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Escutei o Novo Disco da Taylor Swift Antes de Você

E fiz um monte de garranchos pra te explicar o que achei.

Algumas semanas atrás, entrei numa sala de conferência junto com outros jornalistas de música. Por cerca de 20 minutos, ficamos sentados frente a frente, nos encarando em silêncio absoluto. Depois, cada um de nós colocou fones de ouvido, e eles deram o play no novo disco da Taylor Swift, 1989.

A cada disco, Taylor vem se afastando das baladas country e se aproximando mais do primeiro escalão do pop mundial. De modo geral, isso é bom: as suas músicas se tornaram mais ricas; a personalidade, mais definida; e a produção, grandiosa e de primeira classe. Red, o último disco, parecia o equilíbrio perfeito entre brilho e progresso, conservando ainda o elemento country que marcou o início da sua carreira. E o melhor de tudo, deixando para trás a inocência e ingenuidade dos primeiros discos, mostrando uma mulher adulta. Parte disso significava uma libertação dos limites do country e a compreensão da ideia de que sim, Swift é uma das maiores estrelas do pop, e devia fazer um disco que refletisse isso. Consequentemente, este disco, que foi vendido para os seus fãs como o seu primeiro disco “fora do country”, permitiria a ela soar maior e melhor do que nunca.

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Mas isso também é motivo para preocupação. Para mim, os melhores momentos dos dois últimos discos da Taylor não foram as faixas pop que chegaram ao topo das paradas, mas aquelas faixas country meio bregas. Parece que ela está aprendendo um monte de habilidades novas para se tornar uma popstar completa, mas é quando lança uma faixa country lá pelo quarto single, para agradar o sul dos Estados Unidos, que o esforço e competência dela realmente brilham.

É por isso que, por melhor que “Mine” seja, não é tão boa quanto “Mean”, uma música em que Swift toca um puta banjo e chama um cara de babaca. É por isso também que “We Are Never Getting Back Together” não chega aos pés de “I Almost Do”, uma balada piegas sobre querer ligar para um ex depois do fim do namoro. Seria 1989 a prova de que o country é uma limitação necessária para ajudar a guiar a criatividade de Swift? Ou eliminar os banjos e violinos permitiria a ela realmente abrir suas asas?

Enfim, só nos era permitido escutar o disco uma vez e tínhamos que fazer nossas anotações ali mesmo, na hora. Rabisquei duas folhas de papel freneticamente, e esses papéis são tudo que tenho como referência enquanto escrevo isto.

Aqui estão algumas das coisas que descobri:

  • Agora posso dizer, objetivamente, que “Shake It Off” é a sexta melhor música do disco da Taylor Swift. Minhas anotações sobre “How You Get The Girl” dizem simplesmente: NÃO ESCREVI MUITO SOBRE ELA PORQUE É MUITO BOA. A “BOUND 2” DO DISCO DA TAYLOR. ‘ONE FOR THE HEADS’”. Isso é bom.
  • Acho que tem um palavrão neste disco. É “fuck”. Será esse o primeiro disco da Taylor a ser rotulado como “explícito” no iTunes? Ou será que só não estou entendendo o que escrevi?
  • Tenho tipo 98% de certeza de que “I Know Places” é escrita da perspectiva da Carrie Mathison nas duas primeiras temporadas de Homeland. Sério, a vibe toda é “sei de lugares onde podemos nos esconder”, “boca aberta come mosca” e “estão tentando nos achar”. Preciso ouvi-la de novo, mas tenho certeza de que fala sobre sair do país e ser perseguido – embora eu tenha pesquisado no Google há pouco para ver se a Taylor já falou sobre Homeland alguma vez e tudo que tenha achado tenha sido este meme:

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Tem muitas faixas com “mensagens” no disco também, que tentam acabar com uma imagem pública que ela talvez tenha ajudado a reforçar no passado. “Blank Space” é uma resposta à ideia de que ela se apaixona e desapaixona o tempo todo. Na faixa, Taylor basicamente diz: “Não jogue a sua merda em cima de mim”. É sobre garotos que só querem relacionamentos torturantes, que anseiam pela dor do fim. Tem uma frase afetada (e incrível) sobre como ela os atrai: “Querido, sou um pesadelo vestido de sonho” . Ou seja, ela está basicamente falando: “Você quer drama e eu sei muito bem como dar isso a você, mas é só você quem não consegue lidar com a tristeza”. Essencialmente, Taylor está dando a dica de que na verdade gosta bastante de uma separação.

“Style” vai na direção oposta de “We Are Never Getting Back Together”. É uma música sobre como você não conseguiria sair desta merda de relacionamento mesmo que quisesse. “Nós nunca saímos de moda, voltamos sempre”, ela diz para um garoto sem nome que parece estar erroneamente acreditando que tudo acabou. E, como na faixa anterior, parece que ela não está tão envolvida emocionalmente no momento, mas focando mais na história em longo prazo. Em “Out Of The Wood”, ela basicamente faz a mesma coisa, mas parece ligeiramente mais nervosa. Em vez de julgar alguém por cada coisinha que faz, ela só quer respostas: PARA ONDE ISTO ESTÁ INDO? ESTAMOS JUNTOS OU NÃO?

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Sei que algumas pessoas ficaram meio preocupadas depois de ouvirem “Welcome to New York”, porque parece uma música que um albergue na Times Square usaria no seu comercial mal editado no YouTube. A boa notícia é que ela provavelmente é a pior faixa do disco. Tem outras anotações rabiscadas, particularmente a respeito do quanto ela fala sobre ser uma “boa garota” (incluindo uma fala moderadamente picante sobre como ela tem “essa fé de boa garota e uma minissaia justinha”).

Este não é exatamente um disco feito para dançar, nem para se apaixonar. Mesmo os garotos mencionados ao longo dele parecem coadjuvantes. Este é muito mais um espetáculo de uma mulher só. Por exemplo, em “All You Had To Do Was Stay”, ela conta uma história que todos nós já vimos acontecer: um garoto começa a se achar demais, pensa que consegue coisa melhor que a namorada, acaba com ela e volta arrasado duas semanas depois, implorando que ela o aceite de volta. Nesta faixa, Taylor está dizendo: você teve a sua chance e jogou fora, amigo.

1989 é, sem dúvida, um disco pop brilhante, com a produção heterogênea de Max Martin na maioria das faixas e nada que se possa realmente chamar de country, exceto pela balada final, “Clean”. Mas o meu medo de que o disco ficasse muito polido foi totalmente aplacado pelas duas melhores faixas: “I Wish You Would” e “Wildest Dreams”. As duas músicas mostram que, não importa quanto sucesso a Taylor tenha, ainda vai ser ela mesma. Na primeira, ela está muito solitária e arrependida, imersa em algo que aconteceu semanas atrás. É perfeita, e a única música que ainda sei cantar depois de tê-la ouvido apenas uma vez. Na segunda, que quase soa como Kate Bush, Taylor canta: “Diga que vai se lembrar de mim, parada ali com um vestido bonito”. Só a Taylor Swift consegue se sair bem com uma não descrição tão brilhante de um jeito que ela faça todo o sentido.

Para todo o burburinho sobre o seu lançamento, 1989 é um disco pop simples. Não tem grandes parcerias ou mudanças de gênero. Acho que você poderia dizer que é o disco mais pop dela, mas eu diria que, hoje em dia, fazer música pop de um jeito mais ousado é quase mais arriscado do que fazer dez baladas country. O que eu mais amo no disco é como soaria ridículo se outra pessoa o tivesse feito. Sim, é um disco sobre crescer e se deixar enganar menos por garotos. Mas também cristaliza uma ideia muito clara de quem é Taylor Swift. Ela fez a manobra mais difícil de todas, de estrela mirim a popstar adulta, com uma personalidade definida. Quando Beyoncé canta sobre o poder das mulheres ou Kanye diz algo obsceno sobre sexo oral e civilizações antigas, é quase previsível, porque essas coisas são parte da nossa percepção deles. Acho que agora pode-se dizer o mesmo da Taylor, parada ali no seu vestido bonito, sendo ela mesma.

Mas, para ser sincero (e justo), eu provavelmente deveria escutar o disco mais algumas vezes antes de arriscar dizer algo mais definitivo. Então volte para ler mais sobre 1989, está bem?

Tradução: Fernanda Botta