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Por Trás das Lentes: Chris Stein, do Blondie, Reflete Sobre Fotografar Debbie Harry Fazendo Bungee-jumping sem Blusa

Em muitos aspectos, a relevância do Blondie só aumentou desde que eles se tornaram uma banda modelo do punk, com um som radiofônico.

Fotos por Chris Stein

Menos de um mês depois do lançamento, o livro de estreia de Chris Stein, Negative: Me, Blondie and the Advent of Punk, já ruma para a segunda edição. Caso restasse alguma dúvida, esse é o tanto que a banda ainda é adorada, depois de 40 anos de carreira. Em muitos aspectos, a relevância do Blondie só aumentou desde que eles se tornaram uma banda modelo do punk, com um som radiofônico. Eles não só ainda se apresentam ao vivo –tive a sorte de vê-los no TBD Fest – quanto seu estilo não atrelado a gêneros agora é comum na música indie. Além disso, eles praticamente inventaram o pop alternativo, um microgênero que explodiu no ano passado. E a sua estética punk segue inspirando estilistas – os desfiles de outono 2013 da Versace, Chanel, Saint Laurent e Anthony Vaccarello, cheios de spikes e correntes, são um exemplo. Ou o controverso Baile do Met do mesmo ano, com temática punk, que muitos desses estilistas provavelmente tinham em mente quando criaram suas coleções. Falei com Chris Stein por telefone para perguntar sobre aquela mostra, as suas icônicas e casuais fotos de Debbie Harry e outros amigos músicos e os seus encontros com A$AP Rocky e Kanye West, que procuraram a banda para fazer parcerias.

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Uma das primeiras coisas que me chamou a atenção foi uma foto da Debbie fazendo bungee-jumping de calça de couro, sem blusa. Esse momento foi premeditado?
Não, eu não pulei porque não consegui. Só assisti. Estava na Nova Zelândia, e isso foi já depois de algum tempo de ela estar em carreira solo.

Vocês sempre faziam coisas malucas assim naquela época?
Isso provavelmente foi menos louco do que outras coisas que fizemos ao longo dos anos. Mas nunca foi tipo jogar TVs da janela do hotel – nunca chegamos a esse ponto.

Qual foi a reação da Debbie às fotos dela sem roupa entrarem no livro?
Todo mundo com quem falei disse: “Nossa, se eu tivesse esse corpo, não me importaria”. Ela estava em boa forma. Ainda está, para uma velha dama. Hoje em dia, com a Kate Moss, os padrões mudaram. Então ela não se importou.

Foi difícil, naquela época, namorar a musa de milhões de pessoas?
Não, conseguimos nos fechar numa bolha. Ajudou, sob toda aquela pressão. Acho que se estivéssemos sozinhos por aí teria sido mais louco.

Quando você tirou as fotos que estão no livro, ela se preocupou com o que estava vestindo ou foi uma coisa mais de momento?
Só um pouquinho, como naquela foto com estampa de zebra. Algumas das roupas foram pensadas. Muitas vezes a coisa foi casual também. Ela era muito DIY. Nunca teve um estilista.

Como aconteceu essa foto dela num vestido de festa segurando uma frigideira em chamas?
Foi no nosso apartamento na rua 17 que pegou fogo. As pessoas diziam que parecia um ensaio de moda moderno, o que nunca tinha me ocorrido. Estávamos em turnê, e a minha mãe ligou e disse: “Não fique chateado, mas o seu apartamento pegou fogo”. Foi isso. Voltamos lá para buscar algumas coisas, e o vestido supostamente pertencia à Marilyn [Monroe], apareceu em algum filme dela, mas nunca conseguimos provar isso. A garota do andar de baixo tinha pegado emprestado e ficou chamuscado.

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Me diga qual é a sua foto favorita do livro.
Não tenho uma favorita. É como quando as pessoas perguntam sobre as músicas – elas são parte de uma obra maior. Gosto muito daquela do Richard Hell pegando uma cerveja.

O que estava acontecendo quando você tirou essa foto?
Esse foi o último show dele com os Heartbreakers nos bastidores da Max. Acho que ele estava meio melancólico.

Das bandas que aparecem no livro, de quem você era mais próximo?
Eu era bem próximo dos Ramones. Sinto falta desses caras. Muita gente do começo, como o The Fast, e alguns outros menos conhecidos.

Quando você fotografou o Devo, o Iggy Pop e outros artistas no seu livro, aproximou-se deles como um amigo?
Sim. Para algumas das fotos do Richard Hell e dos Voidoids, ele disse: “Vamos fazer uma sessão”, e foi mais formal, mas na maioria das vezes foi tudo casual.

A foto do David Bowie se destaca porque você disse na legenda que ele só o deixou tirar uma.
Sim, tirei umas três fotos, mas essa foi a única que ficou boa. Foi tipo um instantâneo. As fotos do Iggy são mais legais e foram todas tiradas na mesma época.

Você ficou surpreso com a reação dele?
Do David? Não, ele só era cuidadoso com a imagem dele. Mas ele sempre foi muito gentil.

Tem um breve capítulo sobre Los Angeles no livro. Como a cidade se comparava à Nova York, naquela época?
Naquela época, nos anos 70 e 80, era menos destruída do que Nova York. Agora eu gosto de Los Angeles porque continua tendo aquela energia que meio que está se perdendo em Nova York. Tudo é muito classe A agora. Não era tanto naquela época. Não íamos para os bairros mais violentos de Los Angeles nos anos 70 e 80.

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Você também tem muitas fotos de viagens, da Tailândia e de Bordeaux, na França. Qual foi o lugar que mais gostou de conhecer?
Bangcoc foi incrível. Está muito diferente agora, trinta anos depois. Quando fomos para lá pela primeira vez, em meados dos anos 70, era muito bucólica e tinha muitos parques e rios, muito verde. Agora tem concreto por toda a parte, é muito industrializada.

Foi para lá para tocar?
Tocamos em Bangcoc na noite de ano novo, e naquele Ano Novo eles suspenderam um toque de recolher vigente desde a Guerra do Vietnã. Foi empolgante e memorável, porque a cidade toda enlouqueceu. Antes, você tinha que ficar em casa da meia-noite às seis da manhã. Então, quando eles suspenderam o toque de recolher, foi uma grande festa na cidade.

Sempre tive curiosidade em saber: você imaginava que “Rapture” faria tanto sucesso?
Não sei se tinha alguma ideia pré-concebida a respeito dela. A única música sobre a qual tinha certeza era “The Tide Is High”. Quanto à “Rapture”, gostávamos do hip-hop nos seus primórdios. Parecia fácil fazer algo que fizesse referência à ele.

Sempre me impressionou o fato de que vocês fizeram a primeira faixa de rap a chegar ao primeiro lugar nas paradas.
É. Há pouco conhecemos os caras do A$AP, e alguns deles disseram que foi a primeira coisa que ouviram. Ouvi isso dos caras do Wu-Tang, também, o que é muito esquisito.

Como era a sua relação com os rappers na época?
Conhecíamos o Grandmaster Flash e o Funky 4+1, e o Fab 5 Freddy sempre foi uma constante na coisa toda. Sempre fomos amigos. Ainda falo com o Rodney C do Funky 4 + 1. Quando aparecemos no Saturday Night Live, pudemos escolher um convidado para tocar conosco e chamamos esses caras. Acho que foi o primeiro grupo de rap a aparecer na TV local ou nacional nos Estados Unidos, não foi?

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Você tirou fotos de rappers também?
Não, devia ter tirado. Só tirei do Freddy e de alguns outros caras.

Você faria uma parceria com os caras do A$AP algum dia?
Sim, eles foram muito legais. Conhecemos o Rocky num aeroporto e começamos a conversar. Ele foi ótimo. Ele parecia muito diferente da sua persona musical. Foi muito humilde e descontraído, e ele é meio agressivo, verbalmente até, na música dele. É um contraste legal.

Imagino que você já deva estar acostumado a esse tipo de contraste, já tendo conhecido tantos rappers.
Talvez, falamos com Kanye [West] por telefone, e ele foi muito gentil. Não sabia o que esperar, mas ele foi muito tranquilo e gentil.

Quando falou com ele?
Estávamos falando sobre fazer algo com ele no Baile do Met, mas nunca aconteceu. Mas tivemos uma conversa.

O que você achou do Baile do Met ter sido punk? Houve muita controvérsia.
Foi completamente insano ver vestidos de US$ 40.000 do [Alexander] McQueen em estilo punk, porque o punk era totalmente DIY. Mas o Malcolm [McLaren] já não cobrava barato no começo, só não era naquele nível. A moda punk foi cooptada logo no começo. Eu lembro de estar na Inglaterra há alguns anos e ver um cara com um moicano enorme num comercial de leite. Então eu percebi, meu Deus, isso eventualmente vai ser mainstream.

Compre o livro do Chris Stein, Negative: Me, Blondie and the Advent of Punk, aqui.

Marissa G. Muller tem esperança de que, um dia, o Blondie faça uma parceria com o Kanye. Ela está no Twitter - @marissagmuller

Tradução: Fernanda Botta