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Você Não Sabia que Essas Músicas Eram Covers Portanto Estamos te Contando

Muita gente faz sucesso com música dos outros, e nós não estamos aqui pra julgar.
21.10.14

Como é que será que se sentem essas pobres almas que compõem uma música com todo o seu sangue e suor pra que depois cheguem uns desavisados que as roubam na caruda e as transformam nas MÚSICAS MAIS FAMOSA DO MUNDO? Bom, ou a “música mais famosa do mundo” pelo menos por duas semanas. Ou meses. Ou anos. Mas numa música cujos compositores originais nunca sonharam que chegariam onde chegaram. Deve ser muito chato.

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Porque a arte do cover, de tomar uma música de outra pessoa e torná-la sua, é algo bastante complicado. Requer que o músico que decide fazê-lo entenda quais são os pontos fortes de uma música e quais são suas maiores deficiências, acentuar uns e tratar outros, e em 99% dos casos, o experimento dá muito errado.

Mas, em alguns casos, correndo mal ou bem, a música acaba por se sair infinitamente mais bem sucedida que a original. E quando a pessoa percebe que a música em questão é um cover, não tem muito o que fazer além de desejar sorte ao pobre autor original, de que tenha recebido lá um bom trocado, de que alguém se lembre dele, de que a vida seja justa e alguém diga pra ele: “Estamos aqui, não te esquecemos”.

“TORN”

Cá entre nós, essa é uma música horrível que inundou nossas cabeças púberes nos idos de 1997. Nunca ninguém tinha escutado a versão da Ednaswap, até que me chega a Natalie Imbruglia e todos nós nos apaixonamos por ela e esse vídeo terrível em que parece que está se mudando de apartamento, numa mistura de Friends com Dawson’s Creek.

(Aliás, alguém percebeu que aquele lago era do Dawson?)

Ainda bem que o furor pelo folk manhoso e chato daqueles que nunca compreenderam 10,000 Maniacs morreu com o milênio e nunca mais tivemos que escutar mais nada da Natalie… E muito menos da Ednaswap.

Original: Ednaswap

Famosa graças a: Natalie Imbruglia

“I WILL ALWAYS LOVE YOU”

Todas as suas tias ficaram agarradas a essa música melosa que faz chorar qualquer mulher divorciada ou adolescente precoce que se sente como uma mulher divorciada. Elas existem. São as que fumam Marlboro Light desde muito novas e beijam muitos rapazes. Cuidado.

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Resultado: um clássico dos karaokês. Essa talvez seja uma das músicas mais famosas da história. Milhares e milhares de casamentos selados com essa canção enquanto os noivos dançavam apaixonados e idiotas, e não há nem mesmo um único cara de firma que não tenha dito que Whitney “tem uma puta voz”.

A questão é que a música não é dela. A versão original é de Dolly Parton, que hoje em dia é mais lembrada pelo tamanho das tetas do que qualquer outra coisa. Alguém faça justiça a essa mulher.

Original: Dolly Parton

Famosa graças a: Whitney Houston

Invasão brazuca: Talvez você não saiba, mas a namoradinha do Brasil e seu irmão mais novo fizeram uma versão tupiniquim desse clássico.

“TWIST & SHOUT”

Quando percebi, há anos, que “Twist & Shout” NÃO era uma música original de Lennon & McCartney (coisa que não era incomum com os seus primeiros hits, enfim), fiquei com água na boca: um dos seus primeiros grandes clássicos nem era deles, era uma cópia vil e então todo o mito ao redor dos Beatles poderia, finalmente, vir abaixo.

Eu não queria mais ser feito de idiota. De palhaço. Na realidade, não estava em busca de nada além disso.

A desgraça é que a versão original da música, interpretada pelos Top Notes, não faz nem cócegas na versão do quarteto de Liverpool, que reina soberano até os dias de hoje na fila das versões de “Twist & Shout”.

Original: The Top Notes

Famosa graças a: The Beatles

Invasão brazuca: Antes do Molejo ser melhor que Beatles, já tinha um grupinho pouco conhecido que abrasileirou o Twist and Shout.

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“NOTHING COMPARES 2 U”

The Family era um projeto esquisito de uns dos artistas mais esquisitos da história: Prince. E quando digo “esquisito” me refiro às suas escolhas, como por exemplo usar um nome impronunciável pra se queixar do modelo de negócios de toda a indústria fonográfica (pra depois ser chamado de “Artista Anteriormente Chamado Prince”, ridículo). Ele formou o The Family durante uns meses, gravou um disco muito esquisito com soul, funk e afins (inclusive “Nothing Compares 2 U”) e depois desapareceu com a banda. Isso em 1985. Quase 30 anos depois reuniu sua “Família” e tem tocado com eles desde então. Só que agora se chamam fDeluxe.

Enquanto isso, Sinéad O’Connor escutou “Nothing Compares 2 U” e a transformou em uma das melhores músicas de todos os tempos. Fez derramar mais lágrimas de desamparo que qualquer outra música na história da música.

Apenas isso.

Original: The Family

Famosa graças a: Sinéad O’Connor

“TAKE ME TO THE RIVER”

Aqui falamos de dois grandes nomes, cujas versões são altamente recomendáveis e que dizer que “uma é mais famosa que a outra” é mera formalidade geracional: o pessoal do soul não está nem aí que eu fale que é David Byrne e seu terno enorme, enquanto que os Talking Heads são um bastião de qualidade musical pra toda e qualquer pessoa que se orgulhe de respirar ar puro nos últimos 15 anos.

Mas acho que os Talking Heads deixam a música mais “suja”, sobretudo com suas míticas apresentações ao vivo. Segue sendo um clássico na sua discografia.

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Original: Al Green

Famosa graças a: Talking Heads

“GILRS JUST WANNA HAVE FUN”

Que música horrorosa. “Time After Time” é uma daquelas que a Britney nunca conseguiu fazer, e é por isso que Cindy Lauper será sempre A Pior Imitadora de Madonna já concebida pela história (porque, queiramos ou não, a Lady Gaga está em outra categoria), mas “Girls Just Wanna Have Fun” é estridente, chata, boba, pegajosa e segue nos incomodando como um maldito mosquito sonoro há décadas e décadas e décadas.

O lance é que não é culpa da Cindy: a culpa é, na verdade, de um tal de Robert Hazar que não entrou nos anais da história pela composição dos próprios discos, mas sim por ser responsável por essa imundície.

Agora decidam qual versão vocês preferem.

Original: Robert Hazard

Famosa graças a: Cindy Lauper

“GLORY BOX” / “IKE’S RAP 2”

Ninguém aqui vai discutir a absoluta genialidade do Portishead. Nem de Isaac Hayes. E há uma diferença clara entre o que é um “cover” e o que é um “sample”. Mas não conseguimos nos conter de incluir essa aqui. E apostamos que muitos nem sabiam que a base de “Glory Box”, a música mais famosa da banda inglesa, era do mestre Hayes, responsável por muitas das músicas mais profundamente sexuais de todos os tempos.

Perdão. Vamos ser mais rígidos na próxima.

Original: Isaac Hayes

Famosa graças a: Portishead

Invasão brazuca: Nessa confusão de cover e sample, a gente tem essa aqui do Racionais, que é um cover de Jorge Ben com sample de Glory Box. Brasil é essa mistura louca né, gente?

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“IT’S OH, SO QUIET”

Aaaaahhhh, Björk. O que é que se pode falar da Björk? Ela tem seus tentáculos espalhados pelas esquinas mais sofisticadas da vanguarda, e é responsável por discos verdadeiramente inesquecíveis e clássicos (alguém quer tentar repetir Homogenic, por favor?) apesar de exagerar um pouquinho no histrionismo e na pose.

(Não? Mandei mal? Não entendi nada? Etc etc etc)

Este é o caso de “It’s Oh, So Quiet”, uma música original do universo da Broadway (e belamente interpretada por Betty Hutton) que não tinha mais nada a fazer além de um disco perfeito como Post.

Fora isso, todo mundo desconfiava que “… Quiet” estava muito deslocada, que Björk até poderia ser a responsável por ela, mas que já tínhamos escutado essa música ou algo parecido em algum outro lugar.

E sim. Tínhamos.

Original: Betty Hutton

Famosa graças a: Björk