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A Tatiana Maslany Cria Playlists para Cada uma de suas Personagens do Seriado ‘Orphan Black’

E aqui você vai poder ouvir cada uma das sonzeras que a canadense separou
27.4.15

Foto cortesia do Space

No final de um longo corredor branco de um escritório no centro de Toronto, localizamos a protagonista do fenômeno sci-fi Orphan Black, que tem 29 anos e atende pelo nome de Tatiana Maslany. É uma tarde agradável de março e Tatiana está terminando de preparar um lanche. Quando nos encontramos, ela prontamente oferece uns salgadinhos – uma delicadeza consistente durante toda a entrevista, culminando em Tatiana pegar seu telefone para compartilhar o streaming do disco Put Your Back N 2 It, do Perfume Genius. “Ele é demais”, ela diz, empolgada. O seriado Orphan Black é focado nas vidas complicadas de quatro mulheres que são clones umas das outras – todas são interpretadas pela Maslany. Tem a Sarah, a rebelde que está sempre rodeada de problemas; Cosima, a cientista residente do grupo, cuja saúde está desaparecendo rapidamente; Alison, uma mãe dona de casa que pisa em você ao mesmo tempo em que te dá flores; e tem a Helena, cujo trabalho é matar os outros clones. Enquanto na segunda temporada as irmãs passaram a maior parte do tempo separadas, na terceira elas estão unidas em um único time.

O primeiro episódio da terceira temporada retrata as irmãs sendo confrontadas por um grupo de clones masculinos que fará de tudo para transformar suas vidas num inferno. Além disso, elas terão de lidar com algumas consequências de suas próprias escolhas. Sentada na minha frente, usando um vestido preto e branco, o entusiasmo da Tatiana em relação ao seu trabalho e seu amor pela música é contagiante. A música é um elemento chave na estrutura dos clones, já que a atriz cria playlists para cada uma delas para diferenciar suas personalidades. Para Sarah, Tatiana usa o som frenético da M.I.A e The Streets, enquanto que para a Alison ela busca inspiração em musicais como Os Miseráveis e West Side Story. Apesar de suas escolhas parecerem aleatórias, na verdade elas refletem a própria biblioteca musical eclética da Tatiana.

Na adolescência, ela costumava ouvir Korn, Busta Rhymes, Marilyn Manson, e Missy Elliott. “Eu curtia muito hip hop quando era adolescente, e ainda curto”, Tatiana nos disse. “Amava as batidas e a atitude presente na música”. Além do universo do hip hop, ela também gostava do som dos caras canadenses do Our Lady Peace. “Meu tio estava trabalhando na Sony e me descolou ingressos pro show do Our Lady Peace e foi o melhor dia da minha vida adolescente de 12 anos”. Desde então, o gosto musical de Tatiana se tornou tão diverso quanto seus personagens, citando Peaches, Tune-Yards e Nicki Minaj como suas artistas favoritas no momento. Assim como os bons amantes da música, Tatiana não abandonou a música da sua adolescência, afirmando que Busta Rhymes e Missy Elliott são dois artistas que ainda ouve hoje em dia. “Eu era tão quietinha e desajeitada, mas amava essas vozes estridentes”, ela fala sobre os artistas que a ajudaram a criar sua extensa paleta musical. Orphan Black é um ótimo exemplo de como a música pode ter um papel decisivo na criação de uma outra forma artística, mesmo que essa forma exija que você dance consigo mesmo.

*Logo abaixo estão as playlists pessoais da Tatiana Maslany para Sarah, Alison, Cosima e Helena, como parte da nossa nova playlist Noisey Canada no Spotify

Playlist da Sarah

Noisey: Quanto a artistas como a M.I.A. e a Missy Elliott, o que mais te atrai nelas?
Tatiana Maslany: Tem algo a ver com o fato de não serem conformistas. Estava ouvindo a Missy de novo ontem, no avião vindo para cá. Ela tem ressurgido na minha vida; tem muita criatividade ali. Nada é previsível – não é uma linha reta, e eu amo isso.

Quando a Katy Perry chamou ela para uma participação no show no Super Bowl, várias pessoas no Twitter ficaram tipo, “quem é essa tal de Missy Elliott?”
O que eu amei na performance dela no Super Bowl foi que ela não precisou de nenhuma pirotecnia. Não tinha nada além da sua presença e sua música. Isso foi suficiente. Ela não precisava dos tubarões. Não precisava daquele tigre gigantesco. Ela tem um peso e um poder que fazem não precisar de mais nada.

Na ausência dela surgiram várias rappers mulheres, como Iggy Azalea e Nicki Minaj. Além da Missy, quais rappers femininas você curte?
Gosto muito da Iggy Azalea, e da Azealia Banks também. Não posso dizer que sinto uma grande conexão com elas. Gosto da música delas agora, mas não sinto que elas tenham o poder de permanência. Não que eu ache que elas não vão ficar na cena por muito tempo, mas a Missy tinha algo que era realmente novo. Ela continuou a produzir e criar. Ela é capaz de fazer muita coisa ao mesmo tempo.

Playlist da Cosima

No seriado, você meteu a porrada em uma vizinha ao som de “Bitch”, da Meredith Brooks, e incorporou uma policial ao som de “Bad Girls”, da M.I.A. Qual foi seu momento musical favorito?
O da música “Bad Girls” foi uma grande surpresa para mim. Lembro quando um dos nossos produtores disse que eles tinham essa música, e eu fiquei tipo “oi? Estou em uma montagem com uma música da M.I.A.?” Meu sonho se tornou totalmente realidade.

Você é conhecida por fazer playlists para cada clone. No seu dia-a-dia de trabalho, qual delas você ouve com mais frequência?Depende. Todas têm um quê meu ali. A da Sarah tem The Streets e Dizzee Rascal, que ainda ouço o tempo todo hoje em dia. Helena gosta de Antony and the Johnsons e Tom Waits, e amo os dois até hoje. E a Rachel curte jams paradonas dos anos 90. Eu poderia ouvir qualquer uma dessas todos os dias.

Continua abaixo

Em relação à Helena, percebi que as cenas dela geralmente têm um monte de música eletrônica. Isso foi obra sua ou mais da produção?
Esta exploração dela foi feita mais pela produção, a qual eu amo, porque soa como o que o cérebro dela deve estar fazendo. Tem Prodigy na trilha sonora, mas também amo a ideia de que seu funcionamento interno tem uma pegada mais Antony and the Johnsons. Tem uma leveza nela [na Helena]. Tem muito medo e vulnerabilidade ali, e muita quietude e delicadeza.

Enquanto interpretava a Alison durante a segunda temporada, você se apresentou numa produção de teatro de uma comunidade. Como foi isso?
Acho que foi algo divertido que o John Fawcett [criador] pensou que ela faria com certeza. Disse a eles que músicas extraídas de musicais eram definitivamente minha inspiração para a Alison. Não sei se foi uma resposta a isso, mas parecia uma coisa muito natural para ela fazer.

Quem na sua vida teve o papel mais importante em relação a descobertas musicais?
Meu irmão é minha maior fonte musical. Ele tem um gosto incrível. Muitos anos atrás ele me mostrou uma banda chamada Why?, que se tornou – e ainda é – uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos. O Son Lux também. [Ele] é ridiculamente bom, tipo inacreditável. Provavelmente um dos meus favoritos de todos os tempos também.

Playlist da Alison

Se você está num dia meio deprê, quais músicas melancólicas você curte ouvir?
Várias do Antony. Acho Perfume Genius muito bom para dias assim. Neutral Milk Hotel. Tem esse disco incrível do Jonsi & Alex chamado Riceboy Sleeps, que é o que tenho ouvido bastante recentemente. Estou trabalhando em um filme no norte do Canadá. Estamos filmando em Iqaluit. Ainda não fui lá, na verdade, mas tem uma calmaria nessa música e é muito cinematográfica. Para mim, ressoa muito naquele espaço cheio de neve e quilômetros infinitos.

O que te deixa mais empolgada quanto a ir para Iqaluit?
No segundo fim de semana que estaremos lá vai rolar um festival de primavera enorme, e o A Tribe Called Red vai tocar. Eles são incríveis. Parece que tem muita cultura surgindo naquela calmaria, o que eu consigo me identificar por ter crescido nas pradarias. Tem muito espaço, então acho que as pessoas têm um impulso de criar algo naquele lugar; seja improvisação, música ou dança. Tem muita abertura para a cena artística em Saskatchewan e parece que em Iqaluit também. Fico empolgada só de estar em um ambiente que é tão rigoroso e árido, mas que parece tão repleto de vida.

Em breve vão rolar vários festivais aqui em Toronto. A quais festivais você já foi?
Meu irmão menor era muito fã do Skrillex há alguns anos, então fomos a um grande show dele com o Diplo e foi incrível. Acho que a Grimes tocou também. Fui no festival Virgin Music algumas vezes. Assim que me mudei para a cidade, o que mais fazia era ir a shows. Era só o que eu fazia, porque eu era de Regina e ninguém tocava lá. Vinham uns dois artistas por ano, mas aqui rolavam shows de todas as bandas que eu amava.

Playlist da Helena

Qual deles foi um dos seus shows favoritos?
Vi um do The Streets assim que me mudei, e foi um dos melhores. A M.I.A. estava incrível. Vi um show dela uns anos atrás. Também vi uma banda muito boa chamada Dethklok. Estava muito empolgada com eles. Foi meu primeiro e meio que único show de metal. Foi uma grande experiência, sem dúvida.

Se você pudesse ver qualquer artista, vivo ou morto, qual você escolheria?
O Yeah Yeah Yeahs. Preciso vê-los ao vivo. Fui uma grande fã por tantos anos, e ainda não os vi tocar. Se o MCA estivesse vivo, adoraria ver o Beastie Boys de novo. Fui num show deles uma vez em Vancouver. Estava lá para um festival de improvisação, e calhou de eles estarem tocando. Todos os meus amigos vieram de Regina e nós fomos juntos ao show. Foi massa.

Antes te perguntei quais músicas você ouve quando está meio deprê. Quais músicas você gosta de ouvir quando vai sair à noite?
Qualquer coisa que seja intensa. Busta Rhymes é ótimo para quando estou me arrumando para sair. Ligo o Songza e coloco uma das playlists de rap, tipo rap dos anos 90 ou algo assim. É o que me deixa mais animada.

Aaron Morris está no Twitter.

Tradução: Stefania Cannone