Todas as fotos por Lucas Jacinto.
O Rodrigo Ogi tá ali cercando o topo da cadeia de rimas & flows & poesia desde pelo menos o Crônicas da Cidade Cinza, que saiu em 2011. De lá para cá você não faz ideia quanta água e outros detritos passaram por debaixo da ponte. Tava bom, aí ficou ruim, etc. Mas agora com o recém-chegado RÁ! (TRIGGER WARNING e SPOILER DA LISTINHA DE FIM DE ANO: O Melhor Disco [de Rap] de 2015), uma bandeirona preta com um “R” Hip Hop em spray prateado balança alegre e destemida lá no alto da montanha do rap nacional, e o resto da música pop brasileira olha e chorri, porque é meio engraçado mas dá um medo danado ao mesmo tempo. E foi mais ou menos com esse espírito de Aventureiro Vitorioso que o Ogi encarou o lotado (ingressos esgotados, diga-se de passage) SESC Pompeia no último sábado (5).
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Peço licença para usar um monte “eu” neste parágrafo: No ano passado vi no mesmo palco da Choperia do SESC o show do Projetonave com um monte de gente fera do rap reinterpretando clássicos do repertório hip-hop nacional em formato de banda. O Ogi estava no time e cantou “A Vaga”, que é dele mesmo.
Foi foda esse dia. Lembro que a minha impressão foi a de que ele se mostrava muito mais solto e confiante sendo um frontman; é até um negócio meio de rua, ter uma gang na retaguarda realmente dá aquele força pro ego, “eu sou legião”.
Acho que o lance da banda ficou na cabeça, porque foi de turma da música que o rapper subiu no palco da Choperia novamente. A banda era dream team total: além dos titulares Tiagão Redniggaz e DJ Nato_PK, teve Thiago França na direção musical, sax, flauta, brinquedos eletrônicos, Kiko Dinucci na guitarra, Fábio Sá (que toca em tanto projeto/banda foda de SP que é até injusto citar UM deles) no baixo e Tubarão (do supracitado Projetonave) na bateria. O Nave, que produziu o disco de ponta a ponta, também tava no palco, lógico. Ah, e teve o Mao, do Satânico Dr. Mao e o Espiões Secretos e ex-Garotos Podres, para meter o “Cê ficou em choque!” do refrão de “Estação da Luz“.
Seria fácil dizer aqui que o show foi uma celebração para coroar o difícil processo de auto-reflexão que foi produzir o RÁ!, mas o lance foi muito mais do que uma festa; foi conquista. Um rega-bofe ainda no campo da batalha, com o Chico Cicatriz ainda ali no canto apertando o torniquete da perna. Ogi e banda entregaram todas do disco novo + clássicos inevitáveis do Crônicas numa atitude de performance. Teve risada, mas sem perder o foco nem o andamento.
O momento de catarse foi ali no meio do show. Depois de “Estação da Luz” — com o Mao maravilhosamente não entendendo muito o que estava acontecendo —, os cara emendaram um cover do clássico imortal anticapitalista “Papai Noel Filho da Puta” dos Garotos Podres e todo mundo chorou largado. Abriram um bate-cabeça na galera. Acho que repetiram o refrão do “presenteia os ricos/cospe nos pobres” umas 20 vezes. Se tivessem repetido outra 40 não teria problema nenhum, muito pelo contrário. Me emociono de novo só de lembrar.
Rodrigo Ogi e Mao – “Papai Noel FDP” (Garotos Podres)
O lançamento do álbum RÁ do Ogi foi épico. Rolou até participação do Mao e pra embalar esse clima natalino: “Papai Noel FDP”, do Garotos Podres!
O Rap Pelo Rap
Galera cantou tudo, “Virou Canção” emocionou, “Trindade” faz os flow maníacos meio que cagarem nas calças, “A Vaga” continua lá esperando você cantar altão no refrão.
O Melhor Disco do Ano teve um dos Melhores Shows do Ano. Foi foda.























Acho que o Lucas também entrou na roda durante o “Papai Noel Velho Batuta”.





“EITA CUSSAO. TÁ FAMOSO CARAIO?”








Tá tudo fora de ordem cronológica mesmo, não foi acidente.
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