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Os 25 Melhores Discos Internacionais de 2014 de Acordo com o Noisey: 25 a 11

25 discos internacionais pra você curtir o fim do ano.
23.12.14

Abaixo estão os 25 melhores discos de 2014 de acordo com a equipe Noisey: Kim Kelly, Kyle Kramer, Drew Millard, Kayla Monetta, Dan Ozzi, Fred Pessaro, Eric Sundermann, e Kim Taylor Bennett. Para ver os 10 melhores discos, clique aqui.

** Run the Jewels 2 25. Run the Jewels –**

Em um ano de agitação social com protestos explodindo pelos EUA em resposta aos assassinatos de Mike Brown e Eric Garner pelas mãos da polícia, muitos artistas com enorme alcance ficaram vergonhosamente calados, enquanto o mundo ao seu redor pegava fogo. Run the Jewels,a dupla de hip-hop interracial formada por Killer Mike e El-P, mais do que compensou por estes. Dando sequência ao seu aclamado disco de estreia de 2013, o duo voltou com um disco ainda mais aclamado em Run the Jewels 2. A dupla mostra-se implacavelmente passional ao opor-se publicamente contra injustiças – de sua apresentação explosiva e cheia de lágrimas em St. Louis na noite em que um júri decidiu não indiciar o policial Darren Wilson até as aparições sinceras de Killer Mike na CNN. Mesmo que Run the Jewels 2 de alguma forma não resista ao teste do tempo (o que é improvável dado ao status de seus integrantes), o trabalho que Killer Mike e El-P fizeram para chamar a atenção do público para a questão da desigualdade racial não será esquecido tão cedo. A história não esquece aqueles que se levantam enquanto todos continuam sentados.
—Dan Ozzi


** Are We There 24. Sharon Van Etten –**

Se você quer falar sobre sinceridade no ato de compor canções, não há disco mais sincero lançado em 2014 que We Are There de Sharon Van Etten. Talvez, com trechos como “quebre minhas pernas para que não possa correr até você”, alguém possa argumentar de que é sincero até demais. Mas o que faz o álbum funcionar é o elemento destemido na natureza da composição – simplesmente não dando a mínima e botando tudo pra fora. Algumas pessoas criticarão, é claro, e talvez não seja a coisa mais legal do mundo chorar em cima das cordas da sua guitarra, mas estas belas canções são faixas com as quais pessoas se identificam enquanto seres humanos mesmo. É um saco ter seu coração partido. Todos sabemos disso. Are We There parece aquele amigo com quem você sai pra tomar umas logo depois do fim de um relacionamento, que está ali pra te ouvir reclamar e se afundar nas suas frescuras. Tem amigo melhor que esse?
—Eric Sundermann


** Black Messiah 23. D’Angelo and The Vanguard –**

Quando um disco extremamente esperado é lançado, é tentador coroá-lo prematuramente. Certamente incluir Black Messiah em nossa lista de melhores do ano menos de uma semana depois de seu lançamento não é nada mais que uma reação meio impensada – nossa percepção do disco, com certeza, mudará ao longo do tempo. Mas Black Messiah desafia noções convencionais de temporalidade. Estamos falando de álbum que levou mais de décadas para ser feito, só para ser lançado sem mais nem menos, tipo merda de pombo, no que pareceu ser o momento exato. Em uma entrevista com o New York Times, um dos agentes de D'Angelo, Kevin Liles lembrou de quando o cantor lhe ligou com raiva logo após o não-indiciamento de Darrel Wilson por ter matado um homem desarmado chamado Michael Brown. Pouco depois, de acordo com o Times, ele disse ao responsável por suas turnês, Alan Leeds, que a única forma pela qual me expresso é a música. Quero me expressar”. Semelhante a discos clássicos de protesto de funk e soul como There's a Riot Goin' On de Sly and the Family Stone, What's Going On de Marvin Gaye e praticamente tudo que Curtis Mayfield fez, a mensagem em Black Messiah nem sempre é explícita. Por mais que hajam muitas letras que retratam a miríade de problemas com os quais os jovens negros lidam, Black Messiah é um disco político simplesmente por existir. É um disco de jazz disfarçado de disco de R&B, sinuoso e intrincado, lentamente revelando seus prazeres durante audições repetidas. Nenhuma nota está fora de lugar: é fácil crer que este era o disco que vivia exatamente na cabeça de D, um disco que quase lhe custou a vida.
—Drew Millard


** Deep Fantasy 22. White Lung –**

Que o terceiro disco do White Lung seria enérgico e frenético e cheio de guitarras avassaladoras era óbvio. Que Mish Way urraria e berraria e trituraria as letras com seus vocais era óbvio. Que estas letras seriam explorações viscerais que vão de se debater em estados de infelicidade movido a drogas ao apoio a vítimas de estupro também era provavelmente óbvio e certamente seriam bem-vindas. Mas independente da reputação ascendente da banda, ninguém esse ano esperava que o White Lung – ou qualquer outra banda, na real – criasse um disco punk feminista popular e acessível. E é exatamente isso que Deep Fantasy é, porém, com uma gravação limpa o suficiente para quem ouve rock radiofônico e uma composição fumegante que combina com qualquer balada delicada ao piano mesmo quando explodem na sua cara (assista à versão acústica de “Wrong Star” pra tirar a prova). Este é um disco que você pode dar para alguém que nunca usaria as palavras “feminismo” ou “punk” (mas que provavelmente curte Nirvana ou sei lá o que) e dizer “isso aqui é o que tá pegando” e ela com certeza entenderia. E esse é o lance mais punk de todos.
—Kyle Kramer


** 1989 21. Taylor Swift –**

Taylor Swift é uma das maiores estrelas da música pop. Em um ano ou dois, a maioria dos fãs nem irá lembrar que ela começou como uma menininha country, dedilhando um violão e sonhando acordada com Tim McGraw lá na casa de seus pais em Putaqueopariu, Pensilvânia. Ela deixou de lado o violão de aço e a imagem virginal quando correu para a cidade grande; agora o lance dela é anos 80, bicho, e ela quer curtir. A lenta mudança de Swift de queridinha do country pop até ícone-pop-a-meio-caminho-andado se deu exatamente como ela planejou, desde as primeiras mudanças cuidadosas em Fearless, ao seu sotaque se esvanecendo no animado Speak Now e então o descaradamente pop disco de transição Red. Agora, com 1989, a Pop Taylor chegou de vez, saudando toda a sua legião de fãs como a celebridade legítima que é. Ela ralou peito de Nashville e passou direto por Hollywood só pra cair de bunda no meio da Big Apple – um lugar enorme, na pegada mundo cão que parece dar certinho com seu novo eu e sua nova sonoridade. Com o título vindo do ano de seu nascimento e positivamente mergulhado no kitsch do fim dos anos 80, o disco refestela-se com a recém-descoberta maturidade de Taylor; sua voz é mais rica, sua vitimização permanente foi abandonada em prol de um tom de mulher independente, feminista chic. Esta Taylor é mais velha, mais inteligente e muito além da mesquinhez de ensino médio da qual costumava tratar; agora é ela que manda o otário pra rua antes de dar um rolê pra casa de Ferrari e dar uma lida no Jezebel e folhear seu livrinho negro. A espinha dorsal eletrônica gelada que apoia 1989 está muito longe dos acordes acústicos de seus dois primeiros discos, investindo então em sintetizadores, graves pulsantes, instrumentais intrincados e refrões pop faraônicos. 1989, o único álbum do ano a conseguir o disco de platina, rendeu à Taylor seu primeiro single em primeiro lugar nas paradas; ela lotou estádios e vendeu milhões antes, mas foram precisos singles como “Shake It Off” e “Blank Space” conquistarem a Billboard para que Taylor finalmente fosse alçada ao alto escalão do estrelato pop. Seu entusiasmo pelo material é contagioso, transparecendo no estalo electro-pop de músicas como “Blank Space” e no atrevimento de líder de torcida do polêmico megahit “Shake It Off”. Sua voz cheia de energia, saltando por cima das batidas e voltando para dar o golpe de misericórdia – aquelas pérolas de sabedoria de mulher comum que se tornaram sua marca registrada. Está claro que não terminamos de falar sobre ela ainda… E ela com certeza ainda não parou de nos surpreender.
—Kim Kelly


** My Krazy Life 20. YG –**

Em um ano que foi declarado como um péssimo ano para o rap por grande parte das Vozes Críticas Inteligentes™, até que rolou muita coisa massa, uma delas sendo o puta disco do YG, My Krazy Life. Nele YG mostra suas elegantes habilidades ao microfone – sim estamos chamando seu rimar duro e forte de elegante – e mostra porque ele é um dos melhores rappers na ativa. É pedrada sobre pedrada sobre pedrada. “My Nigga.” “Bompton.” “I Just Wanna Party.” “Who Do You Love.” My Krazy Life infelizmente não recebeu o reconhecimento devido, então faça-se o favor e bote “Left, Right” pra tocar. Como você ouve isso e não se sente o cara mais foda do mundo?
—Eric Sundermann


** Sweven 19. Morbus Chron –**

Foi um excelente ano para o death metal esquisito, e os suecos do Morbus Chron com certeza lideraram esse ataque com seu incrivelmente bizarro segundo disco. Sweven é uma besta serpenteante, cheio de curvas inesperadas que te colocam dentro de um pesadelo psicódelico ao mesmo tempo que te levam em uma onda de death metal melódico sagaz ou morbidez vintage cheia de trevas. Seus discos anteriores eram pauladas sólidas de death da velha escola, mas isso… Isso aqui é animal de verdade.
—Kim Kelly


** Spiritual Independence 18. Mortuary Drape –**

Este ano marcou a volta dos verdadeiros mestres do horror italiano. O Mortuary Drape lançou Spiritual Independence, seu primeiro disco em dez anos, logo cagando por cima de todos os seus rivais com suas entonações majestosas de black metal sinistrão. Claro que uma banda formada em 1986 não mudará muito sua sonoridade; não se ensina licks de guitarra novos a um velho thrasher, e a essa altura do campeonato, o Mortuary Drape já tem sua fórmula mais firme do que Jesus na cruz. Pela primeira vez em anos, o membro fundador e força motriz Wildness Perversion foi para trás da bateria para conduzir a jornada, deixando o trabalho pesado para seus colegas. E deu certo; Spiritual Independence é o melhor disco dos caras desde os anos 90. Que venham muitos mais anos de necromancia!
—Kim Kelly


17. Wild Beasts – Present Tense

Onde seu disco de estreia de 2008, Limbo Panto, era praticamente obsceno em seu maximalismo sonoro, a cada ano e disco que se passavam o Wild Beasts se refinava e reavaliava, deixando para trás suas tendências líricas e vocais mais ornamentadas – apesar de aumentarem o quociente em sintetizadores – até chegarem aqui, com um quarto disco elegante e rico. O gênero é, ostensivamente, indie rock, mas que outras bandas se comparariam? O Wild Beasts sempre ficou ali, meio que austeros, distantes. Por mais que tenham levado adiante seus parâmetros, liricamente falando, olhando para além de si mesmos e observando o que rola ao redor em “Wanderlust” em especial, as canções que marcam são aquelas que focam nas minúcias, no espaço liminal entre duas pessoas e as linhas invisíveis que as ligam. O Wild Beasts cria o tipo de arte que faz do embaraço da vida bonito.
—Kim Taylor Bennett


16. United Nations – The Next Four Years

Poucas coisas ainda não foram feitas no punk. O muitas vezes enigmático projeto de screamo do antigo frontman do Thursday, Geoff Rickly, United Nations, parece reconhecer este problema e em The Next Four Years (uma brincadeira com o clássico do Black Flag) a banda adotou uma análise satírica de si e do “quão estúpidos e sem sentindo somos”, de acordo com Rickly. Mas apesar de sua natureza autocrítica – ou talvez por conta dela – o álbum é esmagador, abordando temas como privilégio branco, a futilidade da espiritualidade, e o estado atual medíocre do punk. Tudo de dentro pra fora. Se realmente não existem terrenos virgens no punk e ele é só um defunto gordo e inchado, ao menos o UN encontra alguma graça em o tratar como Um Morto Muito Louco.
—Dan Ozzi


** PUP 15. PUP –**

Em apoio ao seu impecável disco de estreia, o PUP fez turnês sem fim. Durante uma de suas muitas paradas em Nova York, o vocalista Stefan Babcock olhou para um cômodo dos mais vazios e apresentou a banda dizendo “Ei, nós somos o Pup… Tipo um cãozinho”. Isso resume a banda de Toronto – pequena, enérgica, feroz. As casas de show lotaram consideravelmente ao longo do último ano enquanto o boca-a-boca tratava de espalhar por aí como os estes canadenses não só tem um som criado com perfeição com uma pegada pop-punk-encontra-Weezer, mas também um show insano. Se foi este o resultado obtido com a primeira mordida deste pequeno canino, não temos como prever o que acontecerá assim que o soltarem da coleira.
—Dan Ozzi


** Faith in Strangers 14. Andy Stott –**

O disco mais sexy do ano é um álbum de EDM, e não daqueles escrotos com graves zoados que te botaram pra dançar com aquela mina de biquíni que te passou gonorreia.
—Fred Pessaro


** Memoria Vetusta III: Saturnian Poetry 13. Blut Aus Nord –**

Você acha que os franceses têm as melhores bandas de black metal por que eles são sofisticados? Há uma correlação direta entre a Appellation d'origine Contrôlée de Saint-Georges Saint-Émilion e o quão bem você consegue fazer uns tremolos fodões? Ou tem ver com o camembert e todos aqueles queijos loucos que os franceses fabricam? Difícil saber, mas isso aqui é puro brilhantismo black metal elevado a outro patamar.
—Fred Pessaro


** Burn Your Fire For No Witness 12. Angel Olsen –**

Não tem outro jeito de falar isso: Angel Olsen é uma baita compositora. Burn Your Fire for No Witness é um dos discos mais afiados, encantadores e charmosos de 2014. As canções são propulsionadas por uma coragem de simplesmente se posicionar lá fora – ou melhor, ajudar o mundo a lidar com o que há lá fora. Faixas como “Unfucktheworld”, “Lights Out”, e “Stars” provam sua bravura – como se ela estivesse compondo para todos nós. No começo deste ano, ela nos disse não “sentir nenhuma tensão ao tocar estas músicas, porque não sinto como se estivesse revivendo-as. Na verdade, não tenho nem certeza se parte delas é pessoal”. Seria coincidência ela se chamar Angel?
—Fred Pessaro


** Typical System 11. Total Control –**

Ser uma banda pós-punk em 2014 pode muito facilmente consistir em ser um bando de gente que curte vestir preto e que tem uma coleção de discos bem boa. É fácil se vestir bem e tocar música precisa com a quantia certa de distanciamento cínico. Mas isso é uma merda – é típico, inclusive – o que explica porque ainda estamos em 2014 e Morrissey ainda está triste. O Total Control é uma banda refrescantemente imprecisa – não no sentido de que eles toquem mal, mas sim a partir do momento em que eles misturam tudo que é som e veem o que dá certo, seja a guitarra que te faz levar os punhos ao ar em “Expensive Dog”, os sintetizadores dançantes de “Glass” ou as camadas de feedback que transformam “Black Spring” em um extenso opus esgarçante. Misturando perfeitamente dance music minimalista, guitarras cambaleantes e pós-punk taciturno, é o tipo de coisa que talvez alguns consideram um passo ousado para o gênero, mas sendo bem sincero, é a forma mais humana de abordar o mundo desalentado e distópico do disco. Além disso, perguntamos a um monte de gente inteligente o que acharam do disco e todas concordaram que ele é foda, o que com certeza prova que é mesmo.
—Kyle Kramer

Tradução: Thiago “Índio” Silva