música

Entrevistei uma Atriz Pornô Sobre Deathcore e Stagediving

Essa gente que trabalha no ramo pornô é bem tranquilona. Estranhos são os fãs.

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Enquanto cobria o festival pornô com carne exposta para todos os lados que é a AVN Convention, comecei a me dar conta de algumas coisas. Número um, eu muito rápido desenvolvo imunidade à nudez e ao sexo. Eles estavam por todo canto, na forma de brinquedos eróticos, equipamentos de fetiche, DVDs de filmes pornô sendo distribuídos como doces no Dia das Bruxas, e também nudez ao vivo e em carne e osso (e, ocasionalmente, atividades sexuais em carne e osso). Número dois, percebi que todo mundo que trabalha na indústria pornô – atrizes e atores, o pessoal dos bastidores, todo mundo – é agressivamente normal e tranquilão. (Na verdade, esquisitões eram os negos que compareceram à AVN como fãs.)

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Por exemplo: conheci a Necro Nicki, do império Burning Angel. Nicki vem de Orange County, na Califórnia, e cresceu na cena hardcore e metalcore de lá. Ela trabalha no pornô há cerca de dez meses, e está adorando. Eu a encontrei na cabine do Burning Angel, no piso principal da AVN Convention, e sua chefe, a amiga do Noisey Joanna Angel, sugeriu que ela e eu conversássemos sobre música. Enquanto conversávamos, um zilhão de caras apareceram pedindo para tirar fotos com ela (seu primeiro longa, BBQ Tit Masters – uma paródia de BBQ Pit Masters, é óbvio – foi lançado recentemente, então ela é um assunto do momento entre os entusiastas do pornô), mas ela levou tudo numa boa enquanto discutíamos metalcore, a ética do stagediving, e seu início de carreira como jornalista de música.

[Nota do Editor: Muitos dos links aqui são NSFW, então, se você está no trabalho, ahn, não clique neles. Ou então clique, sei lá. Não me importo, na verdade.]

Noisey: De que tipo de música você gosta?
Necro Nicki: Tem muita coisa de death metal e deathcore que eu gosto. Estive em muitas bandas.

Sério?
Gosto de death metal, technical death metal e djent. Gosto de vocais ásperos. Neste momento, pra falar a verdade, estou trabalhando num projeto com o Max Murder. Ele me passou umas músicas faz pouco tempo. Algumas músicas dele foram usadas como trilha sonora em pornôs. Então eu achei isso massa. A gente ficou amigo e aí, sei lá. Para mim, sempre quis que a música estivesse presente em tudo que eu faço, e por isso senti que o Burning Angel era perfeito para mim. É pornô punk, e eles curtem vários tipos de música e estilos alternativos. E faço entrevistas com bandas para o site do Burning Angel, já fiz um bom tanto delas. Gosto muito de entrevistar.

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Massa. Quem você já entrevistou?
Já entrevistei o Ministry. Entrevistei o Sin Quirin, guitarrista deles. Entrevistei o The Mentors. Ahn… estou tentando lembrar de todas as outras bandas. Já peguei… Witchaven foi minha mais recente! Eles são tipo uma banda de heavy thrash. Já fiz várias. Acho que fiz pelo menos tipo umas cinco ou seis entrevistas até agora que foram para o site, e também tem outras que estão para sair. Então sim, quero que isso seja um trabalho regular meu para o Burning Angel, porque gosto muito dele, e acho que é uma coisa que meio que diferencia a empresa e atrai um outro público. Tipo, porque acho que combina com o estilo das meninas, especialmente o estilo alternativo, porque é meio que sexy. Os caras acham que as meninas são sexy quando elas gostam do mesmo tipo de música.

Tem algum tipo de música específico que você gosta que esteja tocando enquanto faz as suas cenas?
Depende do tipo de cena. Seria legal, tipo, por exemplo, se fosse tipo uma cena hardcore, um boquete insano, e num clima ousado e dark, seria legal colocar um heavy metal. Faço sessões particulares na webcam pelo Skype, e percebo que quando deixo tocando alguma coisa pesadona, tipo Thy Art Is Murder, fico tipo abocanhando o meu dildo mais forte, me espancando com ele no ritmo da música.

Se você pudesse fazer parte de qualquer banda do mundo, qual seria?
Nuss, tipo se eu ficasse com o posto de vocalista?

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Você receberia o poder daquele músico. Então, mesmo que você não saiba tocar guitarra, seria tão boa quanto é o guitarrista da banda.
Na verdade eu escolheria o Thy Art Is Murder. Eles são uma banda de deathcore. Uma das minhas músicas favoritas se chama "Whore to a Chainsaw". Os breakdowns são insanos. É uma das minhas bandas prediletas. O ringtone do meu celular é uma música deles.

Poderia explicar para mim a diferença entre todos aqueles tipos diferentes de metal que você mencionou? Tipo deathtrash, deathcore, technical death…
Sim. Tipo, hoje em dia, há tantos gêneros diferentes. Estive em bandas que já tiveram tipo seis gêneros em um, que querem dizer que é deles, porque têm essa influência. No caso do thrash, é mais tipo um metal das antigas, como Testament, a bateria é um pouquinho… Eu não diria mais suave, mas meio que rápida. É só que a bateria não chega a ser pesada nem nada. Eu diria que o death metal meio que tem mesmo um lance mais pesado… é tipo uma versão mais pesada do thrash. Então, é como um clássico, um death metal clássico, só que mais moderno. E agora, hoje em dia, o technical é quanto você pega uma guitarra de oito cordas e a guitarra meio que é loucona mesmo.

E o deathcore é meio que uma mistura entre o death metal e o hardcore. O hardcore muitos músicos gostam de dizer que é um pouco mais simples. A bateria é mais pesada mesmo, mais forte. O hardcore é o meu favorito, mesmo sendo um estilo mais pra simples. Acho que ele realmente manda ver, e normalmente é aí que a roda se abre e a parada fica louca.

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Necro Nicki tem uma tatuagem na barriga que diz "HARDCORE". Aqui está uma foto.

Quando foi a última vez que você entrou na roda?
Não entro na roda tanto quanto na minha época de ouro, porque já me machuquei, fiquei com o olho roxo, quebrei o nariz, e agora o meu trabalho consigo com o meu rosto, então não posso correr o risco. Na época do colégio, eu era meio que raivosa, e entrava na roda e liberava a minha agressividade. A última vez que estive numa roda a sério mesmo foi quando vi o The Ghost Inside. Foi no The Observatory, em Santa Ana, e havia muita gente e todo mundo estava simplesmente quebrando geral, e nem que você quisesse tinha como sair dali.

Qual é a sua opinião sobre o stagediving? Houve uma grande discussão sobre o assunto na comunidade punk recentemente.
Ah, é mesmo? Eu gosto. Sou bem boa nisso. Eu dou um mergulho maneiro estilo torpedo, em que subo no palco e aí pulo, e meio que vou girando e girando e daí pulo. O que é maneiro de ser mulher é que muitos caras querem te manter acima das cabeças porque querem te passar a mão e apalpar. Já fiz uns stagedives longos pra caralho, em que fiquei no ar por tipo uns dez ou quinze minutos. O pior pra mim é quando as pessoas simplesmente pulam sobre o público e começam a andar em cima das cabeças. Desse jeito, pode acabar matando alguém. O stagediving pode ser bem perigoso se você está num show em que dão muitos pulos e você está no gargarejo. Você fica sempre tendo que se defender.

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Tem alguma pergunta que você sempre quis que te fizessem numa entrevista?
Bom, eu gostaria que você me perguntasse alguma coisa que acha que vai me ofender. Pode botar o meu na reta.

Alguma coisa que te ofenderia?
Sempre me fazem perguntas boazinhas. Nunca me perguntaram alguma coisa que me deixasse desconfortável.

Tá certo. Qual foi o tolete maior e mais fedido que você já soltou?
Tinha provavelmente mais de trinta centímetros e devia ter a largura tipo de uma moeda de cinquenta centavos. Fiquei orgulhosona.

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Tradução: Marcio Stockler